• (0) Comentários
  • Votação:
  • Compartilhe:

Luto » O último dos minutos da despedida de Eduardo Quatro dias após o acidente que vitimou o ex-governador Eduardo Campos, seus restos mortais foram enterrados sob forte comoção popular

Aline Moura - Diario de Pernambuco

Publicação: 18/08/2014 09:08 Atualização: 18/08/2014 10:02

Foto: Heitor Cunha/DP/D.A Press (Heitor Cunha/DP/D.A Press)
Foto: Heitor Cunha/DP/D.A Press

A noite já havia caído. A hora marcava 18h37 quando o caixão do ex-governador e presidenciável Eduardo Campos (PSB) desceu à terra, destino final de todos. Cedo demais para Eduardo, esse horário do fim, mas aconteceu, ainda sob os olhares perplexos dos que acompanhavam sua trajetória. Foi enterrado ao lado do avô, Miguel Arraes, num túmulo simples. Só grama verde e uma lápide de mármore com o nome dele, a data de nascimento e de partida. Ao redor, algumas flores e dois chapéus de palha que eram símbolo de Arraes e virou seu também.

A cerimônia foi acompanhada de perto pela família do ex-governador e seus principais aliados, mas rodeada de rostos desconhecidos, gente de todos os lugares que veio dar o seu adeus, muitos carregando fotos que tiraram com Eduardo. Gente que contava histórias da convivência com o socialista, conhecido por chamar as pessoas pelo nome, tanto caciques como as mais simples.

O público presente entoava gritos de guerra a todo instante, entre eles um semelhante ao que foi cantado no enterro de Arraes, sendo com o nome de Eduardo. “Eduardo, guerreiro, do povo brasileiro”, falavam populares que subiram em túmulos e árvores para não perder a cena. Também houve coro coletivo de “fora, Dilma” e “queremos justiça”.

Foram 18 minutos de fogos antes de a terra começar a ser jogada no caixão. A viúva, Renata, abraçava os filhos, quatro deles, uma vez que o mais novinho, de sete meses (Miguel), não estava presente. Ficaram abraçados o tempo inteiro, enquanto o público entoava hinos religiosos e, por duas vezes seguidas, a música Madeira que cupim não rói, marca de campanha do ex-governador.

 

Os familiares estavam de camisas brancas, com a face do ex-governador e a frase que marcou sua última entrevista, Não vamos desistir do Brasil. Renata e os filhos tinham semblantes abatidos, mas serenos, sem lágrimas. Choraram demais desde a última quarta-feira, quando souberam que Eduardo havia morrido de um acidente aéreo em Santos, após o jatinho em que voava arremeter e cair. Somente José, de 9 anos, não conseguiu conter as lágrimas. Justamente ele, que deitou o rostinho no caixão durante o velório e no enterro para se despedir do pai.

A mãe de Eduardo, Ana Arraes, estava tão abalada, que ficou mais distante. Sentou-se ao lado de dona Madalena Arraes que estava em choque. Ana chegou ao lado de Marina Silva ao cemitério, ficou quase muda. Permaneceu sozinha e de cabeça baixa por uns dez minutos. O candidato do PSB ao governo do estado, Paulo Câmara, também procurou ser discreto. Estava com os olhos vermelhos de chorar.

Leia mais no Diario de Pernambuco desta segunda-feira (18)

Esta matéria tem: (0) comentários

Não existem comentários ainda

Comentar

Para comentar essa notícia entre com seu e-mail e senha

Caso você não tenha cadastro,
Clique aqui e faça seu cadastro gratuito.
Esqueci minha senha »

Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.