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Memória política Comissão da Verdade de Pernambuco coleta depoimentos sobre mortes ocorridas em 1973

Publicado em: 17/07/2015 14:54 Atualizado em: 17/07/2015 14:57

Membros da Comissão Estadual da Memória e Verdade realizam sessão pública, na próxima quinta-feira, para ouvir os jornalistas Oldack Miranda e Mariluce Moura. Os depoimentos acontecem, às 9h, no auditório do Sindicato dos Servidores Públicos Federais no Estado de Pernambuco (SINDSEP/PE), e reforçam as investigações acerca dos assassinatos sob tortura de José Carlos Novaes da Mata Machado e Gildo Macedo Lacerda, militantes da Ação Popular Marxista-Leninista (APML).

“O fato novo que vamos tratar nesta oitiva são os documentos da Operação Cacau, que trazem o último depoimento de Gildo Lacerda e citam os nomes de Oldack Miranda e Mariluce, viúva de Gildo”, afirma Manoel Moraes, relator do caso em conjunto com Nadja Brayner e Henrique Mariano, membros do colegiado pernambucano. A documentação faz parte de monitoramento realizado pelos órgãos de repressão sobre dirigentes da APML à época da ditadura militar (1964-1985). E este mesmo rastreamento culminou com a prisão em efeito cascata de integrantes da antiga Ação Popular - AP.

Em 19 de outubro de 1973, José Carlos Novaes da Mata Machado foi preso em São Paulo e conduzido por policiais à paisana para a sede do DOI-CODI paulista. Em 22 de outubro, o ex-vice-presidente da União Nacional dos Estudantes nos anos 69/70, Gildo Macedo Lacerda foi detido, junto com a companheira Mariluce Moura, em Salvador. O casal foi levado ao Quartel do Barbalho, por agentes do Exército e conduzido às sessões de tortura. Grávida, Mariluce nunca mais viu o companheiro. Apenas soube da viuvez através do capelão do Exército, que lhe dera um exemplar do Jornal do Brasil noticiando as mortes de “subversivos” da Ação Popular em tiroteio no Recife.

Reclusos, Mata Machado e Gildo Lacerda foram encaminhados ao Destacamento de Operações de Informações do IV Exército, no Recife. Torturados por agentes da repressão até a morte, em seguida protagonizaram o emblemático “Teatro da Caxangá”. As circunstâncias das mortes de Mata Machado e Gildo Lacerda permanecem envoltas em mistério após 41 anos do suposto tiroteio orquestrado por agentes de segurança, na Avenida Caxangá, em 28 de outubro de 1973. 

A nota oficial dos órgãos de segurança de Pernambuco relatava um tiroteio envolvendo os militantes com uma terceira pessoa, de codinome Antônio. O documento informa ainda que José Carlos e Gildo Lacerda teriam encontro marcado no Recife com “um subversivo de nome Antônio”, que reagira atirando nos companheiros, acusando-os de traição, fugindo em seguida. Na versão policial, Antônio seria Paulo Stuart Wright, político catarinense desaparecido e cujo corpo nunca foi encontrado, após a prisão pelo DOI-CODI de São Paulo.



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