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Coligação » Palavra de ordem é tratar com 'generosidade' diferenças entre PSB e Rede, diz Marina Na cabeça da chapa do PSB, Marina promete tratar diferenças com generosidade, mas avisa que só subirá em palanques estaduais que já apoiava e veta doações de quatro segmentos industriais

Paulo de Tarso Lyra

Publicação: 21/08/2014 07:46 Atualização: 21/08/2014 15:09

Oficializada candidata à Presidência na chapa do PSB, Marina Silva afirmou que a palavra de ordem é crescer na unidade e tratar com “generosidade” as diferenças entre o partido pelo qual concorre e o grupo ligado à Rede, a legenda que ainda pretende registrar. Mais cedo, entretanto, mostrou quem mandará, a partir de agora, na coligação que até oito dias atrás era encabeçada pelo socialista Eduardo Campos. Ratificou que só estará presentes nos palanques estaduais com os quais já concordava, transferindo para o candidato a vice, Beto Albuquerque, a tarefa de pedir votos nos locais em que ela não se sentir confortável. Emplacou dois de seus mais próximos aliados, Walter Feldmann e Bazileu Margarido, em postos chaves da campanha (coordenação geral e comitê financeiro) e, a partir de agora, não aceitará mais doações que venham de empresas de armamentos, fumo, agrotóxicos e bebidas.

“Essa era uma restrição presente no estatuto da Rede e que, a partir de agora, estará presente na campanha do PSB”, confirmou Bazileu. A campanha de Campos havia recebido doações da Ambev, mas, a partir de agora, esse tipo de apoio não será mais aceito. Marina conseguiu também transformar uma carta de princípios com os compromissos do PSB em um documento um pouco mais palatável, que não parecesse uma imposição feita por uma legenda que, em certa medida, precisa muito de Marina para seguir com esperanças de chegar ao Planalto.

Foi omitida ainda qualquer menção de adiamento no processo de criação da Rede Sustentabilidade. O acerto dos ponteiros da campanha aconteceu em uma reunião tensa na Fundação João Mangabeira, do PSB, no Lago Sul, enquanto os demais integrantes da Executiva Nacional do PSB aguardavam Marina e a cúpula socialista na sede do partido, na Asa Norte. Sucessivamente, o início das deliberações executiva foi adiado ao longo do dia.

Quando o presidente interino do PSB, Roberto Amaral, e o secretário-geral Carlos Siqueira, chegaram à sede da legenda, Marina ainda estava no hotel, esperando que as últimas arestas fossem aparadas. Na hora que Marina apareceu na sede do PSB, os contratempos já estavam amenizados e ela foi recebida aos gritos “Eduardo, presente; Marina presidente”. Emocionado, Amaral afirmou que a ex-ministra do Meio Ambiente e Beto deveriam “dar continuidade ao legado de Eduardo Campos”. Beto acrescentou que estava muito honrado em assumir o posto de vice na chapa e que o grande desafio, nos próximos 45 dias, será rodar o país para reafirmar o discurso de renovação, contra “as velhas raposas da política”.

Marina declarou que a própria separação entre a velha e a nova política aconteceu no velório e enterro de Eduardo Campos. “Todos que ali estiveram presentes, mesmo aqueles com os quais temos divergências ideológicas, têm alguma contribuição a dar ao país”, disse ela, acrescentando que os representantes da velha política ficaram constrangidos de participar da cerimônia. “O velório de Eduardo contrariou a tese da descrença das pessoas com a política. Eduardo mostrou que era apenas uma questão de tempo para que as pessoas conhecessem nossas ideias”, completou Marina.

Autonomia do BC A ex-ministra foi confrontada também com as divergências em relação ao PSB. Lembrou que houve consenso em torno de 14 candidaturas estaduais, e que, nessas, não há restrições. “Onde não houve, Eduardo já sabia que eu me preservaria. Beto vai no meu lugar”, completou. Ela rebateu possíveis restrições do setor do agronegócio à sua candidatura. “Não acredito nesse veto homogêneo”, disse. No campo econômico, reforçou ainda a manutenção do câmbio flutuante, da responsabilidade fiscal, das metas de inflação, num recado ao mercado financeiro, que também tem receios com a troca na titularidade da chapa.

Marina e Roberto Amaral terão de administrar uma crise com os aliados. O presidente do PSL, Luciano Bivar (RJ), anunciou ontem que romperá com a coligação por não ter sido consultado sobre o processo de mudanças. Uma reunião com os representantes dos partidos aliados está marcada para a manhã de hoje.

Marina viajará hoje à tarde para gravar a propaganda eleitoral. Como não houve ainda o registro da candidatura no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o que deve ocorrer até sábado, Marina ainda não pode ser apresentada como presidente no horário eleitoral. Também no sábado a campanha conjunta será oficialmente iniciada, com um grande ato em Pernambuco.

Trocas na equipe

A confirmação do nome de Marina Silva como candidata a presidente levou integrantes da Rede Sustentabilidade a ocupar espaços do PSB na campanha. A partir de agora é o assessor pessoal de Marina, o deputado Walter Feldman (PSB-SP), quem vai cuidar da coordenação executiva da campanha, ao lado do secretário-geral do PSB, Carlos Siqueira, que era o nome escolhido pelo Eduardo Campos. Outro aliado da ex-senadora, Bazileu Margarido dividirá a coordenação do comitê financeiro da campanha ao lado do economista Henrique Costa, amigo de faculdade do pernambucano. A coordenação do programa de governo continua nas mãos da socióloga Neca Setúbal, vista como fada-madrinha da ex-senadora, que dividirá a função com o ex-deputado federal Maurício Rands (PSB-PE).

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