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Diario Editorial: Preço das passagens sobe em vez de cair

Publicado em: 14/10/2017 08:20 Atualizado em:

A lógica parecia bem simples: dado que as companhias aéreas iriam passar a cobrar pelas bagagens despachadas, o resultado previsto era que os preços das passagens começassem a cair. Esta era a previsão da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e a promessa da Associação Brasileira de Empresas Aéreas (Abear). Para que não reste dúvidas sobre isso, vejamos o que diz matéria do Estado de S. Paulo de 26 de julho do ano passado: “O preço das passagens aéreas cairá caso a Anac autorize as empresas aéreas a cobrarem taxa extra para despachar as malas dos passageiros. A afirmação foi feita nesta terça-feira (26) pelo presidente da Abear, Eduardo Sanovicz, durante o lançamento da 2ª edição do Guia do Passageiro, um livreto de bolso com dicas para a viagem de avião”.

Como é sabido por todos, a Anac autorizou a cobrança da taxa extra — e o que está acontecendo é o inverso do previsto e do prometido, conforme se vê em matéria do mesmo jornal, nesta sexta: “O preço das tarifas tem subido desde que a empresas começaram a adotar a prática. Entre junho e setembro, essa alta chegou a 35,9%, segundo dados da FGV. De acordo com levantamento do IBGE, entretanto, a elevação foi mais moderada, de 16,9%”. O título da matéria de um ano atrás, antes da autorização da cobrança da taxa, era: “Preço de passagem aérea cairá com fim da franquia de bagagem, afirma Abear”. Já o título da nova reportagem era este: “Após cobrança por bagagens, preços das passagens aéreas sobem no país”.

A cobrança da taxa era uma reivindicação antiga das companhias aéreas, argumentando que este era o padrão internacional. De acordo com informações da Anac, só três países mantêm a regra de que os passageiros tenham direito a despachar pelo menos uma bagagem sem cobrar: México, Rússia e Venezuela. Mas o Ministério Público Federal em São Paulo questionou a adoção da prática (antes de ela ser implantada), considerando que na verdade o setor era pouco competitivo e não havia entre as companhia “grande disputa por tarifas mais baixas”.

Os levantamentos que constatam aumento de preços nas passagens são da FGV e do IBGE. Em um estudo próprio, a Abear divulgou dados que apontavam tendência de queda nos preços, mas o trabalho não convenceu o governo e, desde o final do mês passado, está sob averiguação pelo Ministério da Justiça.

O fato é que, no período de pouco mais de um ano, temos duas realidades completamente diferentes. Para conseguir apoio à cobrança da taxa por bagagem, a promessa era que isso iria levar à redução do preço das passagens — a realidade que FGV e IBGE mostram agora, porém, é o contrário do prometido. A Anac e o Ministério da Justiça devem averiguar a fundo esta situação, e tomar as providências que se façam necessárias, para evitar que os usuários saiam dessa história como tolos apanhados numa promessa puramente retórica.
 


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