Eleições 2018 Entenda como fica o cenário caso registro de candidatura de Lula seja impugnado Se o petista for julgado culpado, Fernando Haddad terá que tomar as rédeas da campanha eleitoral nos últimos momentos

Por: Mariana Moraes

Publicado em: 31/08/2018 15:17 Atualizado em: 31/08/2018 17:38

O registro de candidatura do ex-presidente foi efetuado no dia 15 deste mês e, desde então, diversas manifestações contrárias foram apresentadas à Justiça. Foto: Juca Varella/Agência Brasil
O registro de candidatura do ex-presidente foi efetuado no dia 15 deste mês e, desde então, diversas manifestações contrárias foram apresentadas à Justiça. Foto: Juca Varella/Agência Brasil

Com a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva podendo ser posta em xeque no Tribunal Superior Eleitoral, nesta sexta-feira (31), paira a dúvida sobre como seguirá as eleições sem o nome que desponta em primeiro lugar nas pesquisas sobre presidenciáveis, caso julgado culpado. Preso em Curitiba, o petista detém, segundo Datamétrica, pelo menos 41% das intenções de votos espontâneos em Pernambuco. Em todo território nacional, Lula continua líder, com 37% dos votantes, de acordo com o IBOPE. 

 

O registro de candidatura do ex-presidente foi efetuado no dia 15 deste mês e, desde então, diversas manifestações contrárias foram apresentadas à Justiça. No total, 16 impugnações contra o petista serão julgadas como um único processo. Entre os principais argumentos utilizados pela oposição estão corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do Triplex. Além disso, pedem que Lula seja afastado das campanhas presidenciais por se enquadrar na lei da Ficha Limpa.

 

Caso o petista seja julgado culpado, e impedido de concorrer ao cargo de presidente, Fernando Haddad, apresentado como vice de Lula no começo deste mês, teria que tomar as rédeas da campanha eleitoral nestes últimos momentos. Já Manuela D´Ávila, também integrante da chapa, assumiria ao pleito de vice-presidente. Um cenário já previsto, mas que não é tão confortável ao Partido dos Trabalhadores, uma vez que, segundo pesquisa IBOPE, quatro em cada 10 eleitores de Lula não votariam em Haddad de jeito nenhum. 

 

Em simulação, divulgada pela Datafolha ainda este mês, o cenário sem Lula é ainda mais preocupante ao PT. Bolsonaro (PSL) lidera absoluto com 22% dos votos, enquanto Haddad não chegaria ao menos ao segundo turno, amargando 4% das intenções, empatado com Álvaro Dias (Podemos). 

 

Porém, mesmo que o resultado desta sexta-feira seja negativo ao ex-presidente, Lula ainda pode recorrer, em até três dias, da decisão. Analisando a estratégia do PT desde o início da corrida presidencial - em manter Fernando Haddad como plano B enquanto insistem na campanha do político preso há quase cinco meses - este parece um cenário crível e deixaria o tempo de campanha do até então vice ainda mais curto.  

 

O Partido dos Trabalhadores tem até o dia 17 de setembro para a troca de candidatos, depois disso terá que escolher um caminho: desistir de Lula ou manter a campanha até os últimos recursos, sempre com a possibilidade de ter sua candidatura barrada e a sigla ficar de fora das eleições.



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