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Brasília » Palácio do Planalto corre para acertar arestas e não perder aliados Sob protestos, direção do PP manobra para manter apoio a Dilma Rousseff, que teve ainda a confirmação do PSD na coligação à reeleição. Presidente ataca 'lealdade' de ex-aliados

AE

Publicação: 26/06/2014 09:27 Atualização:

Enquanto os integrantes do PP se dividiam no Senado, na Câmara a presidente era aplaudida diante da batuta de Gilberto Kassab. Foto: Antônio Cruz/ABR
Enquanto os integrantes do PP se dividiam no Senado, na Câmara a presidente era aplaudida diante da batuta de Gilberto Kassab. Foto: Antônio Cruz/ABR

Na disputa para assegurar o apoio político dos aliados e não perder minutos preciosos na propaganda eleitoral a 10 dias do início da campanha presidencial, o Palácio do Planalto ainda corre para aparar arestas e amenizar a pressão da base com o objetivo de evitar novas defecções. Na manhã dessa quarta-feira, após o PSD, do ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, garantir de maneira tranquila o apoio à reeleição da presidente Dilma Rousseff, a convenção nacional do Partido Progressista (PP) foi bastante turbulenta. Para manter o apoio a Dilma, o presidente nacional da legenda, senador Ciro Nogueira (PI), precisou de uma manobra para que a presidente garantisse um minuto e 20 segundos de tempo na tevê. Como um trator, passou por cima das normas da convenção partidária. Não autorizou a votação e transferiu a decisão para a executiva da sigla, que só confirmou o apoio à chapa encabeçada pela petista, sob protestos, na tarde de ontem.

A costura eleitoral prosseguiu durante todo o dia. Para não deixar escapar mais um minuto e dois segundos de propaganda eleitoral, a presidente atendeu ao PR e exonerou o ministro dos Transportes, César Borges. A concessão ao PR e a convenção do PP são mais um capítulo que expõe a dificuldade da presidente de manter a sua coligação. O evento, ocorrido na manhã de ontem no Senado Federal, terminou em confusão. O tumulto se instalou depois de o senador Ciro Nogueira apresentar e aprovar uma resolução transferindo a decisão sobre a aliança nacional para a Executiva do partido. A portas fechadas, ela fechou o apoio a Dilma.

‘RELÂMPAGO’ O documento, entretanto, não foi votado, o que gerou revolta entre os que defendiam a neutralidade da legenda – posição dos diretórios do Rio de Janeiro, de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul. Os descontentes ingressaram no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com ação cautelar para cassar os efeitos do encontro. Em nota, a direção da sigla liberou acordos diferentes nos estados. Opositora do apoio a Dilma, a senadora e pré-candidata ao governo do Rio Grande do Sul Ana Amélia disse que a decisão foi tomada em uma “reunião relâmpago”. “Como se pode tomar uma decisão dessa magnitude numa reunião relâmpago, a portas fechadas?”, questionou.

Em contraste com o que ocorria no Senado, na Câmara dos Deputados a presidente foi muito aplaudida diante da batuta do “maestro” Gilberto Kassab – chamado por ela de “nosso líder emergente”. Depois de flertar com os tucanos até os 45 do segundo tempo, e a despeito de o ex-prefeito ser vaiado na convenção petista, a legenda decidiu apoiar a presidente. A decisão foi confirmada por 108 (95%) dos 114 convencionais que votaram. A petista ainda mandou, de maneira indireta, um recado a partidos que abandonaram o barco governista, a exemplo do PTB, que anunciou apoio à candidatura de Aécio Neves. “Engana-se quem defende que não há compatibilidade entre a lealdade e a política. Tem uma espécie de esperteza que tem vida curta.” 

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