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Artigo Opinião: Política externa é importante

Publicado em: 09/11/2015 13:39 Atualizado em:

Alexandre Vidal Porto
Escritor e diplomata

Todo país tem de ter uma política externa. A maneira como o Estado moderno se organiza, exercendo soberania sobre territórios definidos, exige que os governos dos diferentes países conversem entre si. Não tem jeito.

A política externa pode tratar de comércio, defesa, fronteiras, cooperação internacional, o que seja. A ideia é que suas diretrizes orientem a ação de um país no mundo e ajudem a construir sua identidade no cenário internacional.

A política externa defende princípios e interesses nacionais, que, no caso do Brasil, estão indicados na Constituição Federal. Essa defesa deve buscar benefícios que sejam revertidos para o projeto de desenvolvimento nacional. Tudo o que se faz no exterior tem - ou deve ter - como objetivo o bem-estar do país.

A Constituição brasileira também determina que a competência  para a elaboração da política externa é do Ministério das Relações Exteriores e do seu corpo de funcionários, todos admitidos por concurso público.

Durante 70 anos, sucessivos governos se beneficiaram da contribuição de diplomatas formados pelo Instituto Rio Branco,  escola cuja excelência é reconhecida internacionalmente.

No entanto, no governo Dilma, a contribuição dos diplomatas foi recusada. A presidente nunca escondeu seu desprezo pelos modos diplomáticos e ignorou temas internacionais, como se eles não tivessem importância. Na maioria das vezes, buscou  e seguiu o conselho de assessores leigos, alguns dos quais fizeram o vestibular do Instituto Rio Branco sem conseguir aprovação.

Com a empáfia que trouxe o Brasil ao descalabro, a Presidente deixou Chefes de Estado esperando e destratou Embaixadores estrangeiros. Para completar, reduziu os recursos do Itamaraty a menos de 1% do orçamento, comprometendo seriamente a ação do Brasil no exterior.

Dívidas junto a organismos internacionais se acumulam.  Embaixadas lutam para pagar contas em dia, muitas vezes sem sucesso. O Brasil passa vergonha. A Presidente parece não ligar.

Se o Itamaraty não produzisse nada para o Brasil, perfeito, mas o Itamaraty produz. Ao longo dos anos, gerações de diplomatas construiram e representaram nossa nacionalidade. de maneira a dar um a boa imagem do país e seu povo no exterior.
Bem equipado, o Itamaraty produzia prestígio, e prestígio tem valor no cenário internacional. Quem tem prestígio tem acesso e credibilidade.

O que tem acontecido é o contrário, e as mãos do Itamaraty se encontram atadas.
Enquanto isso, na semana passada, a Presidente deixou os Príncipes do Japão, que cruzaram o mundo para vê-la, esperando por 20 minutos. Eu morei no Japão. Há pouca ofensa pior que deixar um visitante esperando. Acho que os japoneses se lembrarão para sempre da autora pessoal dessa desfeita. Só espero que se esqueçam de que país ela provém.


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