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Mensaleiro » Saiba como será a rotina de trabalho de José Dirceu fora da cadeia Depois de quase oito meses preso na Papuda e de ter tentado ser gerente em hotel em Brasília, ex-ministro consegue o direito de trabalhar fora da prisão

Correio Braziliense

Publicação: 04/07/2014 10:54 Atualização:

Após 230 dias preso, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu pôde sair da cadeia para trabalhar. O petista deixou o Centro de Progressão Penitenciária (CPP), no Setor de Indústria e Abastecimento (SIA), por volta das 7h30 de ontem e, antes das 8h, já havia chegado ao Setor Bancário Sul para dar expediente no escritório de advocacia de José Gerardo Grossi. A efetivação da atividade externa põe fim a quase oito meses de espera pela concessão do benefício.

Vestindo paletó sem gravata, Dirceu aparentava estar mais magro e usava o cabelo um pouco mais curto do que quando foi preso, em 15 de novembro do ano passado. O ex-ministro não conversou com a imprensa, por precisar de autorização judicial para tal, mas, segundo o novo patrão, estava "alegre e bem disposto". "É natural a excitação de uma pessoa que ficou tanto tempo presa e se vê livre. Você já abriu a porta da gaiola de um passarinho? Quando sai, ele canta", comparou José Gerardo Grossi.

O expediente de Dirceu será das 8h às 18h, com direito a duas horas de almoço, durante as quais ele poderá se afastar até 100 metros do local de trabalho. "Aqui perto, há vários restaurantes. No próprio prédio tem alguns. Às vezes, descemos para comer, mas também é possível pedir comida e almoçar aqui no escritório mesmo", disse Grossi.

Dirceu receberá R$ 2,1 mil mensais e será responsável pela organização da biblioteca do escritório, além da condução de tarefas administrativas. O salário é bem menor do que os R$ 20 mil oferecidos para ser gerente administrativo no Hotel Saint Peter, em Brasília, logo após ser preso. Ele desistiu quando foi revelado que o empreendimento tem como sócia uma empresa aberta no Panamá em nome de um laranja.

Os dias trabalhados contarão para a remissão da pena de sete anos e 11 meses de prisão, imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por envolvimento no mensalão. Hoje, entretanto, não haverá atividades na empresa porque os funcionários serão liberados para assistirem ao jogo Brasil x Colômbia, válido pelas quartas de final da Copa do Mundo.

O translado entre o CPP e o Setor Bancário foi feito em um utilitário esportivo preto, de propriedade da empresa de Dirceu, a JD Assessoria e Consultoria. O mensaleiro aproveitou a viagem para fazer uma série de ligações ao celular. Segundo Grossi, o ex-ministro chegou ao local acompanhado de uma advogada que trabalha com José Luis Oliveira Lima, responsável pela defesa do petista no STF, e com um homem de nome Simas, "que trabalha com ele (Dirceu)".

Visitas


Apesar do aparato da JD Assessoria, Grossi garante que o ex-ministro não tocará qualquer atividade paralela durante a estadia. "Aos poucos, ele vai entrando na rotina normal do escritório", frisou o advogado, acrescentando que a Vara de Execuções Penais (VEP) permitiu que apenas familiares visitem Dirceu durante o expediente.

Depois de o ex-ministro deixar o CPP ontem, outros três condenados no mensalão saíram da unidade para retomar o trabalho externo. O ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e os ex-deputados Valdemar Costa Neto e Bispo Rodrigues voltaram às atividades que exerciam antes de o benefício ser suspenso pelo ministro Joaquim Barbosa, do STF.
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