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Audiência pública No Recife, Bolsonaro diz que namora partido de Feliciano e chama pernambucano de "ovelha negra" Deputado também não quis se posicionar sobre a cassação do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Para ele, o primeiro objetivo é o impeachment de Dilma

Por: Tércio Amaral

Publicado em: 06/11/2015 12:28 Atualizado em: 06/11/2015 15:00

Deputado Jair Bolsonaro foi bastante aplaudido. Foto: Tércio Amaral/DP/D.A. Press
Deputado Jair Bolsonaro foi bastante aplaudido. Foto: Tércio Amaral/DP/D.A. Press
O deputado federal do Rio de Janeiro, Jair Bolsonaro (PP), conhecido nacionalmente por sua posições ultraconservadoras, foi recebido com bastante entusiasmo na Assembleia Legislativa de Pernambuco na manhã desta sexta-feira (6). O parlamentar, que teve dois compromissos na Casa, concedeu às 8h da manhã uma coletiva de imprensa, e logo depois, participou de uma audiência pública sobre o desarmamento à convite do deputado estadual da bancada evangélica Joel da Harpa (Pros).

Aos jornalistas, o parlamentar não escondeu suas pretensões de disputar à Presidência da República nas eleições de 2018. Bolsonaro revelou que pode mudar até de partido para não ter seus desejos contrariados. Ele cogita sair do PP para o PSC, do deputado e pastor Marco Feliciano. A articulação foi intitulada por Bolsonaro como “namoro”.

O problema é que, o PSC, mesmo na oposição, tem o vice-líder do governo na Câmara, o deputado federal de Pernambuco Silvio Costa Filho, que foi tratado pelo convidado “ilustre” como “ovelha negra do partido”. Isso porque Silvio está ganhando notoriedade na Câmara em defender o governo da presidente Dilma Rousseff (PT).

“Eu sou daquela linha: os incomodados que se retirem. Dentro do PSC, ele é uma ovelha negra. Não vou criticar sua atuação parlamentar. É um direito dele defender quem quer defender, votar com quem bem entender, no caso, o governo”, disse Bolsonaro, que ainda reforçou que sabe “conviver com seus contrários”.

“Existem 13 deputados no PSC, e, geralmente, o placar no PSC é 12 a 1. E ele (Silvio Costa) não sofre qualquer retaliação no PSC, assim como eu não sofro dentro do PP. O Silvio Costa, como tantos outros, não é um problema pra mim”, frisou.

Em cima do muro no caso Eduardo Cunha

Bolsonaro, que é conhecido também em virtude de suas afirmações polêmicas evitou, no entanto, fazer avaliações sobre a cassação do presidente da Câmara, o deputado do Rio de Janeiro Eduardo Cunha (PMDB).

“Vamos resolver o caso da Dilma, no caso o impeachment, depois resolver o caso de Eduardo Cunha”, disse ao ser perguntado se seria contra ou a favor da cassação de Cunha. Bolsonaro não revelou sua posição sobre o caso e disse que aguarda o parecer do Conselho de Ética da Câmara. “Eu só posso dar meu voto lá em Brasília, assim como o meu filho, quando se processa e chegar em plenário”.

Militantes de esquerda, apesar de serem minoria, protestaram contra Bolsonaro na Assembleia Legislativa. Foto: Tércio Amaral/DP/D.A. Press
Militantes de esquerda, apesar de serem minoria, protestaram contra Bolsonaro na Assembleia Legislativa. Foto: Tércio Amaral/DP/D.A. Press

Cunha é acusado de ter mentido à CPI da Petrobras ao negar que possuía contas no Exterior. Posteriormente, a pedido da Procuradoria-Geral da República, um inquérito foi aberto no Supremo Tribunal Federal (STF) para apurar se contas atribuídas a Cunha na Suíça foram abastecidas com propina do esquema de corrupção da Petrobras investigado na Operação Lava-Jato.

Ao falar de Eduardo Cunha, Bolsonaro citou um processo que, segundo ele, foi acusado injustamente. “Nós não somos integrantes do Conselho de Ética. Assim como eu falei, eu também sofro processo. Eu tenho que ter, pelo menos, a suspeição da inocência. O caso da Preta Gil, por exemplo, foi arquivado porque o CQC não entregou a fita bruta, onde o jornalista Marcelo Tas inverteu as respostas de forma criminosa. Não apresentou a fita bruta para não gerar provas contra si. O caso foi arquivado”.

Em 2011, ele foi processado pela cantora Preta Gil ao ser perguntado se teria problemas em ter um filho gay ou que algum dos seus filhos fossem casados com uma mulher negra. Sobre os gays, respondeu que seus filhos tinham “educação” e por isso não correriam esse “risco”. Já em relação a Preta, que é filha do cantor Gilberto Gil, disse que seus “filhos foram muito bem educados e não viveram em ambiente como, lamentavelmente, é o teu”. O caso foi arquivado.

Audiência virou palanque político

Inicialmente planejada para ser um debate sobre desarmamento, a audiência com o deputado Jair Bolsonaro se transformou num verdadeiro palanque. No plenário da Assembleia, o deputado criticou o governo da presidente Dilma e era tratado por jovens (a maioria homens adolescentes) como “presidente”. Os militantes aplaudiam qualquer referência a Bolsonaro, até mesmo as mais polêmicas sobre o Nordeste.

“O pai da minha mulher é motorista aposentado e negro. Mora no Ceará e é conhecido como Paulo Negão. Eu me casai com ela para persegui-la?”, discursou o deputado, que é acusado de racismo, machismo e homofobia por movimentos sociais organizados. O discurso voltado ao Nordeste foi para desconstruir o “mito”, segundo ele, de que perseguiria nordestinos caso eleito presidente.

Antes de subir ao plenário da Casa, Bolsonaro criticou o ensino de gênero no Brasil e citou a filósofa Simone de Beauvoir como “aquela escritora” ao se referir a questão da redação do Enem deste ano sobre violência contra a mulher. “Eu não sou contra os homossexuais. Sou contra o Kit Gay. Hoje o governo brasileiro está preocupado com quem as criancas vão ficar, enquanto no Japão as crianças resolvem operações matemáticas complexas”, disse na coletiva, pela manhã.

Confira a recepção de Bolsonaro no Aeroporto dos Guararapes

O filho de Bolsonaro, o também deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSC-SP), chegou a brincar com o tema: “Dizem que ele é contra os homossexuais, machista… eu acho que ele seria assexuado, não”, disse ao tirar risos dos militante. “O segundo casamento do meu pai foi com uma mulata”, emendou.

O deputado estadual Edilson Silva chegou a participar da solenidade, mas se retirou. Edilson defendeu o regime democrático e foi vaiado pelos militantes. “A família de Bolsonaro é bem-recebida em Pernambuco, mas suas ideias, não”. O presidente do Sinpol, Aldo Cisneiros, também discursou. “Não vamos dar uma guinada para a ditadura. O massacre que vemos todos os dias nas ruas pela violência foi iniciado no regime militar, com o agravamento da desigualdade social”. A exceção ficou com um velho major da Polícia Militar de Pernambuco que disse desconhecer a existência da ditadura. “Meu pais falavam bem do período”. Esse último foi aplaudido. 



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