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Opinião Mariangela Schoenacker: Tecnologia: de vilã a aliada Mariangela Schoenacker é diretora de Operações da Consultoria Lee Hecht Harrison (LHH) Nordeste

Publicado em: 06/12/2017 07:14 Atualizado em:

Nunca na história da humanidade vimos as tecnologias avançando tão rapidamente: internet das coisas, impressão 3D, inteligência artificial, machinelearning (aprendizado das máquinas), bitcoin, blockchain, computação em nuvem, robótica, nanotecnologias. Tais inovações implicarão em mudanças profundas no mundo do trabalho. 
 
Os paradigmas de como trabalhamos nos últimos 50 anos estão mudando. Além disso, à medida que essas tecnologias vão se entrelaçando, o ritmo das inovações se acelera ainda mais. Quando se muda para um ambiente baseado em informação, o ritmo de desenvolvimento entra em uma trajetória de crescimento exponencial. Empresas como Airbnb, Uber, Waze hoje importantes no cenário mundial, foram criadas faz menos de 10 anos. Das 500 melhores empresas que existiam no ano 2000, 40% não existem mais. 
 
A economia está se transformando rapidamente passando a ser mais orientada a serviços e ao mundo digital.O tratamento de dados de forma instantânea permite a tomada de decisão em tempo real, há maiores possibilidades de rastreabilidade,de monitoramento remoto, e de maior flexibilidade na gestão das tarefas. As tecnologias como inteligência artificial e aprendizado das máquinas já estão proporcionando melhora na qualidade das decisões das pessoas. Em todas as rodas de conversa nos ambientes de negócios, existe um misto de fascínio e preocupação sobre quais as consequências da tecnologia no mundo do trabalho.  O relatório sobre o Futuro do Trabalho World Economic Forum emitido em janeiro de 2016, diz que 45 % do número de postos de trabalho atuais, podem ser automatizados pelas tecnologias atuais. E 65% dos empregos que as crianças que hoje estão na escola primária terão no futuro, não existem hoje. 
 
A necessidade de novos conhecimentos e habilidades torna-se premente. Teremos muitos desafios em recrutar, treinar e reter talentos. É fundamental que as empresas, o governo e as pessoas comecem a se preparar já para este novo cenário. Estratégias de treinamento, requalificação e investimento na diversidade da mão de obra e mobilidade serão temas chaves para serem trabalhados pelas empresas e pelos governos de maneira integrada. 
 
No curto prazo será necessário, que a Gestão de Pessoas seja reinventada, que o uso de análise de dados nos diferentes negócios e em especial no planejamento e desenvolvimento de pessoas seja ampliada e a força de trabalho seja mais diversa. Além disso, as plataformas de colaboração deverão ser disseminadas também nos ambientes corporativos, bem como novas metodologias de aprendizagem, de forma que a troca de experiências e a resolução de problemas complexos sejam potencializadas pela tecnologia.  
 
Vivemos neste momento, o dilema da Oportunidade versus Capacidade. Temos uma abundância de problemas complexos a serem endereçados, portanto, um mundo de oportunidades. Sofremos, por outro lado, com a falta de capacidade das pessoas de fazerem uso do que temos disponível. Há ainda muito a fazer para acelerar o desenvolvimento das pessoas e potencializar os negócios. Mudar este cenário depende do olhar: ficar fixado no problema e no peso da falta de capacidade ou acreditar que existe uma abundância de oportunidades e talentos humanos dispersos que precisam de espaço para empregar seu potencial, aprender e contribuir, quer dizer, fazer junto. 
 
Temos muitos paradigmas a serem quebrados neste campo, principalmente o da tecnologia como vilã que só veio para tirar emprego das pessoas. Precisamos criar uma cultura que considere que a tecnologia e as pessoas juntas geram melhores resultados. Ao entendermos essa falta de capacidade como oportunidade de criar e não como ameaça, talvez possamos fazer mudanças que impactem não só a nossa realidade local, mas todo um universo de pessoas. Mas, para transformar a forma de trabalhar, de aprender e de produzir conhecimento, é preciso mudar a nossa maneira de pensar, é necessário realizar uma mudança de mindset. 
 
Parar de falar só em redução, reestruturação, e pensar que vivemos num mundo de transformações com ciclos cada vez mais curtos, no qual a capacidade de aprender e se adaptar rápido, ter um propósito claro farão toda a diferença. Dentro deste cenário, como diz Sergio Cavalcante, Superintendente do CESAR: “Nós como lideres temos que ser capazes de ajudar as pessoas a conectarem o propósito da empresa com seu propósito pessoal.” Sem esta conexão não há como garantir alinhamento, engajamento e crescimento sustentável do negócio em longo prazo. Para isto,se faz necessário mais transparência, colaboração e coerência na relação com as pessoas, sejam elas colaboradores, clientes, fornecedores, parceiros, etc. 
 
Para dar sustentação a todas estas mudanças, há necessidade de revermos nosso sistema educacional, dando maior incentivo à aprendizagem constante e ágil bem como maior colaboração entre as empresas de diversos setores e o governo. Temos muitas ações sendo realizadas nesse sentido, mas, um longo caminho pela frente. Enquanto isto, não podemos deixar de, como indivíduos e como empresas, buscarmos novas formas de olhar, aprender e contribuir no nosso cotidiano para potencializar as capacidades das pessoas e empresas, utilizando a tecnologia, arte e a ciência  de maneira integrada em todos os âmbitos. 



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