Politica

Ciro Gomes dá pontapé inicial na campanha para eleições

Em sua terceira tentativa de chegar à presidência, Ciro Gomes planeja conquistar os votos de Lula

O centro-esquerdista Ciro Gomes dá nesta sexta-feira o pontapé inicial na campanha para as eleições de outubro, considerada as mais incertas do país desde a redemocratização, em 1985.

O político de 60 anos será o primeiro dos candidatos a lançar oficialmente sua candidatura, durante uma convenção do Partido Democrata Trabalhista (PDT), marcada para começar às 11 horas da manhã em Brasília.

A profunda desilusão na classe governante pelos casos de corrupção revelados pela Operação Lava Jato jogaram por terra a hegemonia dos dois partidos dominantes no segundo turno desde as eleições de 1994: o Partido dos Trabalhadores (PT), do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010), e o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).

"É a primeira vez que você tem disputa nos dois blocos hegemônicos desde 1994. No bloco da centro-esquerda você tem uma relativa crise do PT, que abriu espaço para Ciro Gomes, e no da centro-direita surge um fenômeno como o (Jair) Bolsonaro, que traz para a agenda uma discussão de extrema-direita", explica à AFP Ricardo Sennes, diretor da consultora Prospectiva.

Em sua terceira tentativa de chegar à presidência, Ciro Gomes planeja conquistar os votos de Lula, líder nas pesquisas, mas cuja candidatura provavelmente será invalidada pela justiça eleitoral.

Segundo uma pesquisa Ibope no final de junho, Ciro, em eleições sem Lula, aparecia em terceiro lugar, com 8% das intenções de voto, atrás de Bolsonaro, com 17%, e da ambientalista Marina Silva, com 13%.

- Acordos frenéticos 

As convenções partidárias, que acontecem até 5 de agosto, são uma etapa importante nas eleições, que também vão eleger 27 governadores, 513 deputados e um terço dos 81 senadores, com primeiro turno em 7 de outubro e eventual segundo turno no dia 28.

Durante 15 dias, os 35 partidos representados no Congresso terão que escolher seus candidatos ou fechar alianças para formar uma lista com o maior número de apoios possível.

Isso é fundamental para conseguir mais fundos eleitorais e mais minutos de propaganda gratuita em rádio e televisão, distribuídos em função do tamanho e do número de deputados de cada bancada.

É o momento dos acordos muitas vezes inverossímeis, sobretudo com a proibição do financiamento empresarial.

- De olho no "centrão" -
"Todos terão que fazer muitas concessões. Alguns partidos esperam até o final para ter certeza de quem oferece mais", aponta Sennes.

Nesse sistema 'presidencialista de coalizão', na definição de muitos cientistas políticos, o objetivo desejado é o chamado 'centrão', grupo de pequenos e médios partidos, geralmente de direita, sem candidatos fortes, mas que representam mais de um terço dos deputados e por isso oferecem boa fatia dos recursos eleitorais e dos minutos televisivos.

As negociações sugerem que o centrão começa a se inclinar a favor de Geraldo Alckmin, que conta com 6% das intenções de voto, segundo o Ibope.

Após a convenção do PDT, o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) lançará no sábado a candidatura de Guilherme Boulos e no domingo o Partido Social Liberal (PSL) anunciará a candidatura de Bolsonaro.

O Movimento Democrático Brasileiro (MDB), do presidente Michel Temer, que desistiu de candidatar-se diante da fraca popularidade demostrada nas pesquisas, deve lançar no dia 2 de agosto a candidatura do ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles.

Três partidos realizarão duas convenções em 4 de agosto: o PT, que espera oficializar a candidatura Lula; o pequeno Rede, de Marina Silva, em sua terceira tentativa de chegar ao palácio do Planalto; e o PSDB, que lançará o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin.

As inscrições deverão ser formalizadas na justiça eleitoral até 15 de agosto. A propaganda eleitoral nas ruas e na internet será autorizada a partir de 16 e o período de campanha por rádio e televisão começará no dia 31 do mesmo mês.

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