Eleições Guilherme Boulos diz que Paulo Câmara não fez um bom governo Presidenciável do PSol esteve no Recife, nesta quarta-feira, onde participou de encontros fechados, agendas de rua e de um comício. Ele também fez críticas a Jair Bolsonaro e disse que desafio do Psol é pregar para os que ainda não são militantes.

Por: Aline Moura - Diario de Pernambuco

Publicado em: 22/08/2018 20:39 Atualizado em: 22/08/2018 21:25

Foto: divulgação/PSol
Foto: divulgação/PSol

 

O candidato do PSol a Presidência da República, Guilherme Boulos, fez críticas ao deputado federal Jair Bolsonaro (PSL) e ao governador Paulo Câmara (PSB), após um ato político realizado no Movimento dos Trabalhadores Cristãos, na Boa Vista, Zona Central do Recife. Segundo Boulos, Bolsonaro “joga com o medo das pessoas”, mas começa a ter a estratégia política “desmontada”. Boulos disse ainda, em visita à capital, que lhe chamou a atenção, no momento político, o fato de o governador mover “mundos e fundos para se eleger” e, ainda assim, não estar fazendo uma gestão popular. “Ele não fez um governo voltado para os mais pobres e construiu uma aliança muito questionável, tirando a Marília Arraes (PT) do pleito estadual”.

Guilherme Boulos falou em entrevista exclusiva ao Diario de Pernambuco, durante oito minutos, porque já se preparava para seguir para a próxima agenda. Ele participou do primeiro comício realizado no estado nesse período eleitoral, no Pátio do Carmo, tradicional reduto de eventos petistas. O psolista cumpriu uma extensa agenda no estado, tanto com a militância, em locais abertos e públicos, como em entrevistas à imprensa.

Boulos é coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). Ele também falou sobre as três prioridades do plano de governo do Psol para o Nordeste e sobre o desafio de conquistar a simpatia de novos eleitores.


Veja a entrevista completa abaixo.

Candidato, qual a pauta do senhor para o Nordeste?

Nós temos uma agenda muito expressiva e ousada para o Nordeste do Brasil, que tem três pontos. Primeiro, em relação ao desemprego. O Nordeste é uma região que mais aumentou o desemprego do país e onde está tendo muito desinvestimento. Nós vamos criar o programa Levanta Brasil, com prioridade para a região do Nordeste, que vai gerar seis milhões de empregos nos primeiros dois anos de governo e vai atender a duas necessidades do povo de uma vez só. Vamos construir escolas, hospitais, creches, obras de mobilidade urbana e saneamento básico. Com isso, nós vamos gerar emprego e renda para os trabalhadores, emprego com renda formal, e ao mesmo tempo vamos atender aos direitos, melhorando os serviços públicos. O programa Levanta Brasil para tirar o país do buraco, para tirar o país da crise. Uma segunda medida vai ser atuar na questão do semiárido. Aqui a seca ainda é um problema grave para milhões de pessoas para a região do Nordeste. Vamos retomar com muita força o programa de cisternas, cisternas de cimento, de concreto, para poder resolver o problema da água de milhares de famílias que ainda têm essa dificuldade e que, em época de eleição, vê políticos de forma oportunista, usando a água como moeda de troca para voto. Nós vamos resolver esse problema criando um programa amplo. De cisternas que vai zerar o déficit de cisternas da região. E por último, a questão da segurança pública. O Nordeste é a região, nas grandes capitais nordestinas, que aumentou mais o índice de violência e homicídio no Brasil, saiu o Atlas da Violência no mês passado e mostrou isso. Vamos fazer uma política pública diferente. O que tem sido feito aqui é só investimento em repressão em arma, em cadeia, é tiro, porrada e bomba. Se a gente olhar em volta, a gente vai ver que não resolveu. Esse não é o caminho. Vamos investir em prevenção e inteligência, prevenção dando oportunidade em escola, para não construir presídio. Investindo efetivamente na oportunidade do primeiro emprego e não da primeira cadeia ou da primeira arma para o jovem. Queremos investir em inteligência para combater o tráfico de armas e munições e o crime organizado de verdade. Vamos falar um português claro, quem está nos ouvindo sabe disso. O crime organizado está muito mais perto lá de Brasília, da Praça dos Três Poderes, do que de qualquer favela.

Qual o balanço que o senhor faz da visita a Pernambuco, o que te chamou a atenção na política do estado nesse momento?

Eu fui muito bem acolhido em Pernambuco. Evidentemente, não estou aqui pela primeira vez, não venho aqui só em época da eleição, venho aqui desde muito cedo. Tenho família, minha mãe é nordestina, tenho família aqui em Recife, tenho família em outras partes do Nordeste e venho aqui desde muito tempo, o povo nordestino é um povo solidário, acolhedor, mas também é um povo que está muito indignado. Eu tenho visto isso andando pelas ruas, indignado com a situação, com uma política que está sendo feita contra o povo, com o governo mais impopular da nossa história e que está disposto a se abrir para a mudança. Agora, em relação à política aqui do estado, nós temos visto muito o governador Paulo Câmara movendo mundos e fundos para tentar se reeleger, o caminho não é esse. Paulo Câmara não fez um bom governo, não fez um governo voltado para os mais pobres, construiu uma aliança muito questionável, tirando a Marília Arraes do pleito... Então, a minha candidata em Pernambuco é a Dani Portela (Psol).

O senhor falou muito essa questão da nova política, mais ao mesmo tempo você tem uma simpatia pelo ex-presidente Lula, tem uma relação de proximidade com ele. O senhor acha que o presidente fez essa nova política? Não é uma contradição do seu discurso esse ponto?

Eu sou candidato à Presidência da República pelo Psol. E que é um partido que tem a sua coerência e expressa a nova forma de fazer política nessa aliança com os movimentos sociais. Em relação ao presidente Lula, temos uma relação muito clara contra a perseguição política. Você ter diferença política não pode ser conivente com injustiça. Olha o que está acontecendo. Lula está preso em Curitiba sem nenhuma prova. Enquanto isso, o Temer está governando o Brasil cheio de provas. Até com mala do braço direito dele filmada no meio da calçada, com ele no meio do Palácio comprando o silêncio de Eduardo Cunha. Aécio Neves está lá no Senado Federal com um monte de provas. Ele disse que ia matar o primo antes de delatar. Foi pego com a boca na botija na gravação e está fazendo lei no Senado. O que não aceitamos é injustiça.

O que o senhor acha da posição de Bolsonaro nas pesquisas, o fato de ele estar liderando as pesquisas num quando onde Lula não é candidato. Preocupa o senhor?

Olha, o Bolsonaro ele joga com o medo das pessoas. Há um clima muito grande de insegurança no Brasil, um clima em que as pessoas estão com medo da violência, medo do desemprego, estão com medo do amanhã, medo do futuro, com falta de perspectiva e o Bolsonaro explora politicamente esse medo, explora a onda que tenta crescer. Mas começou a ser desmontada. Nós, no debate, quando expressamos o que Bolsonaro representa, exemplificado no caso da Valma, o funcionário que ele mantinha no seu gabinete em Angra dos Reis para cuidar de questões particulares dele, uma das casas e os imóveis que adquiriu na política, comprou cinco imóveis e aprovou dois projetos, tem mais imóvel do que projeto. Bolsonaro que se diz alguém de fora, que representa algo novo, ele sim é a política mais velha e atrasada do Brasil. Isso vai ficar claro quando começar o processo eleitoral de verdade.

Houve um ponto no seu discurso que me chamou a atenção. O senhor falou do desafio de pregar para os “não convertidos”, ou seja, passar a mensagem do Psol para quem não é militante do Psol. Dani também conversou sobre isso no Roda Viva de Pernambuco. Como vocês vão vencer esse desafio, quando as pautas do Psol são tão polêmicas, como a descriminalização do aborto...

As pautas do Psol são altamente populares. Impopular é o governo Temer. A gente defende a igualdade de oportunidade para todos. A maioria do povo brasileiro defende isso. A gente defende enfrentar privilégios, não dá para ter gente, que todo fim de mês escolhe em pagar o aluguel e botar comida na mesa e juiz, desembargador, promotor, recebendo quatro mil reais de auxílio-moradia, tendo casa. Isso é um privilégio e vamos enfrentar. A gente defende mais participação popular e mais democracia. Essas propostas são amplamente apoiadas pelo povo brasileiro. Se a gente conseguir durante essa campanha e é isso que eu dizia no discurso... se a gente tiver a oportunidade de dialogar com as pessoas, esse nosso discurso chegar nas pessoas, não vai chegar como eles, com campanhas milionárias, vai chegar como eles com muito tempo na televisão, você sabe que nós temos. Aqui, as pessoas estão dispostas a fazer campanha pelo que acreditam e não por receber dinheiro. Então, essas propostas chegando nas mãos do povo brasileiro, vamos crescer e muito



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