Eleições No Recife, Deltan Dallagnol diz que 'sistema corrupto' quer reagir Coordenador da força-tarefa do Ministério Público Federal na Lava-Jato também nega que entidade tenha agido de forma seletiva durante as investigações

Por: Aline Moura - Diario de Pernambuco

Publicado em: 28/08/2018 07:01 Atualizado em:

Procurador veio a Pernambuco participar de um evento com representantes de instituições públicas e privadas para discutir instrumentos de combate à corrupção Foto: Ascom/Ministério Público Federal
Procurador veio a Pernambuco participar de um evento com representantes de instituições públicas e privadas para discutir instrumentos de combate à corrupção Foto: Ascom/Ministério Público Federal

 

O coordenador da força-tarefa do Ministério Público Federal na Operação Lava-Jato, o procurador da República Deltan Dallagnol disse, ontem, em passagem pelo Recife, temer que a Lava-Jato tenha o mesmo destino da Operação Mãos Limpas, na Itália, que perdeu força quando o “sistema corrupto” reagiu e criou “narrativas” para ganhar aderência junto à população. Dallagnol lembrou que, durante as investigações, no país italiano, na década de 1990, o Ministério Público e Justiça sofreram tantos ataques que houve retrocessos no combate à corrupção por lá.

Indagado se, ao fazer a comparação da Lava-Jato com a Operação Mãos Limpas, tinha essa preocupação, Deltan Dallagnol admitiu que sim. “Temos uma grande preocupação com o que vai acontecer depois das eleições. Porque vão ter pessoas que vão perder o foro privilegiado e aquelas que serão reeleitas. Existe o risco de, nos próximos quatro anos, serem aprovadas anistias, leis para minar as bases das investigações, como aconteceu na Itália. Existe uma grande aprovação à Lava-Jato, mas existe uma reação do sistema corrupto. Lá, na Itália, eles aprovaram leis para esvaziar as investigações contra a corrupção”, declarou. “Lá na Itália, é mais difícil combater a corrupção do que antes. Acabaram retrocedendo. Essa é a nossa grande preocupação”.

Em entrevista, Dallagnol disse que o tema da corrupção, até agora, está sendo discutido na perspectiva da “moralidade, de falas vazias, cheias de pompa e sem conteúdo”. “Muitas pessoas falam que vão acabar com a corrupção, mas não falam sobre coisas concretas. É importante que estejamos atentos a isso. Nós, nos últimos anos, tivemos uma série de ataques à operação. Como se posicionaram (esses candidatos) com relação às dez medidas contra a corrupção? Como se posicionaram no julgamento do Conselho de Ética no caso de Eduardo Cunha? Tudo isso é uma avaliação que cabe ao eleitor fazer”, disse.

Indagado porque não havia nenhum cacique do PSDB preso, o que ressente a militância do PT e ajuda a dividir o país sobre a Lava-Jato, ele respondeu: “O que aconteceu foi que o Supremo Tribunal Federal passou a fatiar a Lava-Jato, retirou investigações que não diziam respeito à Petrobras de Curitiba. E várias investigações contra pessoas do PSDB estão tramitando contra pessoas com foro privilegiado. Se a sociedade brasileira quer que essas pessoas sejam investigadas de modo célere, o caminho mais curto é que essas pessoas não sejam eleitas, possam perder o foro e responder como todos os mortais”.

Dallagnol veio a Pernambuco participar de um evento com representantes de instituições públicas e privadas para discutir instrumentos de combate à corrupção. O procurador regional eleitoral auxiliar em Pernambuco Adilson do Amaral Filho falou sobre a campanha “Pelejando por uma eleição mais justa”. Esta última é uma iniciativa do Ministério Público Eleitoral de Pernambuco (MPE).



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