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Voto descasado Nem todos governadores eleitos transferiram votos aos presidenciáveis

Por: Ana Luiza Machado - Diario de Pernambuco

Por: Sávio Gabriel

Publicado em: 05/11/2014 10:54 Atualizado em: 05/11/2014 18:09

Governadores eleitos do Brasil entram na fase da escolha dos nomes que irão compor sua equipe de governo, os reeleitos começam a pensar nos ajustes que serão necessários para o novo mandato. E todos eles analisam qual a melhor forma de se posicionar para ter uma boa relação com o governo federal, já que houve exposições nas eleições nem sempre a favor da presidente eleita, Dilma Rousseff.

Apesar da campanha que os governadores eleitos fizeram em prol dos seus candidatos à Presidência da República, nem todos conseguiram transferir seus votos para os presidenciáveis. Em cinco das 27 federações (Pernambuco, Acre, Pará, Rondônia e Santa Catarina) os eleitores não optaram pelo candidato apoiado pelos governadores que eles elegeram, gerando um descolamento do voto. Tanto a presidente releeita Dilma Rousseff (PT) quanto Aécio Neves (PSDB) sentiram os impactos da discordância dos eleitores com seus governadores.

No caso de Pernambuco, por exemplo, Paulo Câmara (PSB), afilhado político do ex-governador Eduardo Campos, falecido em agosto, foi eleito com 68,08% dos votos válidos. A sua candidata à Presidência da República, Marina Silva (PSB), que substituiu Campos após a tragédia, conquistou o estado com 48,05% dos votos. A decisão de apoiar o PSDB no 2º turno, no entanto, não agradou 70,20% dos pernambucanos, que preferiram reeleger a presidente Dilma Rousseff. Só aqui, foi imposta uma diferença de 1.978.899 votos a favor da petista.

O tucano também amargou a derrota no Pará, onde Simão Jatene, do mesmo partido, venceu as eleições com 51,92% e conquistou a reeleição. Na contramão da expectativa tucana, Dilma, que apoiava o candidato adversário de Jatene, Helder Barbalho (PMDB), conseguiu mais adesão (57,41%) do que o governador eleito e venceu a disputa com uma diferença de 543.359 votos.
Berço político da socialista Marina Silva, o Acre reelegeu o petista Tião Viana com 51,29%, mas, na disputa presidencial, a população escolheu dar uma larga vantagem (63,68%) a Aécio Neves, apoiado por Marina. O candidato de Dilma em Rondônia, Confúcio Moura (PMDB) ganhou as eleições, mas não deu a ela a maioria dos votos.

Em Santa Catarina, Raimundo Colombo (PSD), apoiado por Dilma, derrotou o tucano Paulo Bauer na disputa pelo Executivo estadual, com 51,36%. O fato de Colombo ter se engajado na campanha da petista apenas do segundo turno pode ter contribuido com a baixa votação dela no estado. Aécio teve a preferência de 64,59% dos catarinenses.
     
Para o cientista político e professor da Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo, Francisco Fonseca, este deslocamento do voto mostra que o eleitor não pode ser visto como "massa de manobra" e que nem sempre as escolhas coincidem. "A percepção da realidade regional não é a mesma da nacional. O eleitor mostra que tem uma avaliacao política diferente dos partidos quando escolhe seus candidatos". Pernambuco, para ele, foi um caso em que isto se confirmou. "Todo o apoio da família Campos, e do governador eleito, Paulo Câmara deveria ter dado a Aécio uma performance razoável, mas ela foi pífia no estado", disse.

 (Arte: Bosco)


 (Arte: Bosco)


 (Arte: Bosco)


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