ELEIÇÕES 2018 Agência de publicidade é acusada de propaganda irregular pró-PT Jornalista Paula Holanda confirmou ter feito comentários a pedido da agência digital mineira Lajoy

Por: AE

Por: Diario de Pernambuco

Publicado em: 27/08/2018 09:24 Atualizado em: 27/08/2018 13:39

Foto: Creative Commons
Foto: Creative Commons
Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, a jornalista e influenciadora digital Paula Holanda confirmou ter feito comentários positivos sobre a senadora Gleise Hoffman (PT) e Luiz Marinho (PT) a pedido da agência digital mineira Lajoy. 

Após os comentários, Paula teria recebido uma terceira demanda, desta vez sobre o governador do Piauí, o petista Wellington Dias. A partir daí afirmou ter percebido, então, que não estava atuando sobre as pautas de esquerda em geral, e sim sobre candidaturas particulares do partido. 

A jornalista disse em seu Twitter que foi procurada por uma representante da Lajoy. Paula publicou suposto briefing em que uma pessoa chamada Isabella Bomtempo, da agência, convidou-a para participar de ação "de militância política para a esquerda" e não de cunho partidário. No trecho divulgado por Paula não havia menção a pagamentos. Ela aceitou participar.

"A primeira pauta foi sobre a Gleisi Hoffmann. Acompanhei o caso dela e ele ilustra bem a perseguição partidária, bem como a prisão do Lula, que foi, sim, de cunho político. Me pareceu uma pauta muito justa, então eu fiz o tuíte sem resistência."

Em outro tuíte, ela disse: "A segunda pauta foi sobre o Luiz Marinho. Parte da minha família mora em São Paulo, então a agenda paulista me interessa". Mas, na terceira vez, Paula desconfiou que o cliente seria o partido e a ação seria dissimulada e se recusou. "Minha desconfiança explodiu hoje, na terceira pauta, sobre o governador petista do Piauí, Wellington Dias."

De acordo com a Folha de S.Paulo, a dona da Agência Lajoy, Joyce Moreira Falete Mota, afirmou ter sido contratada para os meses de junho e julho por uma empresa chamada Be Connected. Segundo ela, "para dar consultoria a jovens profissionais tecnológicos e digitais de esquerda ema aptos a construir e sugerir a melhor tática (conteúdo: posts, memes e gifs) de apresentar a proposta para quando chegasse o período eleitoral. Não havendo nenhuma contratação para minha empresa neste período." 

Joyce passou o contato da empresa Be Connected, que seria responsável. Procurado, o dono da Be Connected e assessor parlamentar do deputado Miguel Corrêa (PT-MG) disse que sua empresa repudia "a compra de apoio e fake news".

O PT nacional ainda não se pronunciou sobre o caso até o encerramento da reportagem. 

Segundo resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), "é vedada a veiculação de qualquer tipo de propaganda eleitoral paga na internet, excetuado o impulsionamento de conteúdos, desde que identificado como tal e contratado exclusivamente por partidos, coligações e candidatos e seus representantes". O desrespeito à regra pode levar a imposição de multa de até R$ 30 mil. 

Caso Dias 

A partir da denúncia, postagens de outros influenciadores digitais foram expostas nas redes - vários deles com comentários elogiosos a Dias. Imediatamente, as postagens se transformaram em motivo de piada - principalmente pelo fato de muitos deles nunca terem visitado o Piauí. Um influenciador digital, que pediu para não se identificar, recebeu uma mensagem parecida com a de Paula. Mas, neste caso, a agência deixava claro que a ação era pró-PT e haveria pagamento de "R$ 1.500 por mês por entrega de um conteúdo por dia".

A campanha de Dias negou ser responsável pela ação. "As postagens são espontâneas. Não conhecemos a empresa responsável nem fomos informados ou sondados sobre a tal ação". 


Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.