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No Recife » Imagem de Lula deveria ser menos usada na propaganda de Dilma, diz Gilberto Carvalho

Cláudia Ferreira - Esp. para o Diario de Pernambuco

Sávio Gabriel

Publicação: 29/08/2014 20:40 Atualização: 30/08/2014 00:22

Foto: Rapha Oliveira/ESP DP/D.A Press
Foto: Rapha Oliveira/ESP DP/D.A Press
Em plenária com integrantes de movimentos sociais de Pernambuco, o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, afirmou que a imagem do ex-presidente Lula deveria ser menos utilizada durante o guia eleitoral da presidente Dilma Rousseff (PT), que tenta a reeleição, para não "deixar a situação difusa demais para o eleitor" e também para evitar o desgaste. O ministro afirmou que o ex-presidente deve ter uma atuação mais intensa na campanha por meio da presença em atividades por todo o país.

Na próxima quinta-feira (4), o ex-presidente desembarca no estado, onde participa de um ato da coligação Pernambuco Vai Mais Longe, que tenta eleger o petebista Armando Monteiro ao governo do estado.

Além do ministro, a plenária contou com a participação dos petistas João Paulo, candidato ao Senado, de Teresa Leitão, presidente da sigla em Pernambuco, do deputado Pedro Eugênio, do vice-prefeito de Olinda, Enildo Arantes, e do senador Humberto Costa. O presidente da CUT-PE, Carlos Veras, também esteve presente.

Durante o evento, que durou cerca de uma hora e meia, os representantes do PT falaram sobre as ações realizadas pelo governo federal ao longo das duas gestões de Lula e da gestão de Dilma, numa tentativa de injetar ânimo na militância que estava presente. Os erros também foram admitidos. "Uma insatisfação difusa foi instaladada na sociedade por nossa responsabilidade. Deixamos cristalizar essas visões equivocadas sobre o governo", destacou Humberto Costa.

O ministro Gilberto Carvalho também reforçou o tom de autocrítica, citando que as reformas que são necessárias só vão acontecer se o governo melhorar a relação com a militância, algo que, na avaliação dele, deixou a desejar. "Foi um erro enorme. Não municiamos nossa militância para esse embate que acontece agora", disse, referindo-se a situação atual da corrida política.

Críticas à Marina Silva
As observações negativas referentes à adversária Marina Silva (PSB/Rede) também fizeram parte do discurso. Para Humberto Costa, uma das lideranças que mais têm criticado a ex-senadora, o PT e o PSDB têm condições de governar por terem um núcleo político. "Ainda que tenhamos visões diferentes, nossos núcleos dialogam com nossos partidos. Ela (Marina) terá que negociar com todos os partidos, sem um núcleo estabelecido. Precisamos dar um choque de realidade", frisou, acrescentando que a socialista terá "que mostrar o que pensa". "Ela critica o pré-sal, mas como ela vai reservar 10% da receita total para a saúde?", pontuou.

"Eles nunca vão saber explicar essa questão do avião", disparou Teresa Leitão, referindo-se às irregularidades que estão sendo investigadas a respeito da aeronave utilizada por Eduardo Campos, que caiu no dia 13 de agosto, matando o ex-presidenciável e seis membros da equipe.

Onda consistente
Em entrevista aos jornalistas, o ministro Gilberto Carvalho acredita que a "onda" (como é chamado o crescimento repentino da candidata Marina Silva nas pesquisas de intenção de voto) não é passageira. "É um movimento que tem consistência, porque ela capta uma porção de sentimentos das ruas. Eu não subestimo", admitiu, acrescentando, no entanto, que acredita na vitória de Dilma Rousseff.

Na avaliação do ministro, o programa de governo da socialista, lançado nesta sexta-feira (29), é uma cópia do governo dos tucanos. "Além das questões vagas e imprecisas, o restante é cópia do PSDB. Eu esperava um programa progessista, e não um que voltasse à era FHC", disparou. Os pontos mais criticados pelo ministro foram os referentes ao pré-sal e à autonomia do Banco Central. "Acho que a Marina começa a perder com isso a aura de uma canidata mais difícil de bater", ressaltou.

Reforma Política
Durante o discurso para os militantes, o ministro destacou ainda que a reforma política é algo que precisa ser priorizado. "Podem falar mal de Lula ou de Dilma, mas qualquer santo que for colocado no governo não fará as mudanças necessárias sem a reforma política", ressaltou, pontuando três pontos que o PT pretende modificar.

O primeiro deles, na avaliação de Gilberto, é o fim do "lobby" que existe atualmente. "Hoje, quem é deputado federal precisa financiar a campanha dos prefeitos, para que nas eleições seguintes haja o apoio político. Sendo assim, a cada dois anos os candidatos têm que correr atrás desse dinheiro. Não dá mais para ter um congresso desse perfil", criticou.

O outro ponto destacado pelo ministro foi o voto em lista (sistema em que, nas eleições proporcionais, o eleitor não vota em um candidato, mas numa lista, proposta pelo partido político). Por fim, Carvalho afirmou que a paridade das candidaturas entre homens e mulheres - 50% para cada - é algo que precisa ser implantado no país.
 

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