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Entrevista » "Estamos sintonizados com os sonhos dos pernambucano" Paulo Câmara (PSB) é candidato a governador de Pernambuco pela Frente popular

Rosália Rangel

Kauê Diniz

Publicação: 04/07/2014 20:33 Atualização: 04/07/2014 20:40

No dia 20 de fevereiro deste ano,  o então secretário estadual da Fazenda, Paulo Câmara (PSB), recebia do ex-governador Eduardo Campos (PSB) a notícia que circulava nos bastidores há algum tempo. Era ele o escolhido para disputar o governo do estado. E mais do que isso. A partir daquela data, Câmara seria o homem que teria a responsabilidade de defender o legado de Eduardo e o escolhido para sucedê-lo na continuidade de uma gestão com uma aprovação acima de 70%. Uma missão difícil para uma estreante em disputas eleitorais. Quatro meses depois, o candidato do PSB se diz preparado para enfrentar o período mais complexo: a campanha de rua que começa hoje em todo o país.
 “Nós não fugimos à luta. Veio o chamado para a missão e estou aqui pronto para cumpri-la”, afirmou Paulo Câmara ao encerrar a fase da pré-campanha que serviu como espécie de laboratório para o socialista. Durante esse período, ele visitou 120 municípios. Ouviu a população, as lideranças locais e construiu uma coligação de 21 partidos. Na última quinta-feira, o canditato falou ao Diario sobre suas propostas, de alianças, adversários e de como vencer o desconhecimento junto ao eleitorado. Abaixo trechos da entrevista.

Como o senhor avalia a pré-campanha? Qual o momento de maior dificuldade?
A pré-campanha teve um papel importante. O nosso nome foi anunciado em 24 de fevereiro. Ficamos no governo até 4 de abril, vinculado à Secretaria da Fazenda. Não tive tempo hábil de iniciar a campanha enquanto estava no governo. Participei apenas de eventos de final de semana. Agora, a partir de 4 de abril, decidimos visitar o maior número de municípios possível dentro de uma lógica de nos apresentarmos, de ouvir as pessoas, de dialogar, de atualizar conhecimentos. Foi um momento para arrumação da casa, de descobrir o rumo, a estratégia para mobilizar todo esse time de partidos.

E como o senhor avalia o resultado dessa primeira etapa?
Ao longo da pré-campanha tivemos a possibilidade de construir a Frente Popular com os partidos que nos apoia e saímos satisfeitos com o resultado. Primeiro porque a gente conseguiu ter diagnósticos muito precisos. O desejo das pessoas de continuar o trabalho iniciado em 2007 por Eduardo Campos é muito grande. Vimos também o reconhecimento claro do trabalho, dos avanços conquistados, mas existe também um sentimento muito claro da necessidade de avançar mais e mais rápido. E esse é um desafio que nos interessa porque a gente sabe que fez muito e é possível fazer mais. Temos um desafio de fazer com que a agenda do século passado se concretize efetivamente no século 21, que é a agenda da industrialização do nosso estado, uma agenda passada, mas que está acontecendo só agora.

O senhor começou a divulgar as diretrizes do seu programa de governo, mais qual o foco principal do projeto para governar Pernambuco?
O trabalho realizado em 7 anos e três meses quando estive no governo me dá o norte, o caminho. A escola em tempo integral, por exemplo - temos indicadores que mostram isso -, melhora a qualidade do ensino. O aluno fica mais tempo na escola e tem condição de assimilar mais conteúdo. Além disso, podemos inserir coisas novas que estão acontecendo no mundo. A informática, a robótica, o conceito de interatividade, de inovação estão presentes dentro da escola em tempo integral, enquanto na escola de tempo normal não é possível. Na saúde, a população reconhece que as estruturas fizeram bem para o estado, mas temos muitas lacunas ainda na complementação da rede. Por isso já anunciamos nas nossas diretrizes que vamos fazer seis novos hospitais, reformando dois e fazendo quatro novos, além de complementar a rede de Upas especialidades.

Como senhor pretende realizar essas ações na área da saúde?
A saúde é a área mais reclamada. Mas é também a área que a população reconhece onde se trabalhou mais. Tem o problema do financiamento? Tem. Quando vai para a questão federativa você vê que a União cuidava de 70% (em 1990) e hoje está em 40%. Os estados têm obrigação de, no mínimo, gastar 12% de sua receita com a saúde. Os municípios, 15%, e a União não tem obrigação nenhuma. Tem um projeto de 10% que não sai do canto porque a União não tem interesse. Então, existe uma crise de financiamento no SUS, e os estados e municípios estão assumindo. Isso precisa ser rediscutido. Por isso que Eduardo colocou essa bandeira como pauta, porque ele sabe da importância da redistribuição de recursos e do pacto federativo como um todo. Vamos fazer uma parte com dinheiro do estado (das propostas) e uma parte com dinheiro do SUS.

Observamos que o senhor tem colocado em seu discurso de campanha a interiorização do estado, a mesma proposta de Eduardo Campos em 2006. O que faltou para essa meta ser atingida?
Como podemos levar desenvolvimento para o interior sem preparar a base? Não tinha nada (no interior do estado). Não tinha uma política fiscal. A infraestrutura era totalmente aquém do necessário. Não tinha uma perspectiva de qualificação profissional. Tínhamos seis escolas técnicas. Tudo era concentrado aqui (na capital) A maioria sem a utilização adequada. Vamos ter 40 escolas técnicas em todo o estado, 50 mil alunos estudando. Vamos colocar uma faculdade para formar professores e capacitar as unidades com laboratórios que serão permanentemente inovados. Agora, se nesses oitos anos do governo Eduardo e João Lyra não tivessem iniciado esse processo, tudo teria ficado no entorno de Suape. As conquistas que tivemos nos preparou para a gente continuar com o discurso da interiorização. Agora, se estivesse aqui falando de interiorização e não tivesse feito nada nos últimos sete anos e três meses, aí, sim, poderiam dizer que Eduardo prometeu e não fez nada. Mas ele fez muita coisa.

O tempo de televisão será suficiente para o senhor levar sua mensagem à população?
Tempo de televisão é bom, é importante, mas não é uma coisa que seja fundamental. Já houve campanha na qual quem tinha maior tempo de televisão ganhou e campanha na qualquem tinha pouco tempo de televisão ganhou também. Isso depende da forma que a gente vai usar a informação. Vamos fazer uma campanha bonita, com propostas, com ideias, mostrando o que nós representamos, o que nós construímos, mas principalmente mostrando o que nós vamos fazer no futuro, porque a população quer discutir futuro. O tempo de televisão vai ajudar a mostrar quem nós somos, estreitar a relação com as pessoas, mostrar nossas ideias de sustentabilidade, de inovação, interiorização e mostrar que estamos sintonizados com uma coisa muito importante: com os sonhos dos pernambucanos, com o que os pernambucanos querem para o seu estado.

O senhor fez uma coligação com 21 partidos como pretende administrar essa aliança?

Vamos administrar os ruídos, que são naturais, como a gente sempre fez: ouvindo. Vamos ouvir as queixas, ver o que é possível fazer e o que é possível atender. A participação da Frente será efetiva. Criamos o conselho político, que será um fórum importante para discussão das questões da aliança, e temos certeza que ao longo da campanha o engajamento será total. As pessoas estão comprometidas com o nosso projeto político. A minha vitória, a vitória de Fernando Bezerra Coelho (para o Senado), a vitória de Eduardo são vitórias de Pernambuco e desse conjunto de forças. Então, é fundamental essa união, e eles sabem disso. A gente vai fazer a campanha como sempre fez, dando prioridade à população.

Como o senhor, caso eleito, pensa em administrar esse leque de partidos? O conselho política vai ficar permanente para ajudar no administrativo?
Não. O conselho político é para campanha eleitoral.  A partir de 2015, o governo toma seu corpo. Vamos governar Pernambuco na nossa forma de gerir, de fazer gestão com um modelo que implementamos e vamos adptá-lo cada vez mais. Vamos continuar fazendo política do jeito que a gente entende que a política deve ser feita, atendendo os anseios da população, com transparência, combatendo a corrupção, contra o patrimonialismo, o fisiologismo. Temos a clareza disso. Nos apresentamos como representante da nova política. Eu fui escolhido no conjunto de forças para representar isso.

Mas o senhor sabe que vai enfrentar dificuldades?
Nós vamos trabalhar como sempre trabalhamos. Ouvindo as pessoas. Onde tem um problema a gente bota na mesa. Uma das coisas que aprendi com Eduardo foi não dar intimidade a problema. A gente não vai dar intimidade a problema.  A gente vai buscar soluções para os problemas, mas eles vão existir sempre. Em toda área existe, mas faremos com que o estado seja cada vez mais rápido, ágil. Vamos cuidar de desburocratizar muita coisa porque a burocracia atrasa. Nós criamos o FEM e fomos muito felizes com o FEM, que é um fundo desburocratizante, um fundo que repassa recursos para os municípios mas mantém o controle. Isso está fazendo a diferença para os municípios.

Como o senhor pretende conduzir sua campanha? Vai ser com base nas propostas sem ataques aos advesários?
Meus adversários, a gente tem visto isso, acham que o papel deles é de me criticar. Agora, tenho certeza do meu, que é de usar minha experiência, minha força de trabalho para governar Pernambuco. Então, vamos caminhar assim.

Como será a rotina de Eduardo Campos na campanha?
Eduardo tem uma responsabilidade muito grande. Ele não é mais candidato a governador de Pernambuco. É candidato a presidente da República. Nós combinamos desde o início que ele ia cuidar da campanha para presidente e ele vai dar a Pernambuco o tratamento que dará aos outros estados. Óbvio que ele vai vir muitas vezes aqui. Na pré-campanha só estava planejada a vinda dele na convenção e ele veio. Neste mês ele virá duas vezes e em agosto a gente vai decidir como será a participação de Eduardo, dependendo da estratégia nacional. Mas o que a gente quer realmente é unir Pernambuco. O meu papel também é esse na liderança desse processo: unir Pernambuco em favor da eleição de Eduardo Campos para presidente.

Mas tem uma ideia de como serão esses eventos com ele?
Eventos de rua. De campanha. Vamos estar na rua, no interior, na Região Metropolitana. Eduardo vai estar presente onde for melhor para a campanha dele a presidente da República e da maneira que a gente puder ajudá-lo.

Qual sua opinião sobre mobilidade?
Mobilidade é um problema nacional. Pernambuco tem um problema grave. O que o nosso governo procurou fazer? Primeiro procuramos um sistema público melhor, como corredores exclusivos de ônibus, e segundo, ter um ônibus de melhor qualidade. O BRT é isso. O BRT tem mais conforto, ar condicionado e anda mais rápido. Criamos também o sistema de terminais integrados e agora lançamos o bilhete único, que vai permitir às pessoas descerem em qualquer canto e pegarem outro ônibus com a mesma passagem. Também vamos unificar a tarifa de R$ 3,30 (Paulista, Cabo, Olinda) em R$ 2,15.

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