Campanha eleitoral Saiba quais são os pontos fortes e fracos dos candidatos ao Planalto Confira o que os candidatos carregam de bom e de ruim consigo e que vai influenciar na segunda e última etapa da corrida eleitoral, com o início da propaganda gratuita

Por: Correio Braziliense

Publicado em: 31/08/2018 07:56 Atualizado em: 31/08/2018 08:00

(Imagem: Maurenílson Freire/CB/DA Press)
(Imagem: Maurenílson Freire/CB/DA Press)
Passada a primeira fase da campanha eleitoral, alguns cientistas políticos começam a apontar dúvidas a respeito da tradicional polarização entre PT e PSDB. Ao apontar pontos fortes e fracos dos candidatos, a avaliação geral é a de que a campanha chega à tevê aberta com cinco presidenciáveis disputando o desafio de tirar o pé que Jair Bolsonaro (PSL) colocou no segundo turno — o único que, segundo o cientista político Leonardo Barreto, tem um percentual capaz de dar a certeza de que, se a eleição fosse hoje, estaria na final. “Como a eleição é só em 7 de outubro, e Bolsonaro não tem tempo de tevê, vejamos o que acontece”, diz ele.

A outra incógnita é a transferência de votos de Luiz Inácio Lula da Silva para Fernando Haddad. A expectativa geral é a de que o ex-presidente tenha a candidatura impugnada, o que daria a Haddad a condição de candidato a presidente pelo PT, com Manuela D’Ávila (PCdoB) de vice. Embora a legenda tenha certo favoritismo no Nordeste, os especialistas ainda não dão a transferência dos votos como líquida e certa, porque até aqui, quem mais se beneficiou foi Marina Silva (Rede).

Assim, com Bolsonaro sem muito tempo de tevê, e Lula condenado num processo judicial e preso — portanto, a um passo de ser impedido de concorrer —, o horário eleitoral abre espaço para que todos possam, a partir de agora, reforçar seus pontos fortes. Confira, a seguir, como pende a balança de cada postulante, as características positivas e negativas para a segunda fase dessa rápida corrida eleitoral.

Os pontos fortes e fracos de cada candidato

» Alvaro Dias (Podemos)

Forte: tem uma boa performance no Sul do país, em especial, no Paraná, estado sede da força-tarefa da Lava-Jato.
Fraco: vem de um partido pequeno, não terá tempo de tevê, nem grande estrutura de campanha.

» Ciro Gomes (PDT)

Forte: larga bem no Nordeste, em especial, no Ceará, estado onde faz política. O programa de ajuda aos endividados promete dar mais visibilidade à campanha. Jogará para tirar votos de Lula.
Fraco: está espremido entre Marina Silva, que, até aqui, recebe mais votos lulistas, segundo as pesquisas. Por ter um temperamento, às vezes, mais agressivo, causa desconfiança em parcela do eleitorado.

» Geraldo Alckmin (PSDB)

Forte: tem a coligação mais robusta da eleição, o que lhe garante o maior tempo de tevê. Nos maiores colégios eleitorais, como São Paulo e Minas Gerais, o partido dele concorre com dois nomes que hoje lideram as pesquisas para os governos estaduais, respectivamente, João Doria e Antonio Anastasia. Se conseguir transformar essas parcerias e o tempo de tevê em votos, tem todas as probabilidades de chegar ao segundo turno.
Fraco: as denúncias que envolveram o ex-presidente do partido Aécio Neves e as dificuldades em colocar os partidos da coligação de corpo e alma na busca de votos capazes de levá-lo ao segundo turno.

» Guilherme Boulos (PSol)

Forte: se apresenta como um candidato ligado aos movimentos sociais, o que lhe dá um nicho de poder.
Fraco: termina espremido não só pelo PT, como pelo PDT, de Ciro Gomes, e pela Rede, de Marina Silva. Tampouco tem um tempo de tevê expressivo.

» Henrique Meirelles (MDB)

Forte: a própria biografia de resolvedor de crises econômicas e um partido presente em todo o território nacional.
Fraco: as denúncias que derrubaram a popularidade do presidente Michel Temer e a prisão de emedebistas, como Geddel Vieira Lima e Eduardo Cunha, mancharam a legenda. Para completar, Meirelles não conseguiu engajar a estrutura partidária na sua campanha. Em Alagoas, por exemplo, o MDB apoia o PT. No Ceará, idem.

» Jair Bolsonaro (PSL)

Forte: é espontâneo no discurso e começou a percorrer o país há mais de um ano em pré-campanha, o que lhe rende hoje, segundo especialistas, a posição de líder da disputa na ausência de Lula. A estratégia será atacar todos os adversários e se apresentar como o “novo” 
na política.
Fraco: não conta com uma estrutura partidária forte, tem dificuldades em detalhar seu programa de governo e costuma se mostrar agressivo quando alguém discorda das suas posições. Também não possui palanques fortes nos estados, embora tenha lançado o maior número de candidatos a deputado.

» João Amoêdo (Novo)

Forte: montou um novo partido e não buscou coligações com as legendas existentes. É o candidato mais rico e tem apoio no grande empresariado.
Fraco: não tem tempo de tevê nem 
palanques fortes nos estados ou infraestrutura de campanha.

» Lula

Forte: é considerado o maior líder popular do país, o que pode render uma transferência de votos ao candidato a vice, Fernando Haddad. É favorito no Norte e no Nordeste e tem como cartão de visitas os oito anos de governo bem avaliados pela população.
Fraco: foi abatido pela Lava-Jato, que já lhe rendeu uma condenação em segunda instância e ainda uma série de processos. Conforme a Lei da Ficha Limpa, a decisão da Justiça pode resultar na impugnação da candidatura. Os erros do governo Dilma Rousseff também deixam no colo do PT a crise econômica atual.


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