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OPINIÃO Luzilá Gonçalves Ferreira: Pernambuco: o governo das almas no Sertão Luzilá Gonçalves Ferreira é Doutora em Letras pela Universidade de Paris VII e membro da Academia Pernambucana de Letras

Publicado em: 14/11/2017 07:01 Atualizado em:

Durante séculos, e por conta mesmo de sua importância – geográfica, econômica, social, política, – nosso estado foi objeto da fala de historiadores, viajantes, comerciantes, missionários, poetas. Relatos diversos, estudos, uma importante iconografia, relatórios oficiais, falaram de como nos constituímos politicamente, descreveram nossa paisagem, as lutas pela conquista do território que é hoje o nosso, e como viviam aqui os que nos antecederam nessa luta. Foram escritos aqui, publicados em outras partes do mundo, em Portugal, na França, na Holanda, na Alemanha. Nos últimos anos vimos surgir uma grande produção de sérios e importantes estudos de nossa história menos recente, devido a estudos de universitários, sob forma de teses de mestrado e doutorado, que interessam editoras, oficiais ou não. De fato, um jeito novo de nos escrever, que une a seriedade das pesquisas, leitura de documentos institucionais ou não, ao gosto de escrever, de descrever, que transforma o que poderia ser um trabalho acadêmico em um objeto de cunho quase estético, que o leitor lê com prazer. Entre tantos outros, penso em O sexo devoto, de Suely Cordeiro de Almeida, em Nas solidões vastas e assustadoras, de Karina Vanderlei, e, mais recentemente, o extraordinário O governo das almas, a expansão colonial no país dos tapuias, 1651-1798, que a gente lê como um romance, de Marcos Galindo, professor no Departamento de Ciências da Informação, da UFPE. Estudado e apresentado por um de nossos maiores especialistas da história de Pernambuco, Evaldo Cabral de Melo, o livro, resultado de uma tese de doutorado, defendida na Universidade de Leiden, acompanhado de uma impressionante bibliografia, levou o autor a pesquisar arquivos relativos à história de Pernambuco e de outras partes do Brasil, na Holanda, em Portugal e no Vaticano, Entre outras afirmações, escreve Evaldo, que o livro é um dos mais importantes aportes à história da colonização do Nordeste, demonstrando que a um século de distância, a inspiração de Capistrano de Abreu ainda produz, entre os novo historiadores brasileiros, trabalhos valiosos como esse que o leitor tem agora em mãos. O livro, publicado pela Hucitec, na Coleção Estudos Históricos, será lançado proximamente no auditório da editora da Ufpe, com apresentação de Lourival Holanda. A esse livro voltaremos na próxima semana.
 


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