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Governo Texto final da reforma da Previdência será apresentado nesta noite Temer fará um corpo a corpo intenso com governadores, prefeitos e deputados para convencê-los sobre a importância das mudanças nas regras das aposentadorias

Por: Paulo de Tarso Lyra

Por: Rodolfo Costa - Correio Braziliense

Por: Hamilton Ferrari - Correio Braziliense

Publicado em: 22/11/2017 07:54 Atualizado em:

Temer, em cerimônia no Planalto: "Vamos equiparar os sistemas público e privado. Estamos fazendo esse esclarecimento com o objetivo de podermos sobreviver nos próximos anos". Foto: Marcos Corrêa/PR
Temer, em cerimônia no Planalto: "Vamos equiparar os sistemas público e privado. Estamos fazendo esse esclarecimento com o objetivo de podermos sobreviver nos próximos anos". Foto: Marcos Corrêa/PR


Uma quarta-feira para convencer o maior número de pessoas sobre a importância da reforma da Previdência. O presidente Michel Temer almoçará com governadores a pedido do governador Rodrigo Rollemberg (PSB-RJ), dará posse a um ministro do “Centrão”, indicado pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), deixará um espaço na agenda para receber uma comissão de prefeitos e jantará com parlamentares aliados e representantes do mercado para destrinchar a proposta de emenda constitucional que pretende aprovar na Câmara ainda este ano.

Ontem, durante audiência na Câmara, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, destacou que a aprovação da matéria na Casa ainda este ano é um passo importante a ser tomado. Segundo ele, o governo federal já tem uma visão de como vai ficar o texto final da reforma da Previdência, e que é preciso aguardar as negociações para saber se o Palácio do Planalto terá os 308 votos necessários para aprovação.

O encontro com governadores, que contará com a presença dos ministros palacianos, é outra medida para cobrar apoio dos chefes de executivos estaduais para aprovar a reforma da Previdência. “O presidente vai apelar pelo sucesso da reforma e ressaltará a importância dela a todas as esferas do poder”, ressaltou um interlocutor. O novo texto da PEC será apresentado somente em um jantar que será realizado no Palácio da Alvorada. Estarão presentes pelo menos 200 pessoas, entre representantes políticos e do mercado financeiro, como Marcos Lisboa, Samuel Pessoa e José Márcio Camargo.

O novo texto vai combater os privilégios, prever idade mínima e uma regra de transição, afirmou Temer ontem, em discurso no Planalto. “Temos limite de idade e vamos equiparar os sistemas público e privado no tocante à Previdência Social. Estamos fazendo esse esclarecimento com o objetivo de podermos sobreviver nos próximos anos”, afirmou.

Além das articulações políticas, o governo trabalha em uma comunicação melhor junto à população para conscientizar a sociedade sobre a reforma. Temer afirmou que o governo está prestando esclarecimentos, e não “fazendo publicidade”. “Quando verificarem na televisão e jornais uma suposta publicidade da Previdência, não se trata disso. Trata-se de esclarecimento, porque as manifestações equivocadas têm sido muito amplas. E volto a dizer: equivocadas. O que temos feito é dizer que estamos fazendo uma reforma que vai causar vantagens para a Previdência Social”, disse.

Para reforçar essa parte, foi escalado o vice-líder do governo na Câmara, Darcísio Perondi (PMDB-RS). Ele estará amanhã, na Casa do Saber, em São Paulo, para reunir-se com a nata do PIB, pedindo ajuda para o financiamento na publicidade para convencer a opinião pública sobre a importância de aprovar a emenda constitucional.

Posse de ministro

No meio da tarde, Temer empossa Alexandre Baldy (sem partido) como novo ministro das Cidades. Baldy deixou o Podemos na última segunda-feira e vai filiar-se ao PP no sábado, embora haja interesse do PMDB em atravessar a filiação. “Ele já estava acertado para vir para o PP. Só não tinha vindo ainda porque queria trazer outros deputados, mas houve problemas nos palanques estaduais e ele veio sozinho”, garantiu o presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PI).

Outra vaga que pode entrar na reforma ministerial é a Secretaria de Governo. O PMDB fechou ontem o apoio ao deputado Carlos Marun (MS) para substituir o tucano Antonio Imbassahy (BA). Marun concordou em abrir mão de se candidatar, pressionado pelo desgaste do ex-governador peemedebista André Pucinelli, que chegou a ser preso na semana passada durante a 5ª Fase da Operação Lama Asfáltica.

A dúvida, no entanto, é justamente como ficará a situação de Imbassahy no governo. “Imbassahy é um ministro que esteve com Temer em todas as últimas reuniões. Ontem, em cerimônia no Planalto, entrou junto de Temer e recebeu elogio publicamente. É alguém da confiança do presidente”, ressaltou um interlocutor. “O presidente tem interesse que ele continue. Estão conversando sobre isso e não tem nada oficial até o momento”, afirmou outro interlocutor.

Todo o esforço serve para vencer as resistências que ainda existem entre os deputados, inclusive aqueles mais fiéis. “É muito difícil convencer os deputados a votarem a reforma sabendo que a proposta vai impactar na eleição dele. Esta é uma proposta que deve ser votada no primeiro ano de mandato”, afirmou o líder do DEM na Câmara, Efraim Filho (PB).

Agenda cheia

» Almoço com governadores

Temer vai aproveitar o encontro pedido por Rodrigo Rollemberg para apresentar uma pauta unificada dos chefes estaduais e pedirá que eles convençam as bancadas de deputados e senadores a votar a favor da reforma da Previdência

» Posse do novo ministro

O presidente empossará Alexandre Baldy como ministro das Cidades. Ele tem o apoio do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), vai filiar-se ao PP, uma das legendas mais fiéis ao Planalto, e, de quebra, o partido não perderá o Ministério da Saúde, o qual já comanda

» Prefeitos

Existe a possibilidade de Temer receber uma comissão de prefeitos no fim da tarde. Estrategistas governistas explicam que são eles que fazem campanhas para deputados e vereadores e que podem ajudar no processo de convencimento das bancadas

» Base aliada

Cerca de 200 pessoas, entre parlamentares e economistas do calibre de Marcos Lisboa (Insper) e José Márcio Camargo (economista-chefe da Opus Investimentos e professor da PUC-RJ), discutirão a proposta de reforma, que será apresentada aos aliados pelo relator Arthur Maia 
(PPS-BA)


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