ELEIÇÕES Paulo Câmara e Humberto farão primeiro teste de popularidade juntos Pela primeira vez juntos desde o anúncio da união entre PT e PSB em Pernambuco, senador e governador participarão de evento chamado 'prosa política' na cidade de Santa Cruz do Capibaribe

Por: Aline Moura - Diario de Pernambuco

Publicado em: 08/08/2018 08:02 Atualizado em:

Foto: Roberto Pereira / Divulgação
Foto: Roberto Pereira / Divulgação
O governador Paulo Câmara (PSB) cumpre, nesta sexta-feira (9), a primeira agenda de campanha ao lado do senador Humberto Costa (PT) depois do anúncio oficial da aliança entre PSB e PT, no final de semana passado. Paulo e Humberto vão participar de um evento chamado “prosa política”, em Santa Cruz do Capibaribe, no Agreste estadual, num município conhecido por ser reduto da oposição.

O ato político será um encontro fechado, mas é a oportunidade para ambos selarem a reaproximação. Humberto esteve na convenção estadual da legenda socialista no último domingo, foi bem recepcionado pela militância do PSB, mas precisou justificar a necessidade da aliança estadual. Ele mesmo fez oposição ao governo do estado nos últimos quatro anos. “Apesar de lá em Brasília estar com uma postura de oposição, jamais faltei a um chamamento do governador, jamais deixei de colaborar com Pernambuco”, disse.

Humberto ainda enfrenta uma resistência grande da militância do PT nas redes sociais e tem o desafio de trazer essa força para o palanque de Paulo Câmara, mas ele próprio vai ter dificuldade de convencer a base sindical e os movimentos sociais petistas a apoiá-lo. O PT ainda está dividido, recuperando-se da disputa interna que culminou, no último sábado, com a confirmação da saída de Marília Arraes (PT) da corrida estadual. Humberto é acusado pela base de ter atropelado a candidatura de Marília, aproveitando-se do trânsito que tem com a cúpula nacional petista.

O descolamento entre o discurso do senador e da base estadual ainda é tão visível que, amanhã, no Sindicato dos Servidores Públicos Federais, os candidatos a deputados federais e estaduais do PT realizam um evento chamado Plenária da Resistência, organizado pelo grupo político que apoiou Marília ao Palácio das Princesas. O encontro estava marcado para hoje, mas foi adiado por questões de logística, mas Humberto não foi convidado até o fechamento dessa edição. A base do partido quer concentrar os esforços na eleição nacional e na disputa dos candidatos proporcionais – deixando de priorizar a candidatura ao Senado e ao governo.

Transição


O maior problema na aliança entre o PSB e o PT foi a falta de uma transição antes do período eleitoral. Humberto foi criticado pelo ex-deputado federal Fernando Ferro (PT) por ter, segundo ele, transformado a legenda numa “sucursal” pessoal, o que teria causado uma nova intervenção nacional no partido, como em 2012. Já Paulo Câmara foi acusado por Marília de só hipotecar o apoio à candidatura de Lula à Presidência da República, por, na opinião dele, atravessar um momento de impopularidade no estado, o oposto do que acontece com Lula.

“O PT fez o seu gesto, o PT tinha uma perspectiva de ter uma candidatura que poderia até fortalecer o partido, mas decidimos ficar com a esquerda e a unidade das forças populares. Decidimos ficar com o Brasil e ficar com Pernambuco”, frisou Humberto, no domingo passado, elogiando Paulo por ter enfrentado a crise econômica e política, mesmo sofrendo discriminação do governo federal.

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