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Entrevista Ministro das Cidades desconversa sobre aliados: 'Não sofro de ansiedade' O ministro admite que a iniciativa estava em estudo e é aplicável em outras cidades, mas reconheceu que o atual momento acelerou as expectativas

Por: Denise Rothenburg

Por: Paulo de Tarso Lyra

Publicado em: 12/03/2018 08:29 Atualizado em: 12/03/2018 10:10

"Nós temos a oportunidade de construir um projeto que vá além. Se você for fazer os aparatos sociais como educação, saúde, cultura, é essencial que você se preocupe também com o emprego". Foto: Minervino Júnior/CB (Foto: Minervino Júnior/CB)
"Nós temos a oportunidade de construir um projeto que vá além. Se você for fazer os aparatos sociais como educação, saúde, cultura, é essencial que você se preocupe também com o emprego". Foto: Minervino Júnior/CB
Alexandre Baldy, ministro das Cidades, chefiado pelo presidente Michel Temer, mas empossado graças às bençãos do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), está prestes a apresentar um novo projeto de reurbanização das favelas. Em tempos de intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro, o governo desengaveta uma iniciativa para dar mais salubridade e preencher os vazios das comunidades com aparelhos públicos. “O que estamos desenhando é um amplo projeto de reurbanização de comunidades em habitação de risco, em condições de moradia sub-humanas, por questões de risco, de segurança e nos preocupando com aspectos sociais, como o emprego. Estamos esboçando um projeto muito bacana, que funciona para o Rio de Janeiro e funcionará para outras regiões com as mesmas características”, diz Baldy.

O ministro admite que a iniciativa estava em estudo e é aplicável em outras cidades, mas reconheceu que o atual momento acelerou as expectativas. “Creio que a intervenção traz um enorme apelo e clamor.” Baldy, que deixou o Podemos antes de assumir a pasta, irá se filiar ao PP na quarta-feira e faz mistério se será candidato em outubro. “A questão eleitoral, para mim, é muito pequena frente às atribuições que a gente tem hoje.”

Em entrevista exclusiva ao Correio, o ministro evita expressar preferência por qualquer um dos padrinhos (Temer e Maia) na corrida ao Planalto. “Não sofro de ansiedade de forma nenhuma. É tanto desafio aqui que não me passa pela cabeça antecipar problemas”, brinca.

O governo pensa em relançar o projeto de reurbanização das favelas. Está previsto para este ano? O que é possível fazer em tão pouco tempo?
O que estamos desenhando é um amplo projeto de reurbanização de comunidades em habitação de risco, em condições de moradia sub-humanas, por questões de risco, de segurança e nos preocupando com aspectos sociais, como o emprego. Estamos esboçando um projeto muito bacana, que funciona para o Rio de Janeiro e funcionará para outras regiões com as mesmas características.

Será mais amplo ou só no Rio de Janeiro?
Nós estávamos desenhando esse projeto para diversas realidades. Visitei o Rio e percebi a realidade de lá. Mas acontece o mesmo com Salvador, Belo Horizonte. São projetos que entendemos que têm muita semelhança. Se vai funcionar, não posso afirmar. Mas o Rio, dada a urgência da intervenção, será prioritário neste momento.

O ministério tem uma estimativa de custos?
Na realidade, o projeto envolve diversos aspectos e nós queremos que eles custem o mínimo possível de recursos e investimentos do governo. Acredito que tenhamos algo pronto na semana que vem. Queremos aprimorar com as experiências que foram boas e aprimorar muito as que foram ruins.

Por que esse assunto(reurbanização das favelas) sempre volta sem jamais ser concluído?
Essa não é uma solução que será dada apenas pelo governo federal, e também não é só dada pelo governo estadual. Acredito que haja todo esse clamor da recuperação social, econômica, da segurança do estado da cidade do Rio. Nós temos a oportunidade de construir um projeto que vá além. Se você for fazer os aparatos sociais como educação, saúde, cultura, é essencial que você se preocupe também com o emprego. Para suplantar as oportunidades que são geradas pelo crime, precisamos pensar também na base do emprego para essas comunidades.

Se a intervenção no Rio não tivesse ocorrido, esse projeto seria apresentado?
Eu creio que a intervenção traz um enorme apelo e também enorme clamor.

O senhor fica ou não no ministério?
Cada dia com a sua agonia. Tenho tantos problemas, coisas para pensar. A questão eleitoral, para mim, é muito pequena frente às atribuições que a gente tem aqui hoje.

Quando o senhor foi anunciado como novo ministro das Cidades, dizia-se que ia se filiar ao PP. Por que ainda não se filiou?
Porque nunca houve compromisso de se filiar a esse ou àquele partido, naquele momento. Eu só mudaria se tivesse uma decisão. Agora, tenho. Irei me filiar ao PP na quarta-feira, mas ainda não decidi se serei candidato.

Dizem que o senhor está rodando como se fosse candidato.
Um ministério com essa capilaridade, quem não vai conhecer o problema para poder buscar a solução? Aqui, da cadeira, nós não conhecemos a realidade. Quem é gestor sabe a diferença entre sentar na cadeira, definir a estratégia, a operacionalização e entender a realidade para poder suplantar aquilo que é o mundo desejável e o mundo real. A gente trata de saneamento básico, enquanto a capital do Amapá tem em torno de 3% de saneamento; no Sudeste, há cidades com a universalização. Como vou estar aqui sabendo de um projeto que faço para o Brasil sendo que estou em uma realidade tão distinta?

O PIB de 2017 ficou em 1% e  há quem fale que o de 2018 será de 3%. Estamos retomando o caminho do crescimento sustentável ou é cedo para dizer isso?
Eu acredito que estamos caminhando para um crescimento sustentável. Foram feitas reformulações legislativas e ajustes extremamente estratégicos e importantes para reconstruir nosso crescimento econômico.

Mas a reforma da Previdência não saiu.
Mas fizemos a PEC do teto dos gastos, por exemplo. Isso é inédito do ponto de vista de administração pública. Acredito que fizemos esse ajuste do gasto público em um momento muito importante, de crise. Com certeza, quando houver recuperação econômica e, consequentemente, recuperação da arrecadação, você consegue fazer com que os investimentos também aumentem, de uma forma muito mais responsável, sustentável. Você começa a repensar o setor público, as prioridades, o modelo, para que nós consigamos identificar onde são as melhores oportunidades de prestar o melhor serviço, pelo menor custo, onde tem a oportunidade de fazer as obras com o menor investimento. Quanto mais consigamos trazer essas iniciativas para grandes, médios e pequenos projetos, vamos conseguir, sim, identificar as oportunidades de fazer o que se faz com o orçamento racionado.

Foi acertada a decisão de permitir a utilização do fundo eleitoral e o partidário nas eleições?
Temos que tratar o tema de uma maneira objetiva e direta. Se nós definimos pelo financiamento público, então, que aquilo que há disponível para se financiar as eleições possa ser destinado a esse financiamento, para que não ocorram distorções e situações que são da irrealidade.

Vamos ter que aprender a fazer política de novo diante das novas demandas?
Vamos ter que aprender a fazer política diante do quadro que a sociedade exige uma nova política. Disso não tenho dúvida, mas é muito mais amplo. Vai ter que se aprender uma nova política da gestão partidária, um diálogo mais aberto dentro daquilo que é gerido pelos partidos.

E demanda por um outsider? Esfriou após a desistência doLuciano Huck? A reformulaçãovirá por dentro, pelos própriospolíticos, ou há brecha para um nome de fora?
Aquele que se consolidar, que for capaz de enviar a mensagem correta que a sociedade espera absorver, seja ele o outsider ou o tradicional, será capaz de assumir o protagonismo no processo eleitoral de 2018.

Mas alguém de fora, muitas vezes, tem ideias e boas propostas, mas, quando entra na máquina, acaba engolido pela burocracia.

A falta de experiência no setor público é preocupante porque, por mais que haja boa vontade daquele que foi gestor privado, com extrema competência, mas que nunca teve experiência no setor público, vai enfrentar desafios totalmente inesperados.

Esse é seu caso no ministério, com a experiência de ex-empresário?
Mas eu já fui secretário de estado, tive experiência administrativa. É a mesma metodologia aplicada em uma proporção muito maior.

É muito diferente gerir uma empresa, comandar um programa de auditório e ter um cargo público?
Eu digo da minha experiência. Gerir uma empresa ou gerir o setor público é a mesma coisa, com procedimentos diferentes. Gestão é gestão, você tem que saber aplicar, criar fluxo, procedimento, mas tem que se adequar, pela experiência, no setor público, às normatizações que o setor exige. Na sua empresa, você decide de que fornecedor compra, e simplesmente compra. No setor público não tem essa flexibilidade, você tem que passar pela normatização, legislação.

Caso Rodrigo Maia e Michel Temer concorram, realmente, ao Planalto, para quem vai pender seu coração político?
Eu não gosto de discutir sobre hipótese, eu discuto sobre fatos. Eu não sofro de ansiedade de forma nenhuma. É tanto desafio aqui que não me passa pela cabeça antecipar problemas. Os problemas já são muito desafiadores.

Acha difícil que os dois sejam candidatos?
Em política, não duvido de nada. Todos que têm partido e estão na vida pública têm o direito de ser candidatos.


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