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Uma crise a jato » Lobby de Vargas para laboratório Em depoimento no Conselho de Ética, sócio do Labogen confirma que o deputado indicou a empresa para fechar contrato com o Ministério da Saúde, mas nega acordo financeiro

Naira Trindade - Correio Braziliense

Publicação: 03/07/2014 07:30 Atualização:

Apesar de alinhado à defesa do deputado federal André Vargas (sem partido-PR), o sócio majoritário da Labogen Leonardo Meireles confirmou nesta quarta-feira (2), em depoimento no Conselho de Ética da Câmara, a participação do parlamentar na indicação do laboratório no contrato de R$ 31 milhões na produção de medicamentos para o Ministério da Saúde.

Meireles admitiu o “encaminhamento técnico” dado por Vargas ao projeto, mas negou ter havido algum tipo de acordo financeiro com o deputado. “O projeto era bom para o país, com medicamentos do SUS, que teríamos condições de fazer dentro do prazo”, disse Meireles. “Quem intermediou os contratos foi o André Vargas. Houve um encaminhamento, que foi puramente técnico”, frisou.

A afirmação contradiz o depoimento prestado na terça-feira pelo deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) que alegou “ter convicção” de que André Vargas não fez lobby pela Labogen. “Tenho convicção que, se existe uma discussão sobre decoro, é sobre o uso do avião. Eu tenho consciência de que ele (Vargas) não fez lobby pela Labogen”, defendeu Vaccarezza no Conselho de Ética.

Ontem, o sócio da Labogen se contradisse ao afirmar que esteve com Vargas em Brasília. Primeiro, negou o encontro. Depois, afirmou ter se reunido com o deputado na vice-presidência da Câmara, ex-cargo de Vargas na Casa. Meireles também confirmou ter se reunido com o secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Carlos Gadelha, e com o então ministro Alexandre Padilha, no dia da assinatura do contrato.

Calado
Para evitar contradições, o sócio minoritário da Labogen, Esdra Ferreira — que falou na sequência —, foi aconselhado pelo advogado Haroldo Nater a exercer o direito de permanecer calado. Ele respondeu apenas questões em que frisava desconhecer André Vargas e se negou a confirmar, inclusive, dados pessoais ao conselho.

O relator Júlio Delgado (PSB-MG) diz ter certeza do tráfico de influência no contrato fechado com a Labogen. “Só falta confirmar quem é o responsável por esse tráfico, quem fez essa intermediação”, disse. “O Esdra é laranja. Ele não tem menor conhecimento nem condição de ser sócio de uma empresa que movimenta milhões”, disse Delgado. Alegando cerceamento ao processo, a defesa de Vargas não elaborou perguntas.

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