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Eduardo Campos » Aeronáutica diz que vai trabalhar com foco múltiplo no acidente Imagens da câmera de segurança de um prédio reforçam dados sobre a tragédia que matou político. Aeronáutica diz que investiga "fatores contribuintes", e não causa única para a queda

Amanda Almeida

Publicação: 21/08/2014 07:58 Atualização: 21/08/2014 15:09

As investigações estão na fase de coleta de depoimentos de testemunhas e parentes das vítimas. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil (Tânia Rêgo/Agência Brasil)
As investigações estão na fase de coleta de depoimentos de testemunhas e parentes das vítimas. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Depois da divulgação de imagem do acidente aéreo em Santos (SP) que matou Eduardo Campos e outras seis pessoas, levantando mais especulações sobre o caso, a Aeronáutica informou ontem que trabalha com a ideia de que a queda teve diferentes causas. O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), vinculado à Aeronáutica, disse que “qualquer análise de fatores isolados pode ocasionar conclusões precipitadas ou equivocadas”. As investigações estão na fase de coleta de depoimentos de testemunhas e parentes das vítimas.

O vídeo foi feito por uma câmera de monitoramento de um stand de vendas de um prédio em construção a poucos metros do local em que a aeronave caiu. Nas imagens, em alta velocidade, o avião já aparece em queda, com o bico para baixo, em direção ao chão. Pouco depois, é possível ver um clarão e fumaça, provavelmente provocados pela explosão do jato ao tocar o solo. Divulgada na noite de terça-feira, a primeira imagem do acidente não mostra fogo ou fumaça na aeronave ainda no ar, ao contrário do que disseram testemunhas.

Sem fazer referência direta ao vídeo, o Cenipa disse que “não trabalha com causa de acidente, mas com fatores contribuintes” e que “não elege um fator como o principal”. O órgão reforçou que não tem prazo para entregar o relatório final. As investigações estão na fase de depoimentos. “O Cenipa já realizou a leitura do gravador de voz da aeronave PR-AFA, a análise inicial dos motores e a coleta de informações e documentos junto às empresas que fizeram a manutenção do avião. Familiares e testemunhas do acidente estão sendo entrevistados”, completa o texto. No caso do depoimento de parentes, a Aeronáutica pretende descobrir se os dois tripulantes do voo, os pilotos Marcos Martins e Geraldo Magela Barbosa, também mortos no acidente, passavam por problemas pessoais.

Militares que acompanham as apurações em torno do acidente, entretanto, acreditam que é forte a possibilidade de ter havido falha humana depois do procedimento de arremetida. O entendimento é que o piloto, ao desistir do pouso, pode ter tentado não perder a pista de vista, o que o teria levado a uma desorientação espacial que resultou na realização de uma curva mais acentuada do que deveria. Segundo militares, a manobra pode ter levado o avião a perder sustentação, e, então, mesmo com as turbinas ao máximo, não haveria como o piloto controlar a aeronave.

A avaliação tem como base informações da Aeronáutica de que o voo estava normal desde a decolagem até o momento do ponto crítico, em que o piloto deveria visualizar a pista e realizar a aterrissagem. Segundo a Força Aérea Brasileira (FAB), o piloto falou ao sistema de rádio da base área de Santos que estava arremetendo por causa da visibilidade ruim e que aguardaria a melhora do tempo para pousar.

As investigações sobre a queda se tornaram mais difíceis depois que a Aeronáutica descobriu que a caixa-preta da aeronave não gravou aúdios durante o voo entre o Rio de Janeiro e Santos. Entre os possíveis problemas técnicos, é estudado por que os flaps, estruturas nas asas que aumentam a área de contato da peça com o ar, fazendo com que a velocidade da aeronave diminua, estavam recolhidos.

De acordo com a Aeronáutica, o trem de pouso também estava recolhido. Reportagem publicada na terça-feira pelo jornal Folha de S.Paulo mostra que a Cessna, fabricante do jato Citation 560 XL, modelo do avião que caiu, já havia alertado sobre o risco de a aeronave mergulhar abruptamente em subidas e arremeditas com os flaps recolhidos.

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