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Opinião Moacir Veloso: O martírio das crianças violentadas Moacir Veloso é advogado

Publicado em: 28/11/2017 07:26 Atualizado em:

Cristina tinha apenas 10 anos, morava com os pais e quatro irmãos mais velhos, num bairro da periferia de São Paulo. Estudava pela manhã e à tarde, após fazer o dever de casa saia para brincar com suas colegas da vizinhança. Sua rotina era essa, até que certo dia foi abordada por um senhor bem vestido, que dirigia um carro muito bonito. Ele parou o carro, abriu a porta e convidou-a para tomar sorvete. Cristina, não se sabe por que, aceitou o convite, entrando no automóvel. O homem, ao invés de parar numa sorveteria, levou-a para um terreno baldio, onde, pela força bruta, obrigou Cristina a satisfazer seus instintos sexuais abjetos. O abuso durou cerca de meia hora. Num simples exercício de imaginação, podemos reproduzir mentalmente os momentos de terror e intenso sofrimento físico e psicológico aos quais ela foi submetida. Após consumar o ato, o maldito pedófilo deixou-a no mesmo lugar onde a sequestrou. Cristina vai carregar pelo resto da vida essa cruz que é o trauma causado pela violência que sofreu. Algumas vítimas, com o passar do tempo e conforme os temperamentos conseguem superar esse episódio e seguir em frente, outras não se libertam e tornam-se seres deprimidos e incapazes de tocar a vida como ela é. O crime é denominado estupro de vulnerável, previsto no art. 217-a do Código Penal: Ter conjunção carnal ou praticar ato libidinoso com menor de 14 anos – pena: reclusão de 8 a 15 anos. Só em São Paulo, segundo dados da Secretaria de Segurança, entre janeiro e março deste ano, foram registradas 1.794 denúncias envolvendo estupro de vulnerável. O combate à prática desse gravíssimo crime tem sido intenso, e as Polícias de todo o país têm implementado numerosas operações efetuando dezenas de prisões e mandados de busca e apreensão de material obsceno. A Operação Glasnost, iniciada pela Polícia Federal em 2013 continua a todo o vapor. Em 25 de julho passado, deflagrou uma investida em 51 municípios dos estados de Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Ceará, Pernambuco, Bahia, Maranhão, Piauí, Pará e Sergipe. Causou comoção o caso de uma criança que, entre 2 e 8 anos de idade, foi continuamente violentada pelo pai. Foram presas 33 pessoas, entre professores, médicos e familiares das vítimas de abuso, além de um idoso de 80 anos. Aparentemente estamos diante de um problema de dificílima solução, que seria a erradicação desse crime monstruoso, através da prisão em massa dos pedófilos, e a implementação de políticas públicas e privadas de proteção às vítimas potenciais: as crianças. Na prática, a teoria é outra. Sequer temos um cadastro eficiente dos pedófilos em atividade no país. Por outro lado, sabe-se que uma boa parte deles faz parte da própria família da vítima, circunstância que dificulta a identificação dos criminosos. Resta-nos pedir a Deus, com muita fé, que nos ilumine e inspire para encontrarmos uma saída para por fim de uma vez por todas à impunidade dos integrantes dessa subespécie humana: os tarados sexuais abusadores de crianças.
 


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