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Mensalão » Pedro Corrêa prefere trabalho na vacaria do presídio Condenado pelo mensalão, ex-deputado não quis voltar a trabalhar externamente. Ele está cuidando da cocheira da penitenciária

Diario de Pernambuco

Publicação: 03/07/2014 08:45 Atualização: 03/07/2014 10:21

Ex-deputado é filiado ao PP e foi o único pernambucano condenado no processo do mensalão do PT. Foto: Paulo Paiva/DP/D.A. Press
Ex-deputado é filiado ao PP e foi o único pernambucano condenado no processo do mensalão do PT. Foto: Paulo Paiva/DP/D.A. Press
O que você faria se estivesse preso e recebesse permissão para trabalhar fora da unidade prisional pelo menos sete horas por dia? Ao que parece, o ex-deputado federal Pedro Corrêa, um dos condenados no esquema do mensalão, abriu mão desse benefício para se dedicar às atividades na vacaria no Centro de Ressocialização de Canhotinho, no Agreste de Pernambuco. Autorizado desde a semana passada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para voltar a trabalhar como médico numa clínica de radiologia, o ex-parlamentar informou ao diretor do Centro, Washington Gomes, que prefere continuar suas atividades dentro da penitenciária. Pedro é o responsável pela cocheira da Fazenda Nascimento, que faz parte da vacaria do centro.
 
"Não sei se ele vai voltar atrás na decisão mas, por enquanto, disse que prefere continuar com suas atividades aqui", informou Gomes. A autorização para a saída do preso ilustre, inclusive, já está assinada por ele. Segundo o diretor, o mensaleiro cuida das instalações, da limpeza, contagem e vacinação de 123 animais, entre vacas e bois. Não chega a limpar fezes dos animais, por exemplo. Mas, quando se trata de vacina, é o próprio médico quem faz as aplicações. Ele também gosta de dar banho nos bichos. A remuneração é de R$ 420, por mês, e ele também administra outros presos. Na clínica de radiologia, o salário estimado era de R$ 3,1 mil e ele atuaria como médico das 8h às 15h30 para chegar à unidade prisional exatamente às 16h.
 
Apesar da diferença financeira, o local de trabalho pouco importa para a remissão da pena. Isso significa que, a cada três dias trabalhados, é diminuído um dia na prisão. Pedro Corrêa está preso desde o dia 27 de dezembro do ano passado, condenado a sete anos e dois meses por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Primeiro, ele foi levado com algemas para o Centro de Observação e Triagem Professor Everardo Luna (Cotel), onde há mais de 2 mil detentos. Passou o Ano Novo nesse local e, no dia 8 de janeiro, foi transferido para Canhotinho.

Desde então, seu primo e advogado Clóvis Corrêa vem tentando pleitear o benefício para que o ex-deputado trabalhe fora. O que conseguiu, em abril. Um mês depois, uma decisão do ministro Joaquim Barbosa revogou o direito. Na época em que voltou a trabalhar, na mesma clínica particular de radiologia que retornaria na semana passada, uma enxurrada de repórteres e curiosos se amontoavam para vê-lo de perto.

Na avaliação dos familiares, talvez seja este o motivo para Pedro preferir ficar na vacaria da penitenciária. Fugir do assédio e tentar manter algum tipo de privacidade. "Não sei, realmente, o que houve. Ele sempre me dizia que queria voltar a atuar como médico. Nós brigamos muito por isso, na Justiça. E, agora, quer continuar na cocheira. Vou visitá-lo neste final de semana para conversar", afirmou Clóvis Corrêa.

Mesmo sem entender a atitude do primo, o advogado acredita que Pedro esteja bem, já que sempre apreciou a fazenda da família. A reportagem tentou entrar em contato com Fábio Corrêa, filho de Pedro, mas não conseguiu localizá-lo para comentar sobre a posição do pai.

Em Canhotinho, Pedro Correa divide uma cela com mais três presos. O espaço tem 2 x 3 metros, bem diferente da cobertura onde morava na Avenida Boa Viagem, Zona Sul do Recife. A vacaria é um estabelecimento onde tradicionalmente se recolhem as vacas e bois para que possam tratá-los, retirar leite e, eventualmente, vendê-los.

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