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Opinião Maurício Rands: Turismo acessível às pessoas com deficiência Maurício Rands é advogado formado pela FDR da UFPE, PhD pela Universidade Oxford

Publicado em: 04/12/2017 07:08 Atualizado em: 04/12/2017 08:01

Estimativas da ONU indicam que mais de 1 bilhão de pessoas têm alguma forma de deficiência. Com a longevidade hoje ampliada, teremos todos uma proporção maior de nossas vidas com alguma deficiência. Desenvolver programas e equipamentos acessíveis às pessoas com deficiência torna-se, pois, um imperativo que beneficia a todos. É este o escopo do chamado turismo acessível,  um movimento que chama a atenção para a necessidade de acessibilidade dos equipamentos de turismo e lazer a pessoas com deficiência. 

Claudia Lorena nasceu em San Luís de Potosí, a 600 Km da cidade do México. Sua melhor amiga de infância perdeu a visão. Com ela, pôde constatar que as pessoas com deficiência também querem e precisam conhecer outros lugares, pessoas, mentalidades e costumes.
Mas que enfrentam obstáculos muitos. Isso a fez reorientar a agência Viaja con Tlachtli de turismo criada por seu pai, cujo lema é Cuétame tu sueño y lo hacemos realidad. Por que não desenvolver ‘recorridos’ (excursões) para essas pessoas? Hoje os 30 funcionários de sua agência sabem braille. Dois deles não enxergam. A agência oferta programas aos sítios arqueológicos, cavernas, trilhas e todas as demais formas de turismo de aventura.  O detalhe é que esses programas são oferecidos às pessoas com deficiência. Que, junto com os parentes e amigos, constituem a base da clientela. Cláudia visita hotéis e restaurantes para sensibilizá-los quanto às mudanças necessárias para acolher potenciais clientes que têm alguma descapacidad. Conta-me que viu muitos deles reagirem quanto aos custos das reformas necessárias. Mas que, depois, perceberam a fidelidade da nova clientela, ampliando seu mercado.

Nélida Barbeito,  argentina, tem uma deficiência motora que a obriga a usar  cadeira de rodas ou scooter. Também guiada pela curiosidade por conhecer outros povos e lugares, sentiu-se atraída pelo conceito de turismo acessível desde quando fez o curso de turismo e, depois, pós-graduação sobre acessibilidade e desenho universal na Universidade de Cataluña em Barcelona. Hoje assessora hotéis e empresas de turismo para ajudá-los a ofertar soluções de acessibilidade aos seus  clientes.  Criou o primeiro hotel 100% acessível na Argentina, o Solar del Pago, no qual todos podem se locomover sem escadas ou degraus. Viaja muito e participa da Rede de Turismo Inclusivo do Instituto Interamericano sobre Deficiência e Desenvolvimento Inclusivo. Suas experiências e a de muitos outros turistas com alguma deficiência são bem relatadas em seu blog (http://nelidabarbeito.blogspot.com.ar/). 

As vidas de Cláudia e Nélida são testemunhos do quanto já se fez para que as pessoas com alguma deficiência tenham direito a desfrutar dos equipamentos da indústria do turismo e lazer. Mesmo em suas cidades. Suas atividades profissionais realizam um ideal a que foram despertadas por experiências diretas ou de entes queridos. Para quem tem alguma deficiência física, cada vez mais existem meios que lhes permitem praticar atividades antes inimagináveis. O mundo se apercebe que o turismo é uma atividade que pode ser acessível a todos. Por isso, foros internacionais como a Organização Mundial do Turismo e a OEA propõem que os  governos e as empresas promovam políticas públicas para fomentar o turismo acessível como instrumento de desenvolvimento humano e cidadania para as pessoas com deficiência.




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