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Entrevista » Marina rebate Dilma: "É um factoide que o governo do PT está criando" A presidenciável se defendeu novamente de acusações sobre eventual omissão de ganhos que obteve com palestras proferidas a diversas instituições

Correio Braziliense

Publicação: 05/09/2014 09:25 Atualização: 05/09/2014 09:35

A entrevista da candidata à Presidência pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB) Marina Silva, à rádio CBN, foi iniciada, nesta manhã de sexta-feira (5/9), com a repercussão causada pela divulgação de imagens de indígenas agredindo madeireiros, em uma operação contra o desmatamento em uma floresta do Maranhão. Questionada sobre qual seria seu posicionamento como presidente da República para solucionar as crises constantes ocorridas nessas regiões, Marina Silva afirmou que é necessário ter uma série de medidas para evitá-las, já que é a omissão do governo o fator responsável por essa situação. "Boa parte dos conflitos acontecem por falta de cuidado no tratamento dessa agenda, o que nos leva a situações extremas envolvendo madeireiros e índios", ressaltou a candidata ao dizer que os dois são "grupos frágeis".



O “desespero”, segundo a presidenciável, é o que estaria pautando a campanha do PT ao Planalto, respondeu Marina sobre a investigação das declarações de rendimentos com palestras da ambientalista. “É um factoide que está sendo criado pela campanha da presidente Dilma. (...) Após deixar o Senado passei a trabalhar a partir do que eu sei fazer. Criei uma empresa que é a empresa que faz a base e o suporte para as palestras”, respondeu Marina Silva, ao explicar que as demandas da empresa sempre foram com palestras de até R$ 1 mil, a maioria tratando do mesmo tema, a questão da sustentabilidade. “É uma atitude lamentável. CPIs paralelas informais me investigam em todos os lugares. Tudo o que fiz foi de acordo com a lei. Tenho direito de ter uma atividade profissional, provimento pessoal para sobreviver com a minha família. (...) É um factoide que o governo do PT está criando”, lamentou.

Marina se defendeu das acusações sobre falhas em projetos de governo nessas áreas, como a de gestão de florestas, durante a gestão dela como ministra do Meio Ambiente, no governo Lula. “Sai do governo em 2008 e, a partir daí, a responsabilidade da lei de gestão de florestas é de quem me sucedeu. (...) Não posso ser responsabilizada”, defendeu.

Sobre a polêmica de suposta fraude eleitoral no uso do avião em que morreu Eduardo Campos, Marina Silva afirmou que a Justiça está investigando o caso e que espera um esclarecimento, para evitar que o ex-governador acabe “morrendo duas vezes”, tendo sua imagem manchada por um escândalo. “Passamos todas as informações referentes da campanha. O uso do avião foi declarado na conta do candidato. (...) Em relação à vida pregressa desses empresários [donos da aeronave], a Justiça, o Ministério Público e a polícia é que vão investigar”.

A candidata ainda fez um longo discurso sobre questões tratadas em seu programa de governo. Se defendeu dos ataques feitos por Dilma e Aécio, classificando que há “uma situação quase que de desespero” por parte dos adversários. Pediu à sociedade que a ajude a fazer “uma campanha de limpeza das campanhas” ao se afirmar como “o símbolo da mudança”. “Sou aquela que diz que quem vai fazer essa mudança são essas pessoas que estão agindo agora”, ressaltou. Defendeu um modelo de coexistência na implementação da agricultura de transgênicos, afirmando que esta sempre foi sua bandeira, desde quanto ocupou o cargo de ministra e não o contrário, como é divulgado pela mídia, segundo ela. Sobre a crise energética respondeu que “a falta de visão estratégica está nos levando à situação de falta de geração”. Afirmou ainda que em seu governo não manterá posicionamento conservador para o andamento do agronegócio moderno e científico. “Queremos incentivar sim e eu sei o quanto é necessário”, finalizou.

Perfil

Natural de Rio Branco, no Acre, Maria Osmarina Marina da Silva Vaz de Lima, tem 56 anos. Esta será a segunda vez que ela concorre ao cargo de presidente da República. Marina era candidata a vice de Eduardo Campos, que morreu em um acidente com um avião no mês passado. Começou a vida política ao lado do ambientalista Chico Mendes e, na década de 1980, participou da fundação da Central Única dos Trabalhadores (CUT) no Acre. Em 1990, tornou-se deputada estadual do Acre. Já em 1994, tornou-se senadora pelo mesmo estado, sendo reeleita em 2002. Durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003, foi nomeada ministra do Meio Ambiente, permanecendo no cargo até 2008. Em 2009, deixou o PT e filiou-se ao Partido Verde (PV). Já em 2011, saiu da legenda para criar um partido, o Rede Sustentabilidade. A sigla foi lançada em 2013, mas não conseguiu o número de assinaturas suficientes exigido pela Justiça Eleitoral para ser aprovado para as eleições de 2014. Desta forma, Marina e alguns apoiadores migraram para o PSB a fim de participar do processo eleitoral deste ano.

Programa de governo

A coligação "Unidos pelo Brasil" defende a transição para a economia de baixo carbono, a redução das desigualdades sociais e a incorporação da inovação tecnológica aos processos produtivos. O programa de governo do PSB pretende, ainda, construir um modelo de desenvolvimento para o país “mais humano, justo, solidário com as pessoas e com o planeta, com as atuais e com as futuras gerações” e “profundamente comprometido com a democracia e com a sustentabilidade”. Se eleita, a coligação promete também promover a integração do transporte urbano, priorizando investimentos no transporte coletivo em diferentes modais.

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