Ex-presidente Lula pede voto para Dilma e diz que vai beber cachaça mineira ao sair da prisão Impedido pela Justiça de dar entrevistas, o ex-presidente vem se manifestando por cartas

Por: Estado de Minas

Por: Juliana Cipriani -

Publicado em: 21/08/2018 21:10 Atualizado em:

Foto: Ricardo Stuckert
Foto: Ricardo Stuckert
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que, se pudesse, estaria em Minas Gerais fazendo campanha pela reeleição do governador Fernando Pimentel e para que a ex-presidente Dilma Rousseff seja eleita senadora pelo estado. O petista se manifestou sobre o pleito em carta à rádio Itatiaia divulgada na manhã desta terça-feira (21).

Impedido pela Justiça de dar entrevistas, o ex-presidente vem se manifestando por cartas. O petista está preso pela condenação no caso do Triplex no Guarujá desde o dia 7 de abril, na sede da Polícia Federal.

No relato, Lula diz que os mesmos que “deram o golpe no povo brasileiro” e lhe condenaram e prenderam “sem nenhuma prova” hoje tentam impedir a reeleição de Pimentel e inviabilizar a gestão do petista em Minas Gerais. 

Sabotagem e tropeiro
“São os mesmos que deixaram Minas Gerais com uma dívida do tamanho que tinha a Serra do Curral antes de ser comida pela mineração. São os mesmos que tentaram impedir a candidatura do Pimentel à reeleição, e que tentaram o tempo todo inviabilizar o governo dele, chegando inclusive a sabotar a renegociação da imensa dívida que eles criaram”, disse. 

Segundo Lula, mesmo com as adversidades, Pimentel segue governando para todos os mineiros.

Na carta endereçada à jornalista Edilene Lopes, Lula diz que, se pudesse, estaria em Minas “ comendo um bom prato de feijão tropeiro e ouvindo aqueles causos que só o povo mineiro sabe contar”. “O Haddad e eu, com toda certeza, estaríamos também pedindo votos para reeleger o Pimentel governador e dar à Dilma uma votação histórica para o Senado”, afirma.

Escondidinho e cachaça
O petista também se refere à candidatura do senador Aécio Neves (PSDB) a deputado federal, que chamou de “escondidinho de tucano”. Segundo Lula, a opção de não tentar a reeleição foi para “não perder de novo para a Dilma”.

Lula finaliza a carta dizendo estar exilado em Curitiba e que, quando a democracia for restaurada, estará de volta a Minas Gerais comemorando a vitória “tomando uma boa salinas, porque afinal ninguém é de ferro”. 

Leia a íntegra da carta à rádio Itatiaia:
Se eu pudesse estaria aí com vocês agora, comendo um bom prato de feijão tropeiro e ouvindo aqueles causos que só o povo mineiro sabe contar. Isto nas horas vagas, porque no resto do tempo eu e o Fernando Haddad estaríamos percorrendo esse estado, fazendo campanha para presidente e vice-presidente da República, porque é preciso e porque nós queremos colocar o Brasil outra vez nos trilhos do crescimento econômico com justiça social. E o Haddad e eu, com toda certeza, estaríamos também pedindo votos para reeleger o Pimentel governador e dar à Dilma uma votação histórica para o Senado. 

Mas infelizmente eu não posso estar aí com vocês, porque aqueles que deram o golpe no povo brasileiro e derrubaram a primeira presidenta do Brasil, sem crime de responsabilidade, são os mesmos que me condenaram e me prenderam sem nenhuma prova de qualquer crime cometido. São os mesmos que deixaram Minas Gerais com uma dívida do tamanho que tinha a Serra do Curral antes de ser comida pela mineração. 

São os mesmos que tentaram impedir a candidatura do Pimentel à reeleição, e que tentaram o tempo todo inviabilizar o governo dele, chegando inclusive a sabotar a renegociação da imensa dívida que eles criaram. E mesmo assim o Pimentel governou, e segue governando para todos os mineiros, principalmente para aqueles que mais necessitam. 

E a vergonha dos nossos adversários é tanta que o candidato deles, o mesmo que não soube aceitar a derrota na eleição presidencial de 2014, achou mais prudente se esconder atrás de uma candidatura a deputado federal pra não perder de novo pra Dilma, dessa vez na disputa ao Senado. Foi assim que eles inventaram o mais novo prato da culinária mineira, indigesto e difícil de engolir: o escondidinho de tucano.

Meus queridos e minhas queridas ouvintes da Itatiaia, minha cara Edilene, a quem darei uma entrevista exclusiva tão logo a democracia seja restaurada no nosso país. Preso injustamente em Curitiba, exilado do povo brasileiro, faço aqui uma promessa. Mais cedo do que temem meus adversários, estarei de volta a Minas e ao convívio com o povo mineiro e com o povo brasileiro, comemorando a nossa vitória tomando uma boa salinas, porque afinal ninguém é de ferro.

Um grande abraço, e até breve.

Luiz Inácio Lula da Silva, candidato a presidente do Brasil.



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