Eleições 2018 Saiba a influência que cada vice escolhido terá na campanha de 2018 Presidenciáveis partilham a chapa com nomes capazes de tomar votos de adversários, isolar rivais, ganhar mais tempo de tevê ou abocanhar fatia maior do fundo partidário, mas há os que farão apenas figuração

Publicado em: 07/08/2018 07:21 Atualizado em: 07/08/2018 07:23

s senadoras Ana Amélia e Kátia Abreu será vices na chapa de Geraldo Alckmin e Ciro Gomes, respectivamente
(foto: Antonio Cunha e Carlos Moura/CB/D.A Press )
s senadoras Ana Amélia e Kátia Abreu será vices na chapa de Geraldo Alckmin e Ciro Gomes, respectivamente (foto: Antonio Cunha e Carlos Moura/CB/D.A Press )

Com os vices definidos, presidenciáveis partem com tudo para a eleição. As coligações partidárias fechadas ajudam a entender o perfil do eleitorado e os próximos caminhos que os postulantes devem seguir no pleito. Além do fundo eleitoral, está em jogo a somatória do tempo de televisão. A dois meses das eleições, marcadas para 7 de outubro, candidatos tentam valorizar o discurso e rechaçar concorrentes na busca pelo Planalto.

Primeiro postulante a formar alianças, Geraldo Alckmin (PSDB) escolheu a senadora Ana Amélia (PP) para acompanhá-lo na disputa. Fechado com o Centrão — PP, PR, PTB, PPS, DEM, PRB, PSD e Solidariedade —, o tucano reúne o melhor tempo de televisão, com cerca de 5 minutos e 32 segundos. Já o fundo eleitoral do partido destinado à campanha é de R$ 43 milhões. Para especialistas, a chapa formada com a senadora é uma tentativa de agradar a coligação e tomar votos do eleitorado de Jair Bolsonaro (PSL) e de Álvaro Dias (Podemos), mais forte no Sul.

Ontem, durante o evento Coalizão pela Construção – O Futuro do Brasil na Visão dos Presidenciáveis 2018, que ocorreu em Brasília, o tucano afirmou que Ana Amélia é a “vice dos sonhos”. “Ana Amélia vai ampliar e formar uma boa chapa para fazer uma bela campanha e trabalhar pelo Brasil. Ela é preparada, séria”, elogiou.

Com o segundo melhor tempo de tevê — 2 minutos e 22 segundos —, o PT lançou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como candidato e oficializou Fernando Haddad como vice. No entanto, antes do anúncio, o partido fechou acordos com o PSB e com o PCdoB, que decidiu retirar a candidatura de Manuela D’Ávila para que ela fique de reserva caso o petista seja barrado. A estratégia do PT era isolar Ciro Gomes (PDT), que tentava a coligação com as siglas depois que o Centrão fechou com Alckmin.

Esse foi um dos motivos que levaram o pedetista a escolher a correligionária Kátia Abreu para assumir a chapa com ele. Sem alianças e com opções limitadas, ele seguirá na disputa com apenas 40 segundos de televisão e com fundo eleitoral de R$ 13,3 milhões. Questionado sobre Kátia Abreu ter passado por muitos partidos na vida política, o ex-ministro ressaltou a lealdade e o comprometimento da colega.

“Minha candidatura é de centroesquerda. Duvido que alguém tenha sido mais leal a Dilma Rousseff (PT) que Kátia Abreu. Ela votou em mim e é uma líder, tem uma trajetória exemplar e o nome limpo. Foi expulsa do MDB por ter criticado o impeachment e feito oposição a Michel Temer”, defendeu.

Já Henrique Meirelles (MDB), que terá de arcar com as consequências de um governo impopular do correligionário Michel Temer, segue isolado na disputa com um vice do mesmo partido, o ex-governador do Rio Grande do Sul Germano Rigotto. O emedebista custeará a própria campanha e, sem alianças, manterá o tempo de televisão do partido, com 1 minuto e 56 segundos.

Marina Silva (Rede) e Jair Bolsonaro (PSL) são os candidatos que não têm muito apoio e não contam com uma bancada expressiva no Congresso — o que deixa curto o tempo de campanha em rede nacional. Com o vice do PV, Eduardo Jorge, Marina terá apenas 21 segundos. Já Bolsonaro, que escolheu o general Mourão, terá 9 segundos para tentar convencer o eleitorado indeciso.

Segundo o analista político Creomar Souza, Marina e Bolsonaro tomaram a decisão que lhes cabia, dentro do cenário em que se encontravam: a presidenciável, com o apoio de outro ambientalista e de um partido do qual já fez parte um dia, e Bolsonaro, que fez uma escolha baseada nas próprias convicções. “Marina não conseguiu fazer coalizão. Só se juntou a um candidato que mantinha as características as quais são conhecidas. Já o Bolsonaro não conseguiu pensar fora da caixinha e considerou um vice que se relacione com seus eleitores”, explicou.



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