Declaração Bolsonaro acusa o Ministério Público do Trabalho de obstruir economia Candidato do PSL à Presidência afirma, no interior paulista, que atuação de procuradores do Trabalho impede o país de "ir para frente"

Por: Correio Braziliense

Publicado em: 26/08/2018 15:18 Atualizado em:

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Em mais uma declaração controversa, o deputado Jair Bolsonaro, candidato do PSL à Presidência da República, atacou a atuação do Ministério Público do Trabalho (MPT). Durante uma entrevista concedida ontem à TV Tem, em São José do Rio Preto (SP), o parlamentar disse que o órgão é um entrave para o crescimento do país. Também falou sobre a reforma da Previdência, e disse que, se for eleito, vai realizar mudanças graduais na aposentadoria, começando por servidores públicos.

Bolsonaro criticou o MPT usando como referência uma conversa que teve com o dono de uma propriedade rural da cidade vizinha de Catanduva (SP).  “Conversei com um piscicultor agora há pouco aqui sobre as dificuldades, imposto, energia cara e licença ambiental. Um país que tem um Ministério Público do Trabalho atrapalhando não tem como ir para frente”, completou.

Ao longo do dia, o candidato do PSL percorreu áreas rurais e conversou com produtores. Ele faz campanha no interior do estado há quatro dias e ontem se dedicou a visitar fazendas. Afirmou que é necessário desburocratizar o processo para conseguir licenças e na contratação de trabalhadores.  “O maior incentivo que a gente pode dar ao setor produtivo é tirar o Estado do cangote do produtor”, afirmou.

Em seguida, ele repetiu assuntos que já tinham sido abordados anteriormente. O candidato afirmou que, se eleito, vai incentivar o armamento da população, para que os cidadãos “reajam à criminalidade”. Disse também que vai criminalizar as invasões de terra, classificando-as como “terrorismo”.

Com relação a mudanças nas regras do INSS, ele disse que o aumento da idade mínima para homens e mulheres se aposentarem deve ser realizado gradualmente, a cada nova gestão de governo, e que os servidores públicos devem ser os primeiros atingidos pelas as alterações.

Elton Duarte Batalha, professor de direito do trabalho da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo, criticou as afirmações de Bolsonaro quanto ao Ministério Público do Trabalho. “O MPT defende os interesses sociais e individuais dos trabalhadores. É evidente que a instituição é uma coisa e as pessoas que a compõem são outras. Se ocorrer algum abuso por parte de procuradores do trabalho, existem maneiras jurídicas para corrigir isso. Mas o trabalho do órgão é fiscalizar se os empregadores estão cumprindo as leis trabalhistas e intermediar uma solução, ou apresentar denúncia em caso de violações”, afirmou.

Greve de fome é encerrada

Oito manifestantes encerraram ontem uma greve de fome que durou 26 dias em apoio à liberdade do ex-presidente Lula, preso em Curitiba. Integrantes do Movimento dos Sem Terra (MST) e demais apoiadores receberam soro por via intravenosa. Fragilizados, em cadeiras de rodas, os integrantes do movimento realizaram uma cerimônia de encerramento no Centro Cultural de Brasília (CCB). De acordo com os manifestantes, o fim desta modalidade de protesto ocorreu para evitar problemas de saúde dos participantes.

Campanha de Ciro em SP


O candidato do PDT, Ciro Gomes, faz campanha em São Paulo neste fim de semana. Ontem, participou de um evento com militância das redes sociais, em que defendeu o controle estatal da Petrobras. Disse que o país pode vir a ter a maior reserva de petróleo do mundo. Ciro também discursou sobre a importância do agronegócio no superavit da balança comercial — bandeira levantada pela vice na chapa Kátia Abreu, ex-ministra da Agricultura. Com pouco tempo de propaganda em rádio e televisão, o presidenciável disse que busca os indecisos. Ele criticou o PT por manter a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso em Curitiba.

Marina busca voto feminino

Mirando os votos das mulheres, a candidata Marina Silva participou de um encontro com a militância feminina em Mauá, na região do ABC Paulista. Essa foi a primeira agenda de rua da candidata na campanha. Hoje, ela também participará de um encontro com mulheres no Capão Redondo, zona sul da capital paulista.

Para tentar atrair mais votos, a candidata da Rede informou que, se eleita, vai se cercar por pessoas honestas, e se comprometeu a fazer uma campanha limpa.  “Não fico preocupada em escolher meus rivais, me preocupo em escolher quem são meus aliados. E eu já fiz minha escolha: meus aliados são os homens, mulheres, jovens e empresários de bem. Tenho certeza de que escolhi sem a velha mania de querer substituir a população pelo centrão”, declarou a candidata.

O alvo das declarações foi o candidato Geraldo Alckmin (PSDB), que fez alianças com o centrão. 

Alckmin quer reforma política

Em campanha por Ribeirão Preto (SP), o candidato Geraldo Alckmin (PSDB) afirmou que, se eleito, vai apoiar a reforma política, com redução no número de partidos, para permitir melhor governabilidade do país. “Defendo que se deve apresentar a reforma política já em janeiro. Temos que ter uma cláusula de barreira. Na próxima eleição, já não vai ter coligação proporcional. Isso deve reduzir a atividade de partidos de 35 para 15”, afirmou. Alckmin integra a maior coligação entre os candidatos a presidente. Ao todo, ele é apoiado por nove siglas, sendo elas PSDB, PP, PTB, PSD, SD, PRB, DEM, PPS, PR. Isso fez com que ele conquistasse o maior tempo de tevê no horário eleitoral gratuito, contando com 5 minutos e 32 segundos por dia.   


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