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Desvio de função » Assessores do Planalto tentam descobrir quem são peemedebistas que apóiam Aécio no Rio

Agência O Globo

Publicação: 26/06/2014 09:17 Atualização: 26/06/2014 09:24

O Palácio do Planalto tentou levantar junto ao diretório do PMDB no Rio o nome dos prefeitos do partido que aderiram ao movimento "Aezão", lançado este mês, em apoio às candidaturas do governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) e do senador Aécio Neves (PSDB-MG) para a Presidência. Às 11h32m do último dia 12, um assessor da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República (SRI), Cássio Parrode Pires, enviou uma mensagem à assessoria de imprensa do PMDB no Rio. No e-mail, ele pedia a lista de presença no almoço de lançamento da aliança, na Barra da Tijuca, ocorrido na véspera. Ontem, o ministro das Relações Institucionais, Ricardo Berzoini, afirmou que pretendia saber o nome dos prefeitos presentes ao encontro para convidá-los para almoçar.

"Prefeito negocia com todo mundo. Enviamos o e-mail para saber quem eram (os prefeitos) e chamá-los para almoçar. Prefeito, quando você chama para almoçar, para conversar sobre algum assunto, ele vem. O (Jorge) Picciani pode falar o que quiser, mas isso é do jogo", afirmou Berzoini.

Controle dos pré-candidatos

O assessor Cássio é lotado na Subchefia de Assuntos Federativos da SRI, ministério encarregado de, entre outras atribuições, fazer a articulação política do governo e da relação institucional com os governadores e prefeitos.

Nomeado em abril do ano passado pela ex-ministra Ideli Salvatti (PT), Cássio atua no Núcleo de Gestão da Informação, um departamento do ministério que, em tese, deveria coletar informações sobre os estados e municípios brasileiros para ajudar o ministro e a presidente no processo de tomada de decisão em temas relacionados à Federação. Ontem, no entanto, Cássio descreveu com outras palavras sua atribuição na SRI:

"Trabalho a informação nas diversas fontes. Eu busco em todos os meios de comunicação, on-line ou impresso. (...) A gente faz o controle de todos os pré-candidatos ao governo federal".

Cássio afirmou não haver uma motivação "eleitoreira" por trás de seu trabalho e disse não repassar os dados que coleta sobre Aécio Neves e os demais pré-candidatos a ninguém. Perguntado sobre quem é o seu chefe imediato, o assessor não respondeu. Tampouco disse qual é a utilidade dessas informações para a SRI e para o Planalto.

"A gente só trabalha a informação. Não tem para quem passar. Tem informações que a gente guarda para a gente. Não passa para ninguém", afirmou o assessor.

No dia 12, antes de enviar a mensagem, Cássio telefonou para pedir a lista. A assessoria de imprensa do PMDB solicitou que ele enviasse o e-mail formalizando o pedido. O assessor, porém, não usou o e-mail institucional, optando por sua conta pessoal.

O presidente regional do PMDB, Jorge Picciani, criticou a atitude do assessor:

"Isso mostra como o "Aezão" incomodou o Planalto. Mas falei para quem atendeu ao telefonema desse rapaz que não enviasse a lista dos prefeitos. Ninguém vai intimidar os prefeitos. Falei à assessoria de imprensa para mandar ao Planalto os nomes do PT que estão com a gente" afirmou Picciani, às gargalhadas.

Preocupação com "aezão"

Desde o começo do mês, o Palácio do Planalto tem feito uma série de contatos com aliados no Rio para tentar minimizar o impacto da chapa fechada em torno de Aécio Neves no estado. Segundo interlocutores da campanha da presidente Dilma Rousseff, o PT teme o estrago que pode ser causado pelo "Aezão" no desempenho durante a campanha no Rio, terceiro maior colégio eleitoral do país.

Lançado por Picciani, o "Aezão" tornou-se oficial esta semana, com a entrada do DEM do vereador Cesar Maia para a aliança. O governador Luiz Fernando Pezão e o ex-governador Sérgio Cabral (PMDB) convidaram Cesar a candidatar-se ao Senado na chapa, em troca do apoio a Pezão.

Na última segunda-feira, Pezão admitiu pela primeira vez que receberá Aécio em seu palanque, e não prometeu exclusividade a Dilma: "Eu sempre falei para ela (Dima): não fomos nós que rompemos a aliança com o PT. O PT participou do nosso governo durante sete anos e três meses. Agora, abriu essa possibilidade ter outros palanques dentro da nossa coligação".

Com a participação do prefeito Eduardo Paes (PMDB) - que se opôs ao "Aezão" -, o PT nacional espera formar uma frente de prefeitos que decidiram apoiar Dilma e intensificar a agenda de campanha nesses municípios. Atualmente, na visão de um interlocutor da presidente, Paes tornou-se um dos principais cabos eleitorais da campanha: "Paes entendeu que a relação dele com a Dilma seguirá de alto nível"

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