Entrevista "Para combater o crime, a ideia é criar o presídio-trabalho", diz Lóssio Candidato falou na Rádio Clube AM/FM sobre hospitais, saneamentos, legalização da maconha, entre outras agendas

Por: Jailson da Paz

Publicado em: 23/08/2018 09:02 Atualizado em: 23/08/2018 09:35

Foto: Rede/Divulgação (Foto: Rede/Divulgação)
Foto: Rede/Divulgação
Duas vezes prefeito de Petrolina, o candidato ao governo do estado Julio Lóssio (Rede) disse ontem, em entrevista a Rádio Clube AM/FM que Pernambuco precisa cuidar melhor de suas fronteiras. Para fazer isso, se eleito, ele criaria uma polícia rodoviária estadual. À corporação, caberia o combate ao tráfico de drogas e de armas nas estradas sob jurisdição do estado que se limitam com Alagoas, Bahia, Piauí, Ceará e Paraíba. A proposta vem da constatação do crescimento da insegurança nas pequenas cidades das fronteiras. Além do combate ao tráfico, a polícia rodoviária fiscalizaria o tráfego das motos. Veículos esses, segundo o candidato, relacionados a aspectos que requerem ações urgentes. Um deles os acidentes de trânsito com os motociclistas, cujos gastos na rede hospitalar do estado são de cerca de R$ 600 milhões por ano. Outro, ligado à regulamentação dos mototáxis. Para Lóssio, que defende a municipalização de serviços e investimentos no emprego tecnológico, não se pode fingir que o transporte de passageiros por moto não existe. O candidato foi o terceiro a participar da série de entrevistas do Programa do Bocão, concedidas das 7h30 às 8h30. A entrevistada de hoje será Simone Fontana (PSTU).

Entrevista  Julio Lóssio 

JUVENTUDE
Comparo a questão da violência com a da paralisia infantil. Quando chegou a paralisia, o mundo tinha dois caminhos a seguir: ou comprava mais cadeira de rodas, que por analogia seria a viatura da polícia, ou invista em mais médicos, o policial, ou criava uma vacina. O mundo sabiamente resolveu criar a vacina. E o Pacto pela Vida, em Pernambuco, falhou quando pensou apenas na cadeira de rodas e no médico. Esqueceu da base. Temos hoje 150 mil crianças matriculadas em cada ano do Ensino Fundamental, mas no Ensino Médio só se formam 90 mil crianças. Sessenta mil crianças e jovens, todo ano, saem do sistema de educação. Quem for aos presídios vai perceber que mais de 70% não conseguirá concluir nem sequer o Ensino Fundamental. Então, uma medida é proteger nossos jovens e crianças.

SECRETÁRIO
O próximo secretário de Segurança de Pernambuco, no governo Julio Lóssio, não virá de outras forças. Não precisa importar gente. Nada contra. Mas quero um secretário que tenha crescido dentro da nossa polícia, que conheça o Sertão, Agreste, a Zoda da Mata, a Região Metropolitana, o Recife, que têm realidades diferentes. Temos homens na Polícia Militar, na Polícia Civil, no Corpo de Bombeiros muito capacitados. Tenho conversado com muitos deles, que tem contribuído para o nosso programa de governo.

FRONTEIRAS
Estive com Julio Jacobo, um homem que estuda a questão da Segurança Pública há muitos anos, e o estudo que ele faz diz que as cidades pequenas não são mais seguras como antigamente, sobretudo as cidades de fronteira. Pernambuco tem uma posição estratégica na região, mas uma fronteira com muitos estados. É o caminho de drogas e armas. Por isso, vamos pegar o Batalhão Rodoviário e transformar na Polícia Rodoviária Estadual, pois a Polícia Rodoviária Federal atua somente nas BRs. A missão número um dela será combater o tráfico de drogas e de armas. E a missão número dois, combater os acidentes.

TRABALHO
Para combater o crime, temos a ideia de criar o presídio-trabalho. A ideia é criar três unidades, respeitando a vocação de cada lugar. Um no Sertão do São Francisco, onde o indivíduo vai aprender a mexer com uva e manga. Um no Agreste, o presídio da confecção. Sabe quanto ganha uma pessoa que trabalha com a máquina de costura no polo da confecção? Outro, o presídio-indústria, para produzir mobiliário escolar. Gastamos fortuna com isso, no estado e municípios, portanto, temos um mercado gigante. Logicamente que vamos respeitar as vocações, pois há sempre alguém querendo fazer outra coisa. Quando eu falo fazer o presídio não falo em construir prédios. Vamos viabilizar isso, seja no presídio, seja na empresa privada, contanto que o homem aprenda alguma coisa.

MACONHA
Temos que repensar a questão da maconha. O Brasil é um case de sucesso no combate ao tabagismo. Conseguimos reduzir o número de fumantes sem proibir o cigarro, mas educando. Acho que devemos pensar nisso, pois gastamos muito com a questão da maconha e não temos resolvido o problema.

SUAPE
Os nossos candidatos (ao governo do estado) estão muito concentrados na questão de Suape, discutindo se estadualiza ou não estadualiza. É uma questão de retórica. O que se tem que fazer é juntar o governo estadual, o governo federal e a iniciativa privada em uma cogestão. Muita gente quer Suape de volta para o estado. Não para melhorar Suape, mas para entregar a grupos políticos, como fizeram agora com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, entregando ao PP.

INOVAÇÃO
Temos que olhar para o novo emprego. E o novo emprego está na inovação. Temos no Recife o Porto Digital, que é de excelência, e, ao lado dele, o Polo Médico, o primeiro do Nordeste, mas não temos conexões entre os dois. Precisamos aproximar esses polos, criar uma sinergia, levar o Porto Digital a se conectar também com o Polo de Confecções, no Agreste. Levar o Porto Digital para o Vale do São Francisco, conectando com a agricultura irrigada. Não podemos mais ficar esperando apenas pelo dinheiro do governo federal. Emprego da mão de obra, que gerou muitas vagas em Ipojuca, diminuiu com a crise do sistema público, que era o grande gerador de empregos com as grandes obras.

HOSPITAIS
O modelo de saúde desenhado, para o Brasil e para Pernambuco, foi “hospitalocêntrico”. Só se pensou em hospital. O governo Eduardo se articulou com Lula e construiu alguns hospitais. Foi importante. O que precisamos é sair um pouco desse modelo. Pernambuco gasta mais de R$ 100 milhões na rede hospitalar por mês. Problema número um: esse dinheiro está concentrado numa instituição, que é séria, mas que tem o seu mentor sentado ao lado do governador. Não dá certo esse negócio. Isso pode não ser ilegal, mas moralmente é questionável. Segundo, gastamos muito com coisas preveníveis. A maior despesa dos hospitais em Pernambuco é acidente de moto. No ano passado, o estado gastou R$ 600 milhões em acidentes de moto. Se colocar junto a atividade pré-hospitalar, que é o Samu e o resgate, e a atividade pós- hospitalar, que é a reabilitação, a cifra chega a R$ 1 bilhão. Com diabetes, hipertensão e câncer, gastamos R$ 400 milhões.

MOTOTÁXI
Defendo a regulamentação dos serviços de mototáxi. Recife tem mototáxi, mas não é regulamentado. A prefeitura faz de conta que não existe. Existe e precisa ser regulamentado para se ter controle. Defendo a isenção de ICMS e do IPVA do mototáxi, para atrai-lo para dentro do sistema, pois, em um ano, o valor das isenções é compensado pelos tributos arrecadados com o consumo de combustíveis. Mas, além disso, precisamos limitar a velocidade das motos nas áreas urbanas. A lei já fala em 60 km/h em algumas vias, o que não é cumprido. Temos que colocar tacógrafo nas motos para fiscalizar.

SANEAMENTO
Não penso diferente estando dentro ou fora do governo. O grupo do senador Fernando Bezerra Coelho era a favor da municipalização do saneamento. Quando eu era prefeito, eles eram contra. Agora estão na prefeitura e são a favor. Eu defendo a municipalização dos serviços que possam ser municipalizados e os municípios acharem que podem fazer essa municipalização. Em Petrolina, o cara fica olhando para o rio, vê a água na porta dele e não entende porque não chega a água na casa dele.


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