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Diario Editorial: Valorizar a ciência

Publicado em: 13/11/2017 07:17 Atualizado em: 13/11/2017 07:19

A pesquisa científica no Brasil precisa de todo o apoio do governo federal para que projetos de importância vital para o desenvolvimento econômico sustentável não sejam paralisados, ou nem mesmo comecem, por falta de recursos, o que pode significar prejuízos irrecuperáveis. Além disso, se os ocupantes dos mais importantes cargos no Palácio do Planalto não derem o valor que a ciência merece, jovens talentosos, que representam o futuro do conhecimento nacional, serão forçados a deixar o país e desenvolver seus trabalhos em países onde a produção científica é prioridade absoluta.

Inquestionável é que sem pesquisa não existe progresso científico e tecnológico e sem este não há inovação e competitividade em todos os setores produtivos, notadamente na indústria e na agricultura. O Brasil não pode perder a oportunidade de ingressar no seleto clube das nações avançadas tecnologicamente, e, somente através de aporte dos recursos necessários, a comunidade científica estará apta a cumprir seu insubstituível papel de colocar o país na vanguarda do conhecimento global.

Não se questiona a acertada medida adotada pela equipe econômica para contenção dos gastos públicos e consequente ajuste fiscal. Incompreensível, entretanto, o motivo pelo qual o maior corte no orçamento dos ministérios, neste ano, foi justamente no da Ciência, Tecnologia, Inovações e Telecomunicações (MCTIC). É o menor orçamento dos últimos anos. Em 2017, foram autorizados recursos de R$ 3,2 bilhões (já descontada a inflação), o que corresponde a apenas 37% disponibilizado em 2010.

O quadro de dificuldade pode ser mensurado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), vinculado ao MCTIC e que tem a Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) como principal fonte de verbas para pesquisas no Brasil. O FNDCT, que já teve recursos de R$ 4 bilhões em anos anteriores, em 2017 teve um orçamento de somente R$ 1,2 bilhões, sendo autorizado a gastar apenas metade deste valor. Hoje, a Finep não tem como investir em novos projetos de inovação.

Estudos revelam que o retorno social em investimentos em ciência e tecnologia são significativos. Os governantes têm de se conscientizar que a paralisação de projetos estratégicos terá reflexos mais do que negativos na economia. Reconhecer que a pesquisa é tão importante para o país quanto educação, saúde e segurança, as três áreas mais protegidas quando há limitação de gastos públicos.

A necessidade de investimentos constantes é real, pois o desenvolvimento da ciência e tecnologia se dá de forma galopante em todo o mundo. Parar projetos de pesquisa e deixar de desenvolver novos seguramente vai comprometer o futuro do país. Por isso, valorizar a área do conhecimento dever ser prioridade para toda a sociedade brasileira.


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