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Opinião Raimundo Carrero: A poesia se agiganta em Pernambuco com Sônia Marques Raimundo Carrero é escritor e jornalista

Publicado em: 13/11/2017 07:22 Atualizado em:

Vocês sabem quem é Sônia Marques? Não, não estou falando da professora de francês, ex-dirigente do Instituto dos Arquitetos de Pernambuco, não estou falando desta Sônia. Esqueçam. Refiro-me à Sônia poeta, esta que acaba de lançar o livro Onde todo tempo é breve pela Cepe, esta editora estual cuja presença hoje é marcante na vida literária pernambucana.
Quem responde com precisão é a querida Luzilá Gonçalves Ferreira, com estas palavras: “Sônia trouxe um jeito todo seu de interrogar paisagens físicas e internas”. Pronto. Fala Luzilá e eu preciso de um artigo inteiro para explicar. Se é que a poeta precisa mesmo de algum tipo de explicação. Sônia conhece a poesia com sensibilidade e técmica.
Neste momento ela está na Oficina de Criação Literária, onde estuda as técnicas ficcionais, Aliás, é sempre muito difícil dizer onde ela se encontra neste momento. Sônia pode estar agora em Paris, Lisboa ou Recife, quem sabe? Só Deus. Talvez nem ela mesmo saiba. Muitas vezes nos encontramos no Centro Cultural, mas logo depois sou informado pela minha secretária de que se encontra na Europa. Tudo isso para dizer que ela escreve um poema assim: “E os passos retornavam sempre à casa E, na casca, pé e passos se fechavam Inúteis sendo fugas e percalços as malas se encheram de cansaço e do desejo certo e confortável de passear na casa os pés descalços”.
Ou assim: “neste Carnaval a minha fantasia foi deixar-me acontecer alegre ou triste, foi esquecer que o Carnaval é triste sem frevo ou álcool como companhia. Já ouvi todos os sons, clarins de Momo atrás de estandartes, fui em busca de certeza e alegria  a quaisquer custos hoje, ao lembrar, eu me pergunto como eu enfrentava olhar, desprezo e ironia, dos quantos a minha dança ameaçava, ainda achava pouco, desafiava fosse com Cariri ou a Flor de Lira. Mas foram tantos carnavais, tempo passando eu me cansei de Blocos da Saudade carnes expostas, açougues da cidade. Hoje, ao pensar eu me pergunto quando será chegada aquela nova dança. Quero calar, e Assim, muda me invadirá o som que ora me ajuda. Ao ensaiar os passos da esperança.
Percebe-se assim que Sônia é, na verdade, uma poeta de qualidade. Aguardem agora o lançamento do brihante livro da poeta Marilena de Castro, O passado é noite, com prefácio de Marcelino Freite e capa magnífica de Pedro Buarque.


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