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eleições Joe Valle tenta autorização do partido para disputar vaga no Senado pelo DF Presidente da Câmara Legislativa recorre ao presidente do PDT para disputar uma vaga no Congresso. Uma das barreiras é a resistência de correligionários à aliança com partidos de centro-direita

Por: Correio Braziliense

Publicado em: 17/04/2018 08:58 Atualizado em:

Joe Valle se encontra hoje com Carlos Lupi, que quer convencê-lo a manter o plano para o Palácio do Buriti. Foto: Luis Nova/Esp. CB/D.A Press
Joe Valle se encontra hoje com Carlos Lupi, que quer convencê-lo a manter o plano para o Palácio do Buriti. Foto: Luis Nova/Esp. CB/D.A Press

Lançado pré-candidato ao Palácio do Buriti no último mês, o presidente da Câmara Legislativa, Joe Valle (PDT), tenta conquistar, hoje, a autorização do partido para disputar o Senado na chapa encabeçada pelo ex-secretário de Saúde do DF Jofran Frejat (PR). A possibilidade será discutida em uma reunião com o comandante nacional pedetista, Carlos Lupi.

Desde que oficializou a pretensão pelo Senado, Joe enfrenta a resistência partidária quanto à aproximação com as siglas da coalizão de Frejat — DEM, MDB, PP e Avante —, as quais pertencem a um campo político antagônico ao do PDT. Seria difícil explicar a aliança ao eleitorado. Além disso, os correligionários preocupam-se com a construção de um palanque para o presidenciável Ciro Gomes.

De olho nessas condições, Lupi desembarca na capital com a esperança de convencer o distrital a se manter na disputa pelo GDF. “O que Brasília estava precisando, o mais natural e legítimo, seria a candidatura de Joe a governador. Mas tenho de ouvir o que ele quer”, ponderou o presidente do PDT. Apesar disso, aliados do distrital apostam que ele receberá carta branca para integrar a nova chapa.

Caso garanta o aval, o próximo passo do parlamentar será a negociação com os integrantes da coalizão de Frejat. No grupo político, os cargos majoritários estão pré-distribuídos. As duas cadeiras que garantem o mandato de oito anos foram prometidas ao empresário Paulo Octávio (PP) e ao deputado federal Alberto Fraga (DEM), conforme acordo inicial.

A pessoas próximas, Joe afirmou ter a garantia do espaço majoritário. Duas possibilidades distintas poderiam abrir espaço. O recuo de Fraga, que disputaria a reeleição, após episódios que deterioram sua imagem, ou a desistência de Paulo Octávio, por conta do receio da impugnação da candidatura às vésperas das eleições.

"Candidaturas firmes"

Frejat garante que Joe será bem recebido. Entretanto, ressaltou a necessidade de negociações. “Tenho uma característica importante: a palavra. Vimos, em vários momentos, pessoas que queriam disputar e, depois, desistiram. Mas, se tudo se mantiver, temos de tentar outro entendimento com o Joe. O que não posso é alijar meus companheiros”, argumentou o ex-secretário de Saúde.

Oficialmente, pré-candidatos ao Senado, Fraga e Paulo Octávio garantem que a composição está fechada. “Não sei onde é que Joe está enxergando uma vaga”, disse o deputado federal. E completou: “Ele tem um eleitor mais à esquerda, ao contrário do meu, de direita e conservador. Para mim, fica muito difícil falar numa coligação. Meu segundo voto pode até ir para o Joe, mas o dele não vem para mim”, analisou.

Paulo Octávio, por sua vez, afirmou que uma vaga seria aberta, apenas no caso de “uma mudança muito radical”. “Ele é super bem-vindo nessa coligação. Trata-se de uma pessoa que respeito e admiro muito. Mas, por ora, as candidaturas estão colocadas pelo PP e DEM. Acho que isso está bem adiantado”, disse.

Influência nacional

Ainda que a aproximação com Frejat seja avalizada, há a possibilidade de os planos serem frustrados à frente, com uma união entre pedetistas e socialistas na corrida presidencial. Em caso de acerto, a aliança respingaria no Distrito Federal. “As composições nacionais terão um reflexo muito grande nas estaduais. Se o PSB, eventualmente, apoiar a candidatura de Ciro Gomes, é claro que, naqueles estados onde o PSB tem governadores candidatos à reeleição, o natural será que o PDT os apoie”, lembrou o governador Rodrigo Rollemberg (PSB), em entrevista, ontem, ao programa CB.Poder, uma parceria entre o Correio e a TV Brasília.

Presidente regional da sigla, Georges Michel chegou a participar de uma reunião, a convite do chefe do Buriti, para discutir o cenário. Depois do encontro, refutou qualquer possibilidade de aliança com Rollemberg — o partido deixou a base governista em outubro último. Nas costuras políticas, porém, vence a palavra final do comando nacional.


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