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Reviravolta » Serra decidiu ser candidato ao Senado em São Paulo Mesmo diante da saia-justa, Kassab decidiu que não vai retirar sua candidatura ao Senado na chapa com o empresário Paulo Skaf, candidato ao governo de São Paulo pelo PMDB.

Agência O Globo

Publicação: 02/07/2014 08:02 Atualização:

Em meio a acomodações políticas, o ex-governador José Serra decidiu lançar-se à corrida ao Senado, depois de já ter seu nome inscrito na lista de candidatos a deputados federais do PSDB por São Paulo. Vai enfrentar, além do petista Eduardo Suplicy, o seu afilhado político, o ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD), que manteve sua candidatura mesmo com o discurso de que "jamais" entraria no páreo se Serra estivesse. Com isso, Serra e Kassab protagonizam o primeiro embate fratricida dessa disputa.

Mesmo diante da saia-justa, Kassab decidiu que não vai retirar sua candidatura ao Senado na chapa com o empresário Paulo Skaf, candidato ao governo de São Paulo pelo PMDB. A decisão do ex-prefeito foi tomada horas depois de Serra ter resolvido, no início da madrugada de ontem (1), também sair candidato ao Senado na chapa liderada por Geraldo Alckmin. Serra anunciou a decisão após reunião no Diretório Estadual do PSDB. Kassab deixou de lado hoje o discurso de que deixaria o caminho livre para Serra.

"Vou manter minha candidatura. Ela foi lançada com bela festa e não vou voltar atrás. Tenho compromissos com a aliança que apoio. Minha campanha para o Senado já começou ontem", disse Kassab, depois de ter assistido ao jogo entre Argentina e Suíça no Itaquerão.

Kassab disse que tomou a decisão de se candidatar depois que Serra anunciou, na convenção do PSDB, no último domingo, que seria candidato a deputado federal.

"Reafirmo o que falei no lançamento de minha candidatura. Se Serra fosse candidato a senador, eu jamais seria candidato ao Senado. Mas, quando anunciei, o Serra tinha decidido ser apenas candidato a deputado federal. Ele mudou depois. Agora não dá mais para voltar atrás", disse Kassab.

Serra chegou a ser inscrito na lista de candidatos a deputados federal, mas, no início da madrugada de hoje, o PSDB de São Paulo decidiu que o tucano disputará uma vaga ao Senado. O anúncio foi feito pelo presidente estadual do PSDB no estado, Duarte Nogueira, após reunião com a direção do partido, que começou faltando poucos minutos para a meia-noite. Na suplência de Serra, foram acomodados o deputado tucano José Aníbal e o presidente do PRB, Marcus Pereira. Com isso, o partido acredita ter solucionado o último impasse que impedia o registro de candidatura da chapa de Alckmin.

A novela para o preenchimento da vaga de candidato ao Senado se arrastou por mais de uma semana no PSDB paulista. Lideranças do partido passaram toda a segunda-feira tentando debelar uma crise entre os partidos que apoiam a reeleição de Alckmin. Alguns pressionavam para lançar candidaturas ao Senado individuais, conforme permitido pelas novas regras eleitorais. Serra, entretanto, somente aceitava disputar o cargo se fosse o único concorrente da chapa de Alckmin.

Enquanto isso, o candidato do PT ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha, tentou hoje minimizar o impacto da saída do grupo político liderado pelo deputado federal Paulo Maluf (PP). O abandono foi sentido na campanha petista. O presidente estadual da legenda, Emídio de Souza, tentou colocar panos quentes, mas admitiu o desconforto de ir para eleição com a menor coligação (PT/PR/PCdoB) entre os três principais candidatos.

"As forças políticas estão conformadas", sentenciou, após a coletiva convocada hoje por Padilha.

A entrevista coletiva, que contou com membros das Executivas estaduais do PCdoB e do PR, serviu para tentar estancar a rede de boatos que dava conta de uma debandada geral da candidatura petista. O cantor e político Netinho e o ex-ministro Orlando Silva estavam presentes, como o senador Eduardo Suplicy (PT), candidato à reeleição.

"Nós buscamos o diálogo com todos os partidos da base da presidente Dilma, e os conjuntos de partidos acabaram definindo três campos no estado de São Paulo. O campo comandado por quem governa São Paulo há 20 anos; o campo que reúne os ex-governadores do estado, que comandaram nos 20 anos anteriores, do final dos anos 70 até 1994; e a nossa coligação, que vai liderar o estado a partir de 2015", disse Padilha.

A convicção de Padilha, que o fez repetir a resposta acima a todas as questões relativas ao abandono do PP, não encontrou a mesma afirmativa entre aliados que ficaram na aliança. "Só Lula salva a campanha", afirmou mais de um aliado à reportagem.

A reviravolta no quadro eleitoral paulista atinge também o cenário nacional no maior colégio eleitoral do país. Ao abandonar o compromisso de apoio ao PSDB de Alckmin, aliando-se ao PMDB, Kassab fortaleceria o palanque de Dilma em São Paulo. Ela, no entanto, viveria momentos de intranquilidade com a candidatura de Alexandre Padilha (PT). Aécio Neves, por sua vez, viu seu palanque diminuir de espaço em São Paulo quando Alckmin abriu espaço para o PSB de Eduardo Campos na sua chapa. Campos, com isso, ganha espaço no palanque paulista, embora tenha como vice Marina Silva, que rechaça todo e qualquer relação com os tucanos.

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