Eleições 2018 No primeiro dia de campanha, presidenciáveis focam nas redes sociais Como a propaganda em rádio e tevê só começa em 31 de agosto, a maioria dos concorrentes à Presidência apostou as fichas na web

Por: Correio Braziliense

Publicado em: 17/08/2018 07:30 Atualizado em: 17/08/2018 07:34

Postulantes ao Planalto vão participar hoje de um debate na RedeTV, emissora à qual a TV Brasília é afiliada
(foto: Nelson Almeida/AFP)
Postulantes ao Planalto vão participar hoje de um debate na RedeTV, emissora à qual a TV Brasília é afiliada (foto: Nelson Almeida/AFP)

Apesar de seis presidenciáveis terem ido às ruas pedir voto no primeiro dia oficial de campanha, a  “guerra” foi mais intensa na internet. Os postulantes ao Planalto deram o tom desta reta inicial com mudanças no design dos perfis nas redes sociais, divulgação de jingles e publicação de vídeos.

Como a propaganda em rádio e tevê só começa em 31 de agosto, a maioria dos concorrentes à Presidência apostou as fichas na web. Em vídeo logo no início da manhã de ontem, Ciro Gomes (PDT) disse que vai “salvar o Brasil”. “Os candidatos a governador que estão me ajudando e todo o Brasil vão permitir que surpreendamos esses que quiseram resolver uma eleição de véspera”, discursou. Logo depois, ele participou do lançamento da campanha de Pedro Fernandes, pedetista postulante a governador do Rio de Janeiro.

A candidata da Rede Sustentabilidade, Marina Silva, também foi às ruas. Ela escolheu o ambulatório médico voluntário de Cangaíba, na capital paulista, para lançar a campanha. Acompanhada do vice, Eduardo Jorge (PV), quis demonstrar o compromisso com a saúde no país. Nas redes sociais, divulgou um vídeo institucional em que demonstra o desejo de fazer uma campanha “mobilizando o Brasil e os brasileiros”. “Não quero mais que o nosso país tenha líderes para liderar o atraso. Não quero mais disputa para o atraso. Temos de disputar os avanços”, afirmou.

Guilherme Boulos, do PSol, discursou em frente à Bolsa de Valores de São Paulo, no centro da capital. Disse estar ao lado da população e não de banqueiros. Já a campanha de Geraldo Alckmin (PSDB) foi marcante nas redes sociais. Ele defendeu a coligação montada com outros oito partidos, sustentando a importância dessa aliança para a aprovação de reformas, como a política. “A minha aliança é com você”, declarou.
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Alckmin também disparou críticas às campanhas de Jair Bolsonaro (PSL) e do ex-presidente Lula (PT). “São dois radicais. O Brasil não precisa de radicalismo. Precisa de trabalho sério, de equilíbrio e de bom senso”, pregou.

Ao fim da tarde, o tucano participou de uma sabatina no evento “Mulheres do Brasil — Encontro com presidenciáveis”, em São Paulo, que também contou com Alvaro Dias (Podemos), Henrique Meirelles  (MDB), Vera Lúcia (PSTU) e João Amoêdo (Novo), além de Ciro e Marina. Jair Bolsonaro (PSL), cuja popularidade cai no público feminino, não participou do evento. Longe do “boom” das divulgações de campanha, o militar apenas lançou um vídeo falando sobre a presença em formatura de sargentos da PM de São Paulo.

Hoje é dia de debate. Oito candidatos confrontarão ideais na RedeTV, emissora à qual a TV Brasília é filiada. O evento será às 22h e terá transmissão também pelo portal da RedeTV e na página da emissora no Facebook.
 
Eleições dentro da lei
Com a largada da corrida por cargos, muitos candidatos já estão fazendo valer a legislação eleitoral. No primeiro dia de campanha, presidenciáveis utilizaram as redes sociais para fazer propagandas. Todas respeitando os ditames da lei, com direito até aos populares jingles.

Há uma série de normas que as campanhas não podem infringir. Uso de serviço de telemarketing, por exemplo, não pode, assim como é vedada a entrega de bonés, camisetas e outros materiais de confecção que possam ser interpretados como vantagens ao eleitor.

Os tradicionais santinhos, com o rosto estampado do candidato a presidente, governador, senador ou deputado, estão permitidos. Para a legislação eleitoral, são materiais que não configuram ganhos ao eleitor e, portanto, não podem ser interpretados como compra de votos.

O veto às chamadas de telemarketing foi definido pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Em maio deste ano, o ministro relator da matéria, Edson Fachin, votou contrário ao uso do serviço em período eleitoral. A decisão foi seguida pela maioria da Corte, mantendo norma do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre o tema.

Alguns materiais são de uso liberado, mas é importante ter cuidado, como com as tradicionais bandeiras. Elas podem ser empunhadas em espaços públicos e até afixadas em vias, desde que não comprometam o trânsito e a livre circulação de pessoas. E devem ser retiradas após as 22h.

Propagandas em bens públicos e de uso comum, como postes, passarelas e sinais de trânsito estão vedadas. O mesmo vale para divulgação de materiais em muros, paredes ou fachadas de propriedade privada. Também não pode fazer divulgação de campanha por meio de outdoors. Eventuais irregularidades devem ser reportadas ao Ministério Público Eleitoral (MPE).  (RC e DF)

Proibições na campanha
Saiba algumas ações vedadas para estas eleições

Telemarketing: em maio, o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou inconstitucional o uso de ligações para conquistar votos.

Brindes: a distribuição de chaveiros, camisetas, bonés ou qualquer material confeccionado com cunho eleitoral que configure vantagens ao eleitor está proibida.

Outdoors: peças publicitárias em outdoors estão vetadas. O descumprimento dessa norma pode acarretar multa entre R$ 5 mil e R$ 15 mil.

Ofensas: incitações de preconceito de raça, cor, gênero, idade ou demais discriminações em propagandas estão terminantemente proibidas. O mesmo vale para atentados contra pessoas ou bens, Forças Armadas, ou classes e instituições civis. Propagandas que instiguem desobediência civil coletiva também se enquadram no rol de proibição.

Toma lá da cá: propagandas que preveem pagamentos, como rifas ou sorteios, estão proibidas.

Showmício: comícios com participação de cantores estão proibidos. Os comícios podem ser realizados entre 8h e 24h. São válidos trios elétricos e carros de som em locais fixos, que poderão divulgar jingle da campanha ou reproduzir discursos políticos.

Desrespeito: propagandas de desrespeito, calúnia, injúria ou difamação a pessoas, órgãos ou entidades públicas são proibidas. Divulgação em bens de uso comum, como postes, passarelas ou sinais de trânsito também está vedada.

Como denunciar
Acesse www.mpf.mp.br/pge/denuncie-1, clique no link da Sala de Atendimento ao Cidadão, preencha as informações e envie.

Fontes: TSE e MPE 

Participação tímida de candidatas
Mesmo com a adoção de medidas para o crescimento do número de mulheres na política, os resultados não mostram avanços. Até agora, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) computou 8,3 mil pedidos de registro de postulantes femininas — o que equivale a 30,6% do total. Apesar de as eleições gerais de 2014 terem registrado 8,1 mil candidatas, a porcentagem era maior: 31,1%.

O número ainda pode variar até o próximo dia 20, segundo o TSE, já que o sistema de divulgação de candidaturas em geral está sendo atualizado. Mas é improvável que esse resultado em relação às mulheres seja muito diferente. As estatísticas apontam que 99,87% dos pedidos já foram cadastrados.

Até o fechamento desta edição, eram 27,2 mil pedidos de registro. Número superior a 2014, quando ocorreram 26,1 mil solicitações. O maior valor corresponde a vaga de deputado estadual, com 16,8 mil. Há, no entanto, apenas mil vagas distribuídas em todo o território nacional.

No caso de governador, são 197 pedidos para apenas 27 vagas. Para senador, seis candidatos por vaga, e deputado federal, 15 por vaga. A maior concorrência, porém, é para deputado distrital. São 954 pedidos para 24 cadeiras, o que corresponde a 39 por vaga.

O PSL foi a sigla que mais fez pedido, com 1,4 mil solicitações. O PSol ficou em segundo lugar no ranking, com 1,3 mil, e em terceiro, aparece o PT, com 1,2 mil. O MDB vem logo em seguida, com 1 mil. A sigla que registrou menos pedidos foi o PCB: apenas 92.

A maioria dos candidatos (16,04%) têm entre 45 e 49 anos. Em seguida, 15,84% têm entre 50 e 54 anos. E 14,71%, entre 40 e 44 anos. A maior parte dos postulantes declarou ser branca (52,9%), seguida por parda (35,2%), negra (10,7%), amarela (0,63%) e indígena (0,48%). (DF) 


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