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Enchentes Nova fase da Operação Torrentes, deflagrada nesta terça, cumpre 11 mandados de prisão Prisões foram determinadas pelo Ministério Público Federal e 10 dos nomes que foram novamente citados foram presos temporariamente na primeira fase e liberados por habeas corpus

Por: Aline Moura - Diario de Pernambuco

Por: Leonardo Malafaia - Diario de Pernambuco

Publicado em: 21/11/2017 20:29 Atualizado em: 21/11/2017 22:49

A Polícia Federal cumpriu, na tarde desta terça-feira (21), nove mandados de prisão preventiva e dois de prisão domiciliar em um novo desdobramento da Operação Torrentes, que investiga desvio de recursos públicos nas enchentes de 2010 e 2017. Dois dos suspeitos são integrantes da Polícia Militar – o coronel Fábio de Alcântara Rosendo e o tenente-coronel Laurindo Félix do Nascimento. Eles haviam sido presos temporariamente na primeira fase da operação, mas foram liberados por habeas corpus após a decisão da juíza da 36ª Vara Federal, Carolina Souza Malta, que indeferiu o pedido de prorrogação de 14 prisões temporárias poucos dias após a operação ser deflagrada, no dia 9 de novembro.

Na primeira fase da Torrentes, Laurindo Félix ficou detido em casa, usando tornozeleira eletrônica, por questões de saúde. Ele era coordenador administrativo da Casa Militar, órgão que é ligado diretamente ao gabinete do governador Paulo Câmara. Já o coronel Fábio Rosendo era secretário-executivo de Defesa Civil, responsável por desenvolver ações para evitar ou minimizar acidentes e calamidades. Ambos foram afastados do cargo, segundo garantiu Paulo Câmara no último dia 13 de novembro passado. “Designações serão feitas no dia hoje para suprir servidores que não possam estar trabalhando. Suspeição precisa ser investigada e suspeição precisa que as pessoas tenham a consciência de que elas vão ter que ficar fora das tarefas que tenham relação com as investigações”, destacou o governador, na ocasião.

Segundo o chefe de comunicação social da PF, Giovani Santoro, as prisões foram solicitadas pelo Ministério Público Federal decorrentes de novos fatos surgidos dentro da investigação, "o que ensejou o convencimento por parte da Justiça para decretação das prisões, principalmente após análise de alguns documentos apreendidos durante a operação". De acordo com Santoro, "os oficiais também foram obrigados a entregar os seus passaportes, tiveram o afastamento das funções públicas e deverão pagar fiança posteriormente (valor a ser informado pela Justiça). Todos os presos passarão por audiência de custódia e serão encaminhados caso as ordens judiciais para os respectivos sistemas prisionais. Os homens vão para o Cotel e as mulheres, para a Colônia Penal Feminina!"

Entre os nomes que foram presos nesta terça, o único que não constou na lista da primeira fase foi Emanoel Feliciano Ribeiro, mas a Polícia Federal ainda não deu detalhes do seu suposto envolvimento no caso.
 
Ricardo Padilha, preso pela quarta vez

Ricardo José de Padilha Carício foi preso pela quarta vez hoje. Ele uma figura recorrente nas investigações da Polícia Federal e em polêmicas envolvendo licitações. Neste ano, o empresário esteve ligado a outros episódios em Pernambuco. O mais recente é a própria Operação Torrentes, devido a suspeitas no fornecimento de gêneros alimentícios para os afetados pelas enchentes na Mata Sul.

De acordo com a PF, em setembro, durante as investigações da Operação Mata Norte, que apurava indícios de fraudes no fornecimento de merenda escolar no município de Lagoa do Carro, o empresário tentou diversas vezes enganar os investigadores. Uma semana antes de ser preso, em 29 de setembro, ele passou a dormir em diversos locais diferentes, como, por exemplo, hotéis e residências de familiares e, nesse meio tempo, tentava ocultar e destruir provas. Ainda segundo os agentes, Padilha, constantemente, visitava o seu apartamento e retirava documentos, o que foi interpretado como uma tentativa de destruir provas.

Padilha foi indiciado pelos crimes de desvio de recursos públicos, fraude em licitação e associação criminosa, porém, foi solto em 11 de outubro. Após a Operação Mata Norte, o Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE), por meio do conselheiro e presidente do órgão, Carlos Porto, orientou os prefeitos e secretários que promovessem "uma análise dos contratos com as empresas citadas" – entre elas a FJW Empresarial LTDA, empresa de Padilha.

A FJW possui diversos objetos sociais de atuação, que vão de comércio atacadista, fabricação de prédios, casas de madeira e concreto pré-fabricadas, construção de instalações esportivas e recreativas, pintura, e uma série de atividades de engenharia, além de impressão de material para uso publicitário; fabricação de estruturas metálicas, instalação de equipamentos industriais e incorporação de empreendimentos imobiliários.

Nos 460 empenhos que constam no site do TCE relacionados a FJW, 215 são relativos a contratos com municípios e 247 com o estado, somando um total de R$ 46,9 milhões em recursos destinados à empresa.

FORAM PRESOS PREVENTIVAMENTE:

1.    HEVERTON SOARES DA SILVA- PRISÃO PREVENTIVA;
2.    ÍTALO HENRIQUE SILVA JAQUES-PRISÃO PREVENTIVA;
3.    RICARDO JOSÉ DE PADILHA CARÍCIO-PRISÃO PREVENTIVA;
4.    RAFAELA CARRAZZONE DA CRUZ GOUVEIA PADILHA-PRISÃO PREVENTIVA;
5.    DANIEL PEREIRA DA COSTA LUCAS-PRISÃO PREVENTIVA – NÃO ENCONTRADO;
6.    TACIANA SANTOS COSTA-PRISÃO PREVENTIVA;
7.    RICARDO HENRIQUE REIS DOS SANTOS-PRISÃO PREVENTIVA;
8.    JOÃO HENRIQUE DOS SANTOS-PRISÃO PREVENTIVA;
9.    EMANOEL FELICIANO RIBEIRO-PRISÃO PREVENTIVA;
10.  RICARDO HENRIQUE REIS DOS SANTOS - PRISÃO PREVENTIVA;

PAGAMENTO DE FIANÇA


1. LAURINALDO FÉLIX NASCIMENTO - TC/PM
2. FÁBIO DE ALCÂNTARA ROSENDO - CEL/PM

Foram aplicadas medidas cautelares alternativas à prisão aos militares, consistentes em pagamento de fiança de 10 salários mínimos, suspensão da função pública, proibição de frequentar a Casa Militar, apreensão do passaporte e proibição de falar com os demais investigados.


FORAGIDO

Daniel Pereira da Costa Lucas 



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