Eleições 2018 Militância do PT demonstra tristeza, mas também resistência diante da derrota de Haddad Nesta segunda-feira, mulheres do movimento #EleNão marcaram uma plenária no Monumento Tortura Nunca Mais, às 16h

Por: Patrícia Monteiro

Publicado em: 28/10/2018 22:21 Atualizado em: 28/10/2018 22:31

Foto: Peu Ricardo/DP (Foto: Peu Ricardo/DP)
Foto: Peu Ricardo/DP
A militância do PT, reunida na frente do Espaço 13, na rua Martins de Barros, bairro de Santo Antônio, reagiu com um misto de choro e grito de resistência à derrota do candidato Fernando Haddad à Presidência da República. O anúncio do resultado foi revelado quando o resultado de 88% das urnas estava apurado e trazia como resultado os percentuais de 55% para Jair Bolsonaro e 44% para Haddad.

Dani Portela, candidata nesta eleição ao Governo do Estado, foi a primeira a falar. “Aqui está o povo sem medo de lutar. Sempre resistimos, há 518 anos, porque precisamos resistir para existir com nossos corpos, cores e famílias diversas. Não nos acovardamos porque não aceitamos grilhões. A liberdade é nossa essência e a esperança o ar que respiramos, então sigamos respirando. Não vamos parar de lutar. A gente faz parte da história e somos esta história hoje, viva, escrita” afirmou.

Em seguida, foi a vez de Teresa Leitão, deputada federal eleita em 2018, discursar. “É um momento difícil para o qual não nos preparamos pois tínhamos a expectativa da vitória da democracia pela campanha bonita que fizemos. De toda forma, o importante é o legado que nosso candidato, que foi um gigante, nos deixou, e a confirmação da possibilidade real de derrotar o golpe ainda em curso. Que isso não nos desagregue. Não vamos permitir que este fascista faça do Brasil o que ele quiser. Aqui, não. Vamos resistir até a última gota do nosso suor”, concluiu.

Bruno Ribeiro, presidente estadual do PT, foi o próximo a fazer sua declaração. “Essa derrota não pode ter o poder de nos desanimar, mas de nos desafiar pra continuar uma luta que consumiu estes últimos três anos nas ruas de Recife. Luta que uniu vários partidos, as mulheres de Pernambuco e do Brasil, os negros. Vamos ter outras lutas pela frente e não temos o direito de desanimar. Tivemos vitórias importantes, aqui em Pernambuco. Ampliamos a nossa bancada de deputados estaduais. Lutamos e nos fortalecemos contra várias violências que voltou a ser a arma das direitas, das elites. Somos a maioria do povo brasileiro e vamos mostrar a esse Bolsonaro, e a meia dúzia destes generais de pijama que o cercam que ele é presidente mas não tem mais poder do que o povo”, discursou.

Jaime Amorim, da direção do MST, foi o último a falar. “Não perdemos nós. Perdeu a democracia e a soberania nacional, a igualdade de gênero. Todos nós estamos aqui olhando para um horizonte e não o enxergamos porque não conseguimos imaginar nosso país governado por um presidente capitão e um general torturador. Amanhã não vamos chorar mais. Estaremos afiados para o combate que vem pela frente. Perdemos a batalha, mas não à guerra pela paz, pela diversidade e igualdade que é de todo o povo”, afirmou.

Entre os militantes, muitas lágrimas. Helder Carlos, documentarista, foi um dos que não segurou o choro. “ É uma pena pois estávamos na expectativa para reverter. Foi representativo este envolvimento, mas não deu certo. Ou, na verdade, deu já que em Recife viramos e vimos que este esforço de conversar com as pessoas funciona”, afirmou. As amigas Daniela Barreto, advogada, e Rafaela do Vale, policial, também lamentaram os resultados. “Hoje vejo o quão misógino, homofóbico e racista é nosso país. É triste perceber o quão elitista e escravocrata é o Brasil. Esse Messias que chega aí é o retrato do nosso país”, desabafou. “Vejo que ficou muito claro o quanto a sociedade brasileira visa mais o interesse individual do que o coletivo. Virão tempos difíceis, mas vamos lutar. Ninguém disse que seria fácil e não será”, concluiu. O ator Irandhir Santos, também presente e bastante emocionado, também se manifestou. “É uma vergonha o que aconteceu. Caímos no retrocesso”, concluiu.

Nesta segunda-feira, mulheres do movimento #EleNão marcaram uma plenária no Monumento Tortura Nunca Mais, às 16h. 


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