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medida Governo admite redução de base aliada no Congresso após ataques do STF Liberação de emendas e cargos são algumas das promessas para quem não abandonar o barco

Por: Rodolfo Costa - Correio Braziliense

Publicado em: 14/03/2018 09:55 Atualizado em:

Ministro Marun deu o tom da estratégia: uma reforma ministerial e ajustes para manter unidade na eleição. Foto: Arthur Menescal/Esp. CB (Foto: Arthur Menescal/Esp. CB)
Ministro Marun deu o tom da estratégia: uma reforma ministerial e ajustes para manter unidade na eleição. Foto: Arthur Menescal/Esp. CB


Sob ataque de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente Michel Temer está colocando a tropa de choque do governo na linha de frente para evitar um esfacelamento da base. Sob suspeita de ter recebido propina em troca de favorecimento a empresas no setor aéreo e portuário, o emedebista convocou, nos últimos dois dias, líderes governistas e do MDB para garantir a manutenção de uma aliança unificada. No entanto, os estragos políticos já parecem surtir efeito. Pessoas próximas ao chefe do Executivo admitem a possibilidade de uma redução do apoio no Congresso Nacional. Mas pregam que, ocorrendo, aqueles que permanecerem devem mostrar mais fidelidade à agenda governista.

A regra, no entanto, é evitar qualquer debandada. Por isso, pediu a aliados como o deputado federal Baleia Rossi (MDB-SP), líder do partido na Câmara, que levante a bandeira de uma base mais unificada. Pelo apoio, o governo está disposto a agradar aos fiéis da balança. Liberação de emendas, cargos para apadrinhados políticos e posições estratégicas na reforma ministerial são algumas das promessas para quem não abandonar o barco.

O governo luta para não abrir mão da base. Na reforma da Previdência, 275 deputados federais haviam se comprometido a votar pelo texto. Ainda que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que atualiza as regras de aposentadoria esteja suspensa e o Palácio do Planalto não necessite mais dos 308 votos, o objetivo é não perder nenhum apoio.

Afinal, a hipótese de que Temer volte a ser denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) não é impossível. O ministro Edson Fachin, do STF, incluiu o emedebista em um inquérito que apura se ele recebeu propina da Odebrecht em troca de um suposto favorecimento no setor aéreo. Já o ministro Luís Roberto Barroso, da Suprema Corte, autorizou a quebra de sigilo bancário do presidente por conta de uma investigação, desta vez no setor portuário.

Caso a Polícia Federal (PF) conclua que Temer foi favorecido nas duas situações, e a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, não arquive os inquéritos e os transforme em denúncia, o emedebista necessitaria de, pelo menos, 172 deputados para derrubar as duas acusações.

O governo não trabalha com a hipótese de ver a base ruir de 275 para 172 deputados. Mas teme que os impactos políticos em caso de perda de apoio enfraqueça o governo no cenário eleitoral. “Ver a base encolher nunca é uma coisa boa. Por isso, a ordem aos líderes é lutar por uma base coesa e unificada. E eles estão sendo capitaneados para evitar esvair a força política”, disse um interlocutor de Temer.

Para contornar a situação, a meta é não deixar o DEM crescer demais e se desvincular do governo, como sinalizaram alguns caciques do partido. A pré-candidatura do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), à Presidência da República atraiu a atenção de legendas do centrão. E a reforma ministerial terá um papel importante para evitar a debandada em massa da base. O ministro-chefe da Secretaria de Governo, Carlos Marun, deu o tom da estratégia do governo. “Acontecerá uma reforma ministerial necessária em abril e, futuramente, alguns ajustes para que o governo tenha, na eleição, uma unidade”, destacou.


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