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Eleição Pessoas próximas a Huck não descartam candidatura e cogitam buscar PSDB Para esse grupo, caso Geraldo Alckmin não se mostre um candidato viável, o apresentador poderia retomar projeto de concorrer a presidente

Por: Paulo de Tarso Lyra

Publicado em: 11/01/2018 12:09 Atualizado em:

Foto: Globo/Reprodução (Foto: Globo/Reprodução)
Foto: Globo/Reprodução
O apresentador Luciano Huck voltou a reiterar, na quarta-feira (11/1), em sua página no Facebook, que não pretende ser candidato nas eleições de outubro. “Em tempos de terra arrasada na política brasileira, muita gente ouve o que quer, e não o que foi dito. Assim sendo, vale repetir: como já me posicionei anteriormente, não sou candidato a nada. Sigo de onde estou tentando ser uma voz potente apoiando fortemente a tão necessária e esperada renovação política no Brasil”, escreveu, três dias após a veiculação da participação ao lado da mulher, Angélica, do quadro Divã do Faustão.

Amigos do apresentador, no entanto, enxergam a participação no programa como um retorno de Huck ao projeto Palácio do Planalto. Considerada uma grande pesquisa quali — quando se mede o impacto de algumas declarações em grupos específicos — as declarações no programa dominical animaram tanto o grupo que novas conversas partidárias foram inauguradas. Eles não descartam, inclusive, uma aproximação com o PSDB.

Não existe uma conversa entabulada. Mas interlocutores do apresentador e alguns tucanos mais novos ficaram atentos ao quase ultimato dado por estrategistas do PSDB ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, dizendo que, para se tornar viável, ele precisaria estar com algo entre 10% e 15% das intenções de voto até abril, se quiser, de fato, ter chances nas eleições de outubro. O governador paulista ainda precisa enfrentar, antes, uma prévia interna contra o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio.

Popularidade graças à tevê

O partido acabou minimizando essa análise, mas a informação ficou no radar do grupo de Huck. Se as conversas evoluírem, avaliam, estaria unido o recall que o apresentador tem por conta de sua atuação há décadas na televisão e uma estrutura partidária confiável, que lhe conferiria tempo no programa eleitoral gratuito e apoio para não ser tão outsider.

Quando as primeiras especulações sobre a candidatura surgiram, Huck chegou a conversar com algumas legendas, como o PPS e o DEM. As conversas com o PPS pouco avançaram e acabaram por esfriar completamente após o artigo publicado pelo próprio apresentador na Folha de S.Paulo dizendo que não seria mais candidato.

No caso do DEM, que, em tese, teria uma linha ideológica mais próxima do que pensa Luciano Huck, a percepção é de que os canais de interlocução estão mais vedados, já que o partido deixa explícita a disposição de testar o nome do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, para o Palácio do Planalto.

O artigo de novembro sempre é citado quando o assunto da pré-candidatura volta à tona. Intitulado de No rumo, o apresentador traça paralelos com a Odisseia, de Homero, e encerra dizendo que não será candidato, mas que poderiam “contar com ele no debate”. Para pessoas próximas, o texto traz diversas ambiguidades e deixa várias portas abertas para a reinserção do nome de Luciano Huck no quadro eleitoral.

Isso fica claro, especialmente, a partir do fato de que ele jamais pediu para qualquer dos institutos de pesquisa que retirasse o nome dele dos levantamentos de intenção de voto. A partir daí, o entorno do apresentador percebeu que a imagem de Huck sempre esteve bem posicionada. E que, durante esse período, nenhuma candidatura do chamado espectro de centro-direita — Alckmin, Maia ou o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles — apresentou-se como uma opção viável para sair vitorioso em outubro.

Aposta ou aventura?

A 10 meses das eleições, nunca houve tantas incertezas sobre quem estará em condições viáveis de disputa até lá. Lula será julgado, em segunda instância, no próximo dia 24, em Porto Alegre, e poderá ver prejudicados ainda mais os planos de ser candidato em outubro. Segundo lugar nas pesquisas, Jair Bolsonaro, recém-filiado ao PSL, passou a ser alvo de matérias negativas na imprensa e, até o momento, não soube reagir à altura dos ataques.

O PSol, que luta para manter vivo o discurso de esquerda, ensaia o lançamento de Guilherme Boulos, líder do MTST. Ciro Gomes (PDT) quer uma aliança com Manuela D’Ávila (PCdoB) para tentar herdar os órfãos do lulo-petismo.

Geraldo Alckmin (PSDB) não decola, Henrique Meirelles (PSD) não empolga sequer o próprio partido e Rodrigo Maia (DEM) ainda tem em mente a avaliação feita por ele, em 2014, de que, quatro anos depois, teria dificuldade de obter votos para se reeleger.

Espaço para um nome como Huck há. Resta saber se, no jargão político da moda, ele é uma aposta ou apenas uma aventura.


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