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Websérie » Sátira do guia eleitoral é sucesso na internet Grupo Cia. Barbixas de Humor lança série Campanha Política e brinca com a propaganda eleitoral televisiva dos candidatos à Presidência da República

Cláudia Ferreira - Esp. para o Diario de Pernambuco

Publicação: 24/08/2014 08:00 Atualização: 26/08/2014 18:06

Foto: Reprodução/ Internet/Youtube
Foto: Reprodução/ Internet/Youtube

De um lado, o oposicionista que se diz ser aquele “que vai mudar o Brasil”. Do outro, o candidato da situação, que convoca: “vamos juntos continuar”. Quem acha que se trata de uma disputa entre tucanos e petistas se engana. Ou será que não? Os programas televisivos são igualmente bem elaborados, atraentes… iguais. Com episódios semanais lançados desde o início deste mês no canal da Cia. Barbixas de Humor no Youtube, a websérie Campanha Política, escrita, dirigida, estrelada e editada pelo grupo, se pauta na ideia de que a campanha televisiva de todo e qualquer candidato a cargo público eletivo segue as mesmas fórmulas discursivas e estéticas a fim de cativar o eleitorado.

"Tudo se trata de como transformar o político num super-herói, o candidato ideal para receber o seu voto", avalia Elidio Sanna, um dos integrantes dos Barbixas, trupe de comédia aclamada pela habilidade e experiência no teatro de improvisação. Elidio interpreta o candidato à reeleição, Ricardo Reis, cujo número nas urnas é 66. O 99 é a legenda de seu principal adversário, Álvaro Campos, vivido pelo barbixa Anderson Bizzocchi. Números diferentes, porém iguais, se vistos por outra perspectiva.

Na websérie dos Barbixas, as ações, discursos, enquadramentos de câmera e estilo de edição são utilizados de maneira similar pelos candidatos fictícios e a semelhança do produto com as campanhas políticas reais tem impressionado o público que acompanha o canal do trio, formado pelos dois protagonistas da série e Daniel Nascimento, que vive diversos personagens secundários, não menos hilariantes. O bom uso dos recursos se deve a muita pesquisa e imersão no universo do marketing político. “Há quatro anos, assistíamos o horário eleitoral religiosamente, inclusive, um dos episódios que estão para serem lançados é uma paródia de um programa político que aconteceu mesmo”, antecipou Elidio.

Foto: Reprodução/ Internet/Youtube
Foto: Reprodução/ Internet/Youtube
O documentário Entreatos (2004), registro do cineasta João Moreira Salles da campanha política que levou Lula à Presidência da República em 2002, foi uma fonte importante para os Barbixas compreenderem a lógica do marketing político. O filme revela a participação ativa do publicitário Duda Mendonça - que ajudou a eleger outros candidatos em pleitos posteriores e foi apontado como um dos envolvidos no escândalo do mensalão - nos bastidores dos programas eleitorais, pronunciamentos e reuniões estratégicas. “O guia eleitoral para televisão é uma obra audiovisual incrível, porém ficcional. A campanha política é muito mais publicitária do que política de fato”, ponderou o comediante, que explica que o eleitor muitas vezes se deixa envolver pela propaganda.

Apesar de o candidato da “continuidade” e o candidato da “mudança” utilizarem as cores vermelha e azul, respectivamente, o ator garante que qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência. “Tentamos não fazer referência a nenhum fato temporal, nem a qualquer figura pública em particular. Estamos apenas brincando com as fórmulas da publicitárias”, afirma categoricamente. Ricardo Reis e Álvaro de Campos - a subtração do “de” foi uma licença poética dos idealizadores em prol da métrica do jingle do presidenciável - são dois dos heterônimos utilizados pelo poeta português Fernando Pessoa (1888-1935) para assinar suas obras. Eles representavam as várias facetas de um mesmo autor.

Irão ao ar 10 episódios, um a cada terça-feira. A estreia da websérie foi no último dia 5 e já está no seu terceiro episódio, publicado no canal na última terça-feira (19), dia do pontapé inicial para o guia  eleitoral na TV e no rádio. O professor e pesquisador de Publicidade e Propaganda da UFPE Dirceu Tavares acompanhou os dois primeiros episódios, em que cada qual apresentava um dos presidenciáveis fictícios. Para ele, o vídeo do programa eleitoral do candidato Ricardo Reis é um exemplo consistente de que a crítica ao caráter do político está presente. A peça publicitária é conduzida por um jingle que enaltece os grandes feitos de Reis em seu primeiro mandato, entre eles um estádio de futebol, mas revela descaradamente que “daria para fazer três” com a verba utilizada.

Foto: Reprodução/ Internet/Youtube
Foto: Reprodução/ Internet/Youtube
Segundo Tavares, entretanto, a crítica se distancia do particular, tornando-se tão sutil, que não chega a causar polêmica. “Acredito que nenhum petista, ao assistir esse vídeo, vai se sentir ofendido ou atingido pela piada, pelo tom leve e pouco direcionado”, opinou o publicitário, que não dispensou elogios à produção. “Eles investiram bastante na parte técnica, as peças estão muito bem produzidas. Parecem querer dar um grande salto na carreira”, destaca.

Elidio concorda que a letra da canção, bem como outros momentos da série, se voltam um pouco para o cenário político da realidade, mas garante que o grupo buscou apostar no genérico, que pra ele não deixa de ser uma sátira do real. “A comédia está em primeiro plano mesmo, o alvo da piada é a publicidade, não os políticos em si, mas as pessoas que assistem acabam associando ao real, sim, porque o espectador tem suas referências”, pondera.

Para esquentar a corrida presidencial, candidatos de partidos nanicos vão surgir na série nos próximos episódios. “É para bagunçar um pouquinho a história (risos)”, esclarece. E os Barbixas já estão sentindo a repercussão. “A tendência é melhorar. Estamos muito satisfeitos com o retorno que estamos tendo e o início do guia das eleições da vida real deve despertar mais interesse do público”, conclui.

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