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Memória política Filho de Miriam Leitão localiza delatores dos pais

Publicado em: 27/05/2015 10:21 Atualizado em:

Foedes dos Santos vive num sítio no Espírito Santo. Foto: Matheus Leitão/Reprodução
Foedes dos Santos vive num sítio no Espírito Santo. Foto: Matheus Leitão/Reprodução

Um triste episódio da família da jornalista Miriam Leitão, enfim, foi revelado. Após 15 anos de pesquisa, o filho da colunista do jornal O Globo, o também jornalista Matheus Leitão, conseguiu localizar o homem que havia delatado seus pais durante o regime militar (1964-1985). Miriam e o marido, o jornalista Marcelo Netto, foram presos, em 1972, com dezenas de companheiros do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), no Espírito Santo.

Matheus Leitão encontrou a referência de Foedes dos Santos, o delator, hoje com 76 anos, nos arquivos do Superior Tribunal Militar (STM), que confirmou o fato. “Sim. Entreguei (à ditadura) todos os que eu não tinha como deixar de entregar”, disse o senhor em seu sitio no município de Cariacica, no Espírito Santo.

Após a prisão, os jornalistas Miriam Leitão e Marcelo Netto foram submetidos a sessões de tortura no 38º Batalhão de Infantaria do Exército. “Eu sempre tive muitas fantasias sobre o delator dos meus pais. Mas, quando nos encontramos, em Cariacica, vi que ele é uma pessoa normal. Tem defeitos e qualidades. E teve, sobretudo, muita coragem para admitir que delatou o grupo e que o fez por não suportar a tortura”, disse o filho da colunista em entrevista ao jornal O Globo.

Numa entrevista no ano passado, a colunista narrou o período que passou numa unidade do Exército. A jornalista, que estava grávida na época da prisão, disse que foi espancada nua, ameaçada de fuzilamento e ameaças de estupro. Miriam Leitão foi torturada com cães pastores alemães e uma cobra jiboia. “O país está olhando para seu passado. Estou convencida de que ainda falta um passo: as Forças Armadas devem reconhecer que erraram”, disse a jornalista na época.



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