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PESQUISA » Cientistas políticos não sabem se otimismo permanecerá nas eleições

Agência O Globo

Publicação: 04/07/2014 08:11 Atualização:

Para cientistas políticos ouvidos nesta quinta-feira pelo GLOBO, o resultado da pesquisa Datafolha divulgada no jornal "Folha de S. Paulo", que apontou uma melhora do humor do brasileiro com a Copa, da avaliação do governo e do desempenho dos candidatos à Presidência da República, deve-se a um momento de "distensão política". Por enquanto, não é possível dizer se esse otimismo vai permanecer durante as eleições.

"Atribuo essa melhora de indicadores a um momento de distensão do ambiente político provocado pela Copa. As atenções estão voltadas para a seleção. Neste momento, não temos nada que indique que uma vitória do Brasil pode beneficiar o candidato A, B ou C", disse o professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (Fesp) Rui Tavares Maluf.

Sociólogo do Insper, Carlos Melo avalia que, como a expectativa de problemas na organização dos jogos não se confirmou, há um sentimento de alívio na população:

"Esse certo alívio repercute com boa vontade com os políticos. Se isso vai continuar, somente as próximas pesquisas vão dizer. Por enquanto, não se pode dizer mais nada além disso".

Melo diz que, para a presidente Dilma Rousseff, a pesquisa pode ter tido um significado importante ao registrar um crescimento de intenções de voto de quatro pontos percentuais no último mês - de 34% para 38% -, o maior entre os presidenciáveis. Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) apenas oscilaram positivamente dentro da margem de erro.

"Para ela, isso pode ter sido importante para dar um sinal ao PT de que a situação pode melhorar. Mas é só isso. As pesquisas estão muito voláteis nos últimos meses", afirmou Melo.

Analista de pesquisas eleitorais do Instituto Maurício de Nassau, Maurício Romão se diz cético quanto à permanência do clima de otimismo depois do fim da Copa. Seja qual for o resultado obtido pela seleção, ele acredita que o sentimento de insatisfação popular voltará a ganhar força:

"Agora está todo mundo acompanhando a Copa. O interesse na eleição é baixo. Temos que lembrar que a maioria das demandas feitas nas ruas em junho do ano passado continua sem resposta. A insatisfação está latente. Acredito que elas vão voltar à tona mais adiante.

O histórico brasileiro de eleições e participações do Brasil em Copas não permite se chegar a nenhuma conclusão sobre a influência do evento esportivo na disputa eleitoral, segundo os especialistas. Em 2002, o Brasil venceu a Copa, mas nem por isso o governo conseguiu surfar na vitória nos gramados e fazer seu sucessor. Em 2006 e 2010, o Brasil perdeu o Mundial, e os candidatos governistas, Lula e Dilma, respectivamente, venceram nas urnas.

"É difícil medir isso. Há um ineditismo que é a realização da Copa no Brasil. A última vez em que isso aconteceu foi em 1950. Era um outro tempo. Não dá para comparar", disse Melo.

Maurício Romão diz que estudos internacionais mostram que os indicadores que precisam ser levados em conta numa análise de potencial de vitória de um candidato passam longe de eventos populares como a Copa. São eles: a avaliação do governo em exercício, a percepção da população em relação à economia e o tempo de permanência no poder.

"Sou cético em relação à influência da Copa em resultados eleitorais. A avaliação de governo, para mim, é um dos melhores indicadores de intenção de voto. Neste momento, essa não é uma boa notícia para Dilma, que continua arrastando índices baixos de aprovação", avaliou o consultor.

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