Diferenças As divergências entre direita e esquerda Em entrevista na TV, Haddad e Bolsonaro divergem sobre armamento, ministérios e Mais Médicos

Por: AE

Publicado em: 12/10/2018 12:38 Atualizado em: 12/10/2018 13:05

Em entrevistas gravadas para a RedeTV! separadamente, Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) entraram em rota de colisão ao defenderem ponto de vistas diferentes em relação a algumas propostas para o país. Uma das principais divergências foi em relação ao armamento da população.
“Todo cidadão de bem que queira ter arma dentro de casa, com alguns critérios, (que) possa tê-la”, disse Bolsonaro, ressaltando que a medida caberia à análise do Congresso Nacional. “Quem tem que portar armas é a polícia para garantir direito de segurança pública”, comentou Haddad.
Outra discordância foi em relação à criação ou extinção de ministérios no governo. O petista prometeu reativar as pastas de Política para as Mulheres e Igualdade Racial, além de separar das Comunicações o Ministério da Ciência e Tecnologia. O candidato do PSL, por sua vez, disse que os ministérios extintos estavam atendendo a interesses partidários. Ele prometeu nomear ministros com “competência, interesse e liberdade de iniciativa”.
Sobre o agronegócio, Bolsonaro prometeu tipificar como “terrorismo” as ações do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), prometendo ainda uma legislação trabalhista diferente para o campo. Já Haddad prometeu apoiar o agronegócio, mas ponderou que é preciso agir para que toda terra seja produtiva e não fique improdutiva. 
Em relação ao programa Mais Médicos, o candidato petista prometeu ampliar contratando médicos especialistas e construindo uma policlínica para cada 50 mil habitantes no país. Bolsonaro criticou o programa e disse que não manteria o modelo como está sendo feito. Para ele, o Mais Médicos não pode trazer uma suposta médica mãe cubana ao Brasil e deixar seu filho no país de origem.
Falando sobre drogas, Haddad defendeu “traficante na cadeia e usuário com tratamento”. Bolsonaro afirmou que não passa por sua cabeça a liberação das drogas, mas ponderou que não vai ‘perseguir’ usuários.
Questionados sobre regulação da mídia, Bolsonaro afirmou que a imprensa tem que ser “livre” e disse que “a imprensa que realmente estiver voltada com a verdade vai ser valorizada”, criticando a proposta do PT de regular a mídia. Haddad afirmou, por sua vez, que uma família não pode concentrar o controle de meios de comunicação em um Estado como Bahia, Alagoas ou Maranhão. 
Na Educação, Haddad falou em priorizar o ensino médio em um eventual governo e fazer com que as escolas federais sejam responsáveis por melhorar o ensino das escolas estaduais. Bolsonaro pregou contra a chamada “ideologia de gênero” e defendeu “excluir” um estudante que agrida o professor.
Os dois candidatos fizeram acenos ao eleitorado mais pobre. O petista reforçou que vai fortalecer o Bolsa Família e citou que o programa é uma das principais ações dos governos petistas. Bolsonaro citou sua proposta de conceder um 13º a quem recebe o benefício e combater a fraude, dando o pagamento para quem “realmente merece e precisa”. Os dois candidatos prometeram também acabar com o Imposto de Renda para aqueles que ganham até cinco salários mínimos.
 
Mais evangélicos se unem ao PSL - O Partido Social Cristão (PSC), ligado à Assembleia de Deus, maior igreja evangélica do país, declarou oficialmente ontem apoio a Jair Bolsonaro  no segundo turno da eleição. “O PSC, um partido que defende bandeiras liberais na economia e conservadoras nos costumes, tem certeza de que as propostas do candidato do PSL são as melhores para o Brasil”, disse a direção do partido, em comunicado oficial. A decisão do PSC se deu por unanimidade, segundo nota divulgada pelo partido. 
Ao jornal O Estado de S. Paulo, o presidente nacional do PSC, pastor Everaldo Pereira, havia antecipado que o partido jamais apoiaria Haddad e faria campanha por Bolsonaro, caso o segundo turno fosse disputado entre os dois. 
Everaldo batizou Bolsonaro nas águas do Rio Jordão, em Israel, em 2016. O candidato do PSL foi filiado ao PSC e, apesar de ser católico, tem seu melhor desempenho entre os eleitores que se declaram evangélicos, segundo diferentes pesquisas de intenção de voto.
O PSC disputa duas eleições de governo estadual no segundo turno. No Rio, o ex-juiz Wilson Witzel, que explora a popularidade de Bolsonaro na campanha, enfrenta o ex-prefeito da capital Eduardo Paes (DEM), cujo partido é majoritariamente pró-Bolsonaro, embora tenha liberado seus filiados. 
No Amazonas, Wilson Lima concorre contra o atual governador, Amazonino Mendes (PDT). O PDT aderiu criticamente a Haddad, após a derrota do ex-ministro Ciro Gomes, terceiro colocado na eleição para presidente.
No primeiro turno, o PSC esteve coligado ao Podemos, indicando o economista Paulo Rabello de Castro como candidato a vice-presidente na chapa encabeçada pelo senador Alvaro Dias (PR). 
O Podemos liberou seus filiados para apoiar Bolsonaro ou Haddad, mas Alvaro Dias, nono colocado na eleição presidencial, não declarou voto. Ele rejeita fazer campanha pelo petista.

Neutralidade
Bolsonaro pediu aos políticos do seu partido com os quais esteve reunido na tarde ontem que mantenham neutralidade nas disputas a governador em seus estados, com exceção daqueles em que o PSL está no páreo. “Essa é a missão mais importante. Nas disputas estaduais onde tem candidato nosso, vamos nos empenhar. Nos demais estados, vamos partir para a neutralidade. Afinal de contas, meu objetivo é 17, o nosso número para que possamos mais do que repetir a última votação e garantir a nossa eleição”, afirmou à plateia de partidários e aliados. (AE)
  
 


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