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Indispensável nos bastidores » Perfil de Renata Campos Ex-primeira-dama do estado, discreta, sempre atuou nas articulações políticas ao lado de Eduardo e pode contribuir para as decisões partidárias

Rosália Rangel

Publicação: 21/08/2014 10:05 Atualização: 21/08/2014 11:04

Foto: Alex Silva/Estadão
Foto: Alex Silva/Estadão

Familiares, amigos e aliados políticos são unânimes em dizer que Renata Campos, viúva do ex-governador Eduardo Campos, está bastante sofrida, mas serena. A forma como a ex-primeira-dama enfrenta a dor da morte precoce do marido revela força e o estilo discreto, um traço marcante de sua personalidade. Em casa, ao lado dos filhos, tem recebido as pessoas desde o momento em que a notícia da morte de Eduardo foi confirmada, na manhã da última quarta-feira. Para tentar protegê-la, auxiliares mais próximos pensaram restringir um pouco a entrada, mas ela não permitiu. “Se as pessoas estão vindo é porque gostam dele (Eduardo), então deixem entrar”, disse. Ela completou 47 anos na última segunda-feira (18).

A discrição de Renata é perceptível. De perfil reservado, não gosta de falar muito, principalmente com a imprensa. Esse papel cabia ao marido, mas ela estava sempre por perto. No governo, construiu um caminho diferente para exercer o papel de primeira-dama fora dos padrões tradicionais. Não ocupou cargos, mas exerceu a função de forma ampla. Era presença constante nas reuniões, nos eventos oficiais e nas viagens do ex-governador. Entre ações de governo comandou o Programa Mãe Coruja, de atendimento a gestantes e a Fenearte.

“Não me vejo como primeira-dama, mas como a militante política que sempre fui, desde a adolescência. Até porque não acho que tenha que haver um padrão de primeira-dama. Depende da personalidade e história de vida da pessoa. Eu mesma não me vejo enquadrada a nenhum tipo de padrão”, afirmou Renata, em uma entrevista concedida ao Diario, em 2011. Ela é economista e concursada do Tribunal de Contas do Estado.

Isso, no entanto, não quer dizer que ela ficava de fora das decisões políticas e administrativas. Ao contrário, Renata era uma das pessoas mais ouvidas por Eduardo. Quando requisitada pelo marido ou por outra pessoa da equipe, aconselhava, orientava, opinava. O papel de conselheira política, na visão de alguns aliados, continuou exercendo na campanha para Presidência da República. Por isso, acredita-se que ela poderá contribuir nas decisões partidárias, apesar de estar abalada pela perda. O nome de Renata chegou a ser cogitado como provável candidata a deputada federal neste ano, para herdar o espólio de Ana Arraes, ministra do TCU e ex-parlamentar. Possibilidade que foi descartada.

Foto: PSB/Divulgação
Foto: PSB/Divulgação

Renata Campos, apesar da dor da perda, se comprometeu a participar da campanha estadual. Deve reforçar o palanque de Paulo Câmara, candidato ao governo do estado pelo PSB. Ela já esteve com a militância da coligação Frente Popular na última segunda-feira (18), durante uma reunião para convocar as lideranças a se engajarem mais na campanha. O candidato socialista está em segundo lugar nas pesquisas, bem atrás do primeiro colocado, o senador licenciado Armando Monteiro Neto (PTB). Na ocasião, ela fez um rápido discurso, lembrando a importância, para Eduardo Campos, de eleger Paulo Câmara, Raul Henry (PMDB), candidato a vice, e Fernando Bezerra Coelho (PSB), concorrente ao Senado.

Na reunião do partido, Renata Campos deixou claro que não seria candidata à Vice-Presidência na chapa de Marina Silva (PSB), como clamou a militância. No dia seguinte, um grupo de socialistas pernambucanos ainda tentou convencê-la a concorrer ao cargo, mas ela declinou o convite e deu apoio à escolha do deputado federal Beto Albuquerque (PSB-RS). A chapa Marina-Beto foi oficializada nesta quarta-feira (20) em Brasília, após uma reunião da executiva nacional do PSB.

O primeiro evento de rua que Renata deverá participar na campanha, após a morte do marido, será um ato da candidatura de Marina à Presidência, marcado para o próximo fim de semana no estado. "Sempre participei das campanhas e, nessa, tenho a sensação que vou participar por dois", afirmou Renata para militância na reunião do partido.

Mãe de cinco filhos -Eduarda (22), João (20), Pedro (18), José (9) e Miguel, (de apenas sete meses) -, Renata não titubeou quando precisou mudar para São Paulo, onde Eduardo manteve o quartel-general da campanha. Estava diante de mais um desafio do marido, com quem viveu por mais de 30 anos. Mesmo com tantos compromissos (políticos e administrativos), nunca deixou que a agenda atribulada de Eduardo atrapalhasse o convívio dele com a família. Mantinha os filhos sempre por perto.

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