ELEIÇÕES 2018 'Padrinhos não definirão eleição', declara Armando Monteiro Na avaliação dele, o PSB cumpriu um papel importante enquanto esteve sob a liderança do ex-governador Eduardo Campos

Por: Rosália Rangel - Diario de Pernambuco

Publicado em: 05/09/2018 08:20 Atualizado em:

Foto: Thalyta Tavares/Esp. DP
Foto: Thalyta Tavares/Esp. DP
O candidato da coligação Pernambuco Vai Mudar, senador Armando Monteiro (PTB), abriu ontem o segundo dia da série de entrevistas promovida pelo Diario, em parceria com o Politéia, Instituto de Política da Unicap. Durante a sabatina, o petebista fez críticas à atual gestão, apontou soluções para os problemas do estado e apresentou propostas para um futuro governo dele, no caso de ser eleito. Armando disse, por exemplo, que o modelo do PSB, partido do governador e candidato à reeleição, Paulo Câmara, e que comanda o estado há quase 12 anos “está esgotado”.

Na avaliação dele, o PSB cumpriu um papel importante enquanto esteve sob a liderança do ex-governador Eduardo Campos, “mas, infelizmente, com a morte de Eduardo, o que se assistiu foi um partido que não tem mais a força, a liderança e a capacidade de conduzir Pernambuco”. Sobre a influência do ex-presidente Lula (PT) na eleição no estado, Armando frisou que esta campanha não será definida “por padrinhos nem por alinhamentos ocasionais”. Segundo ele, a eleição será uma oportunidade “para se fazer uma discussão aprofundada dos graves problemas de Pernambuco”. 

O senador prometeu chamar para si a responsabilidade com a segurança, repassando para o gabinete do governador a coordenação do setor. “Vamos investir em inteligência, melhorar os índices de elucidação dos homicídios. Vamos implantar as patrulhas rurais e cuidar da prevenção”. 

Armando também demonstrou preocupação com a retomada do crescimento da economia, chamando a atenção, inclusive, para o fato de estados como o Ceará e a Bahia, mesmo com crise instalada no país, terem investido mais que Pernambuco. 

O candidato também prometeu um programa para recuperar a malha viária do estado e investir mais na área da educação, valorizando o professor e cuidando do ensino fundamental, infantil e pré-escolar. 

Aliança com o PT
Em 2002 fizemos uma aliança com o PT. Nessa aliança, me mantive coerentemente com o PT até a eleição de 2006, quando minha aliança com Eduardo Campos se deu no segundo turno. A partir daí, foi feita uma ampla aliança de PT, PSB e PTB. Em 2010, fui eleito senador nesse palanque. Em 2014, Eduardo dissidiu do PT e lançou uma candidatura presidencial própria e  continuei acompanhando o PT. Apoiei a então candidata Dilma Rousseff. Dessa forma, montamos um palanque para ser candidato ao governo em 2014 e depois da eleição fui convocado por Dilma para ser ministro. Hoje, estamos reunindo forças em Pernambuco porque entendemos que esse conjunto do PSB está esgotado. Ele cumpriu um papel importante para Pernambuco, quando havia uma liderança como Eduardo Campos que fez, indiscutivelmente, um governo marcado por grandes realizações. Infelizmente, com a morte de Eduardo, o que se assistiu foi um partido que não tem mais a força, a liderança e capacidade de conduzir Pernambuco a novas conquistas. 

Nova campanha
A vida política é marcada por processos em que você se apresenta para a disputa. Os pernambucanos sabem, por exemplo, que a eleição de 2014 não foi uma eleição normal. Ela foi marcada por um processo de trágica comoção relacionada à morte do então governador. A eleição revestiu-se, portanto, de uma homenagem ao ex-governador e esse caudal de emoção terminou determinando o resultado da eleição. Portanto, não há nada de errado (em 2014). Apresentei-me para a disputa, como é próprio da democracia, e nas disputas a gente ganha ou perde circunstancialmente. Aliás, ao longo da minha vida pública, que não é tão longa, comecei em 1998, foi a primeira derrota que tive. Portanto, isso é absolutamente natural. O importante é a gente não deixar de se apresentar para disputa. Apresento-me e submeto-me, naturalmente, ao julgamento dos pernambucanos.

Influência de Lula 
Acho que não vai influenciar. Esse vai ser o momento, costumo dizer, que nessa eleição vamos homenagear Pernambuco e não homenagear figuras de Pernambuco. Isso se traduz na compreensão de que o debate dessa vez tem que ser marcado por uma discussão dos problemas que afetam Pernambuco. Essa não será uma eleição definida por padrinhos nem por alinhamentos ocasionais. Essa eleição representa uma oportunidade para se fazer uma discussão aprofundada dos graves problemas de Pernambuco. Na segurança, na saúde, na infraestrutura, na questão do emprego, no desenvolvimento econômico. Tenho certeza que os pernambucanos haverão de fazer esse julgamento em função dos problemas de Pernambuco. 

Crime organizado
Essa é uma questão muito mais ampla, que transcende a Pernambuco. As facções são organizações nacionais. Como governador de Pernambuco, a primeira coisa a fazer será uma mudança de atitude do governante. O governante tem que chamar esse problema para si, restabelecer a autoridade pública do governador de Pernambuco. A história recente de Pernambuco mostra que o governador Eduardo Campos foi para a linha de frente. Assumiu o comando desse processo. Articulou o sistema de segurança, mobilizando a sociedade, envolveu as instituições. Isso se traduziu em um modelo de governança que foi o Pacto pela Vida. O que aconteceu nos últimos anos, com o mesmo sistema de segurança, com as mesmas forças policiais? Pernambuco viveu nos últimos três anos um grave retrocesso. Falta comando, firmeza, capacidade de comando, de gestão. O governante que não pode ficar terceirizando a culpa. Não pode ficar transferindo responsabilidades. Dizem que foi a crise que agravou o problema da segurança. Não foi. Estados vizinhos de Pernambuco, como a Paraíba e Alagoas, submetidos ao mesmo processo de crise, no mesmo espaço deprimido que é a Região Nordeste, esses dois estados experimentaram resultados positivos.

Violência
Quero aproveitar a oportunidade para dizer que vou enfrentar essa questão. Vou trazer para o gabinete do governador a coordenação desse processo. Vamos investir em inteligência, vamos melhorar os índices de elucidação dos homicídios, vamos implantar as patrulhas rurais, 35 núcleos de patrulhas rurais no estado e vamos também cuidar da prevenção. Acho que precisamos atuar na prevenção. 

Economia
É preciso que o Brasil retome o crescimento. Pernambuco é a peça de uma grande engrenagem que é a economia do país. A primeira questão é o seguinte: o Brasil tem que retomar o crescimento, mas há muito que o próprio governador pode fazer para ativar a economia, para proporcionar um melhor ambiente para operação das empresas e indústrias. Temos que atuar naquilo que corresponde a esfera do governador em três dimensões: primeiro, retomar os investimentos em obras públicas, recuperando a própria capacidade de investimento do estado. Hoje, Pernambuco investe metade que o Ceará investe. O setor público de Pernambuco investiu no último triênio R$ 3,3 bilhões. O Ceará investiu R$ 6,4 bilhões e a Bahia R$ 7,6 bilhões. São governos de oposição também. Governos petistas. Quando o governador Paulo Câmara diz que a culpa é da perseguição do governo federal, a pergunta que se coloca é como o Ceará e a Bahia, que são governados pelo PT, nesse mesmo período puderam ter mais que o dobro do investimento de Pernambuco?. Mas nós vamos atuar para recuperar a retomada de obras que são importantes e geradoras de emprego para oferecer ao micro e pequeno empreendedor em Pernambuco o melhor ambiente. 

Suape
É um projeto fantástico em que gerações de pernambucanos puderam investir na infraestrutura que foi criada. É um ativo estratégico, mas precisamos ter um compromisso com Suape. Uma gestão profissionalizada. Não colocar Suape na cesta dos acordos políticos de última hora. O governador Paulo Câmara se submeteu, por mero interesse eleitoral, à imposição de um partido que o obrigou a entregar a direção de Suape, a direção do Porto do Recife e a Secretaria de Desenvolvimento Econômico a uma legenda. Vamos implantar uma gestão profissionalizada, recuperar a autonomia de Suape e viabilizar projetos importantes. A exemplo do custo de movimentação de carga em Suape. O complexo só tem um terminal de containers. Estamos submetidos hoje à lógica da falta de concorrência do porto.

Estradas
As estradas de Pernambuco estão em péssimas condições. Vamos ter que sair com um programa forte de recuperação da malha viária. Isso acarreta em custos, cria transtornos graves à vida das pessoas. Agora, o que nos entristece é que ficam dizendo que Pernambuco está pagando as contas em dia. O que não é verdade. Não pagam o pipeiro, não pagam o artista de Pernambuco que fica sem receber o cachê, não repassam o dinheiro da saúde para os municípios. O estado tem um débito de R$ 200 milhões no repasse do Samu; não paga os prestadores de serviço; tem R$ 1,5 bilhão de restos a pagar. Quantas pequenas empresas padecem porque o estado não paga o fornecedor? Então, vamos cuidar das finanças com um olhar sobre a economia de Pernambuco.

Salário do professor
Prometeram dobrar o salário do professor. Paulo Câmara prometeu dobrar o salário do professor. Não vou reproduzir o que considero deplorável, que é a mentira. O que prometo é que, dentro da realidade orçamentária do estado, os ganhos de arrecadação que forem obtidos pela retomada do crescimento nos apontarão a necessidade de valorizar alguns profissionais do setor público, que são essenciais. A educação tem que estar em primeiríssimo lugar e o da segurança também. Mas não vou assumir de maneira nenhuma, de forma irresponsável, aumentar salário para depois estarem dizendo que não cumpri uma promessa. 

O que esperar de um governo de Armando
Um grande empenho para retornar ao crescimento. Sem crescer, nenhum problema tem solução. Recompor investimentos na área social. O Chapéu de Palha é um programa importante e foi diminuído drasticamente. O Mãe Coruja, que é um programa premiado pela ONU, tem um terço do orçamento que tinha em 2014. O programa Atitude, que é tão importante para recuperar os jovens que estão hoje sofrendo com o crack, foi drasticamente reduzido. Quero cuidar da educação fundamental, da educação infantil e da pré-escola. Vejo com preocupação a propaganda falsa na televisão que diz que Pernambuco tem a melhor educação do Brasil. A educação é um conjunto. São os ensinos fundamental e médio. Nos anos iniciais do ensino fundamental, Pernambuco está na vigésima posição do Brasil, confirmada pela Ideb ontem (segunda-feira). Éramos 18º e caímos para 20º. Precisamos investir para melhorar o ensino fundamental, que é decisivo para o itinerário de formação. Precisamos conectar mais o ensino médio com o ensino técnico, para que o jovem possa se inserir no mercado de trabalho. Precisamos de mais tecnólogo para que o conhecimento não fique retido nas universidades, mas que ele possa gerar valor para a economia e para a sociedade. Em suma, temos uma agenda densa e desafiadora, mas sinto que nesse momento Pernambuco precisa mudar.


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