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Entrevista » "Precisamos fazer o padrão pernambucano de educação", afirma Armando Monteiro O candidato do PTB ao governo afirma que a melhoria da educação será a principal bandeira da campanha

Júlia Schiaffarino

Kauê Diniz

Publicação: 11/07/2014 21:40 Atualização: 11/07/2014 23:34

Foto: Allan Torres Esp DP/D.A press
Foto: Allan Torres Esp DP/D.A press


O discurso sobre a melhoria da educação vai moldar a campanha do candidato ao governo de Pernambuco Armando Monteiro Neto (PTB). O tema foi predominante durante a entrevista feita pelo Diario com o político nesta semana. Mais do que isso, foi o único ponto sobre o qual Armando Monteiro pontuou críticas claras à gestão do PSB no estado, citando  notas do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), por exemplo, além da ausência de valorização dos professores. O senador também questionou o número de escolas de tempo integral citadas pelos socialistas. De acordo com ele, uma parcela delas na realidade seria semi-integral.

Ainda assim, o petebista deixou claro como disputaria o jogo: “Faço um bom balanço da gestão Eduardo Campos e não mudarei esse discurso porque participei desse conjunto”. Mesmo assim, disparou contra o escolhido de Campos para a sucessão e contra a Frente Popular, que voltou a denominar de “disforme”, em decorrência da quantidade de partidos que aglutina e a não semelhança ideológica de alguns. Em contrapartida, o petebista fez bastante elogios ao deputado estadual Daniel Coelho (PSDB). “Acho que nossa candidatura traduz melhor esse sentido de independência que é a marca de Pernambuco e que Daniel de forma tão competente expressou na eleição municipal”. Confira a entrevista abaixo.

Qual sua avaliação da pré-camapanha?
Nós ganhamos a pré-campanha. Conseguimos terminar esta fase mantendo o nosso time muito animado e realizando atos muitos expressivos. No Pernambuco 14, todas as plenárias tiveram uma participação acima da expectativa e mais de cinco mil sugestões tabuladas. Além disso tem a consolidação da aliança. Nossa candidatura nasceu sob a expectativa, estimulada sobretudo por nossos adversários, que não conseguiríamos fechar com o PT, unir o PT, que Lula não viria aqui, porque não tinha vindo na (eleição) municipal, que não conseguiríamos estar com o PDT… Portanto fechamos, do ponto de vista da nossa aliança, muito bem. Unimos o PT, incorporamos toda a base do partido, fechamos aliança com os partidos trabalhistas que dão rosto, dão identidade e culminamos tudo isso com a convenção que foi importante não apenas pela dimensão, pelo tamanho, mas pelo clima de unidade.

Sobre Lula e Dilma, como está a expectativa de próximas vindas e qual a importância deles nessa campanha?
Sabemos que são apoios muito valiosos para nós. Ambos têm em Pernambuco uma posição muito tranquila de trânsito político, independente até de circunstâncias do humor nacional ou da temperatura da política nacional, porque ambos têm o que mostrar em Pernambuco. O mais recalcitrante oposicionista haveria de reconhecer que eles fizeram muito por Pernambuco. Basta olhar para o estado. Mas eles têm as suas agendas e terão que cobrir o país. Nossa chapa é formada por políticos que têm currículo, que têm trajetória própria. Nós não precisamos, a rigor, de padrinhos, de alguém que nos dê as mãos para andar em Pernambuco.

O senhor terá metade do tempo de TV e rádio de Paulo Câmara. Como se sobrepor a isso?
A questão não é se o tempo é maior ou menor, mas se é adequado para divulgar propostas. Todos os especialistas dizem que o programa de cinco minutos é adequado. E dizem até, que quando existe alguma fragilidade no discurso ou algum tipo de déficit de propostas, ter mais do que cinco minutos é ruim. Então, às vezes, quem tem muito tempo, por incrível que pareça, tem prejuízos. No plano da eleição presidencial, os candidatos que concorrem com a presidente Dilma têm menos do que isso.

Qual o pior ponto da gestão Eduardo Campos?
Eu faço um bom balanço da gestão Eduardo Campos e não mudarei esse discurso porque participei desse conjunto. Estivemos no governo, estivemos nas ruas, defendemos a continuidade do governo. No mesmo palanque, em 2010, nos reelegemos e ele se reelegeu. É claro que ele teve uma imensa ajuda do governo federal, mas valorizou essa ajuda. Mas o governo tem alguns déficits que nós temos fazer algumas correções de rumo. No plano da gestão, poderíamos ter feito uma estrutura mais enxuta no estado. Temos uma estrutura no nível superior muito grande com trinta secretarias. E como boa parte das políticas públicas dependem dos municípios, é preciso criar um ambiente de maior cooperação entre estados e municípios, dando suporte em áreas fundamentais como educação. A gente poderia ter feito muito mais, estabelecido uma relação mais próxima e mais cooperativa. Poderíamos ter feito mais na educação.

A educação de Pernambuco não é boa?
Alguns avanços ocorreram: as escolas integrais ou semi-integrais, porque dão um número de escola integral, mas na realidade você tem escolas semi-integrais. Mas, nas avaliações do Ideb, nossa posição é ruim, tanto no ensino fundamental quanto no médio. Então, precisamos fazer o que eu chamo de padrão pernambucano de educação e nos inspirarmos em algumas experiências que estão colocadas em outros estados. Precisamos cuidar de quem cuida dos nossos filhos, ver a questão do plano de cargos e carreiras, a formação continuada para os professores, criar centros de referência regionais para premiar os melhores professores, conceder incentivos inteligentes aos municípios que se dedicarem mais e melhor à educação. É possível dar suporte ao modelo de gestão pedagógica dos municípios, adotar uma matriz curricular única. Temos uma taxa de analfabetismo muito elevada na população com idade superior a 15 anos. Enquanto o Brasil tem 9% de analfabetos nessa faixa, nós temos 18,5%. Pernambuco tem um índice médio de escolaridade baixa, seis anos e meio. Temos distorção idade-série e um nível de repetência ainda elevado. Com a nossa experiência, podemos apontar para uma perspectiva que seria continuar na direção em relação ao que vem sendo feito em Pernambuco, mas fazendo correções e redefinindo prioridades que é algo que se impõe neste momento.



Para a questão da mobilidade, há uma solução a curto prazo?
Os BRTs são uma saída, poderão resultar em um certo ganho, o próprio metrô tem uma capacidade instalada maior do que tem sido usada e acho que a questão do VLT. Prestigiar os conselhos metropolitanos que existem em alguns casos, mas estão desprestigiados. Certos temas não são possíveis de tratar apenas com enfoque municipal. E acho que o governador de Pernambuco tem que estar nesses conselhos.

O senhor tem recebido apoios da base aliado do seu adversário. Muitos, ao migrarem para seu palanque, fazem críticas ao PSB. Há informações de que alguns integrantes da Frente Popular podem ainda subir no seu palanque. O senhor em conversado com esses insatisfeitos, a exemplo do deputado estadual Daniel Coelho (PSDB)?
No ambiente político, a gente conversa sempre. Tenho uma grande admiração pelo deputado Daniel Coelho. Ele é um jovem que disputou uma eleição e teve um desempenho extraordinário. É identificável, a meu ver, com um sentimento que Pernambuco de independência e altivez. Ele cumpriu extraordinariamente o papel dele e tem um espaço de liderança indiscutível. Daniel poderia, inclusive, ter sido candidato a governador. Mas evidente ele tem seus vínculos de natureza partidária e temos que respeitar isso. Temos essa clareza das posições que cada um tem que assumir dadas as circunstâncias. Acho que ele há de reconhecer que nossa candidatura e a nossa posição se alinha melhor com as posturas que ele adotou, sobretudo mais recentemente, dentro da ideia de que Pernambuco não pode ser a expressão de um único grupo político. Acho que nossa candidatura traduz melhor esse sentido de independência que é a marca de Pernambuco e que Daniel de forma tão competente expressou na eleição municipal.

A gente pode ter algum efeito político da derrota do Brasil na Copa?
Em relação pré-Copa, há um reconhecimento que muitas obras estão atrasadas. Obras que foram delegadas ao governo do estado. Mas, de alguma maneira, quando forem concluídas, fica o legado. Com relação ao pós-Copa, como eu acho que o brasileiro e o pernambucano são politizados, em que pese a frustração do primeiro momento, as pessoas sabem separar uma coisa da outra. Seria imaginá-los pouco politizados se eles viessem amanhã a estabelecer uma relação direta entre o futebol e a presidente Dilma ou o governo estadual.

Pernambuco vai ter que esperar muito ainda para ver o estado dele equiparado aos principais estados do país?
Estamos em uma corrida e o que temos que cuidar é de melhorar nossa posição relativa. Todos estão andando, os alvos são móveis. Então o que temos que fazer é andar depressa. É possível temos avanços importantes, sobretudo se trabalhamos na educação porque ela reduz desigualdades e permite desempenho melhor na economia porque terá mais gente produtiva. O processo de Pernambuco terá que deixar de ser um processo de aceleração do crescimento para ser um processo de desenvolvimento e para isso precisamos melhorar o desempenho na educação.

Qual será o seu maior desafio nesta campanha?
Evidentemente enfrentar uma poderosa estrutura que está aí montada. Mas ao mesmo tempo o meu sentimento é de que o povo de Pernambuco, embora reconhecendo os méritos do governo passado, sabe da necessidade de uma alternância de grupos. Há um ambiente hoje em Pernambuco de medo, de intimidação que envolve lideranças do estado, do interior, sentimento de retalhações… em suma, as pessoas querem respirar um clima de maior liberdade e acho que nossa candidatura pode ser identificada como um caminho.

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