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Ditadura » PF prende torturador argentino Graças a intercâmbio de informações com policiais do país vizinho devido à Copa, autoridades localizam foragido

Correio Braziliense

Publicação: 04/07/2014 07:01 Atualização:

Um argentino acusado de colaboração com o regime militar local foi preso ontem pela Polícia Federal no interior de São Paulo. Salvador Siciliano, 74 anos, é suspeito de envolvimento nos crimes de sequestro, cárcere privado, tortura e homicídio de pelos três cidadãos argentinos. Ele era procurado pelas autoridades do país vizinho desde maio deste ano, quando foi expedido mandado de prisão e teve o nome incluído na lista de procurados pela Interpol, a polícia internacional.

Siciliano foi encontrado em casa, na cidade de Arujá, na microrregião de Guarulhos. Ele foi levado ao Instituto de Medicina Legal (IML) de São Paulo e ficará preso na Superintedência da PF. No fim da tarde de ontem, prestou depoimento à corporação. A prisão dele foi realizada com o apoio dos agentes da Polícia Federal argentina que trabalham no Centro de Cooperação Policial Internacional (CCPI) durante a Copa do Mundo.

De acordo com o chefe da unidade, Luiz Eduardo Navajas, as polícias dos dois países trocaram informações sobre o caso e localizaram o homem há menos de uma semana. “Com a chegada dos policiais argentinos ao CCPI para os trabalhos de segurança da Copa, nós intensificamos a troca de informações. Eles nos aportaram material novo, fechamos com o que tivemos de informações sobre os rastros dele e o localizamos. A PF representou no Supremo Tribunal Federal (STF) com pedido de prisão cautelar para extradição e, ontem (quarta-feira), por volta das 20h, o Supremo deferiu o pedido”, contou o chefe da Interpol no Brasil.

A partir de agora, a Argentina tem 90 dias para formalizar o pedido de extradição para a Justiça brasileira. Até lá, Siciliano permanecerá preso. Caso o pedido não seja apresentado no prazo, ele será solto. Navajas informou que não há detalhes sobre o tempo de permanência do argentino no Brasil. Ele morava em Arujá com a família, mas mudava de endereço frequentemente, dentro da mesma cidade e para outros municípios. “Como ele entrou no país de forma clandestina, apesar de não fazer uso de identidade falsa, não existia para os nossos cadastros”, disse Navajas. O julgamento pode levar de seis meses a três anos.

Segundo o comissário da polícia federal argentina Aldo Alvarez, as buscas por Siciliano começaram muitos anos depois da término da ditadura no país vizinho porque as investigações são feitas aos poucos e envolvem muitas pessoas. “Há inúmeros casos sob investigação, o que dificulta a identificação dos acusados”, disse. “Salvador Siciliano era um dos mais procurados pela Argentina, pois integrava uma organização”, completou Alvarez, referindo-se à Aliança Anticomunista Argentina (AAA). De 2007 para cá, cinco argentinos envolvidos com o regime militar local foram presos e extraditados.

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